"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Entre os gritos do carcará e a desfaçatez da raça humana...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa...






































Hoje, dia do meio ambiente, uma moça me ligou para contar que um carcará quase papou seu cachorrinho de estimação.  Disse-me quase aos prantos que esse parente dos gaviões desceu encolerizado numa rasante  espetacular  do alto de um prédio e que, com as unhas em riste, passou a um palmo do pescoço de seu lhasa... E isto, - agregou - que estamos apenas a uns mil metros do Palácio do governo. 
De inicio achei que ela estava exagerando, mas depois lembrei que, segundo os criadores de vacas lá dos vilarejos que ficam às margens do Rio São Francisco, essas aves de rapina são capazes de matar em minutos até um bezerro. 
O porteiro, homem acostumado à vida no sertão, ao saber da história passou a defender a tese de que deve ser uma ave recém chegada à cidade e a fazer relatos de quando, em sua juventude, os matava dentro dos currais a golpes de peixeira. 
Saber como é que vieram para Brasília é quase um mistério... Costumo deparar-me com um ou dois casais ali no Campus Universitário, mas estão lá, já completamente passivos, ciscando ao redor das lixeiras como velhas galinhas. Prova melancólica de que alguns anos em Brasília são capazes de domesticar e até mesmo de alterar o DNA de qualquer um.

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