"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 8 de julho de 2017

Hamburgo e a memória dos Campos : "Um prisioneiro honrado não deve viver mais de três meses, do contrário é um ladrão"

A frase que dá título a este post é de um oficial de Hitler, um dos tais SS, ao visitar a ala de prisioneiros ciganos em Dachau. Como pouca gente sabe, os ciganos, como os judeus, também passaram aos milhares por situações miseráveis e quase inacreditáveis nos Campos de Concentração nazis: Auschwitz, Dachau, Buchenwald, Treblinka... Diferentemente dos judeus que iam para as câmaras de gás e para o crematório resignados e em silêncio, os ciganos faziam o maior escarcéu, gritavam e se desesperavam. Nas memórias de Rudolf Hess existe este tenebroso relato, resgatado por Bart McDowell, em seu livro: Los gitanos"Muito antes da guerra, - relata o SS - se costumava confinar os ciganos como parte das campanhas contra os elementos anti-sociais. Apesar de que, para mim, em Auschwitz, os ciganos foram meus prisioneiros prediletos. Gostavam de brincar, inclusive durante o trabalho, ao qual nunca levavam a sério. Jamais vi uma expressão de ira ou de ódio no rosto de um cigano. Se íamos em seu campo, frequentemente se punham a tocar seus instrumentos musicais, ou bem, deixavam que seus filhinhos dançassem... Quando se lhes falava, respondiam com sinceridade e abertamente... Em julho de 1942, o Reichsfuhrer SS (Henrich Himmler) visitou o campo de ciganos... Viu os que estavam doentes e as crianças com seus corpinhos consumidos... uma lenta putrefação do corpo em vida... viu tudo e ordenou que os destruísse... Em agosto de 1944, sobravam uns 4000 ciganos, e estes teriam que acabar nas câmaras de gás. Até esse momento, não tinham nem idéia do  que os esperava. Se Deram conta por primeira vez do que estava ocorrendo quando se encaminharam, barracão por barracão, até o crematório. Não foi fácil levá-los até as câmaras de gás... Schwarzhuber (outro oficial de acampamento) me disse que foi mais difícil do que qualquer dos aniquilamentos anteriores de judeus, e que a ele lhe foi particularmente difícil, uma vez que conhecia praticamente um por um . E que eram tão ingênuos como crianças..."

Bibliografia necessária:
1. Bart MacDowell - Los gitanos, Ediciones Nauta S.A. Barcelona, 1978
2.  Jean- François  Steiner - Treblinka, Circulo do livro S.A, São Paulo 1975
3. Paul Berben - Dachau, Ediciones Felmar, Madrid, 1977
4. Stefan Kanfer - La marca del gitano (el holocausto de los gitanos y la huella imborrable de los campos alemanes), Ultramar Editores, Madrid 1979
5. Christian Bernadac - L'holocauste oublié (le massacre des tsiganes), Éditions France-Empire, Paris 1979




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