"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Igreja e pedofilia - O Limbo não teria sido uma espécie de harém na fantasia dos velhos pedófilos?

"O diabo pode até citar as escrituras quando isto lhe convém...
W. Shakespeare


Como se os rebanhos de todas as seitas já estivessem se acostumando, não teve quase repercussão nenhuma o novo caso de pedofilia envolvendo um veterano do vaticano que representa a Deus lá na Austrália... Segundo umas tímidas noticias, trata-se de um pobre ancião de 77 anos que papava crianças lá naquele país monárquico onde os aborígenes já foram praticamente domados ou dizimados, ou pela cruz ou pela espada...
Sem nenhum moralismo de "tocador de sino"ou de "donas de casa", a cena de um velho caquético bolinando uma criança não deve ser nada excitante, nem para as massas - naturalmente perversas & libidinosas - nem para um suposto criador. Foi o diabo que turbinou a tara e inclusive quem conduziu as mãos do representante de Deus, me escreve uma pobre beata. E já que ela falou em Deus, vale a pena perguntar-se o que pensaria o Criador - se é que existisse - da sexualidade de seus gerentes? Sentiria náuseas? Nojo, raiva, pena, compaixão? Ou uma ereção? Mandaria outro dilúvio sobre esta espécie vagabunda? Tomaria consciência de que sua criação foi um erro, uma armadilha, uma aberração? Ou também ele sentiria lá por debaixo das cuecas os instintos à flor da pele sempre que cruza com uma criança estúpida e indefesa? Que miséria! 
Enfim, diante desses compulsivos e miseráveis fatos sempre se apresenta a mesma indagação: que seria desses pobres velhos embatinados e das seitas que representam sem o rebaixamento mental das massas, sem o cinismo descarado e sem a invenção do inferno e do diabo???

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Aos escravos - Trabalho? Reformar as leis que o regem ou pensar em extingui-lo?... Juan Ibasque...






Os meus dez contraconselhos:
( Corinne Maier em: Bom dia, preguiça)

1. O empregado é a moderna figura da escravatura. Recorde-se que a empresa não é um lugar de realização pessoal, se fosse já se tinha dado por isso. Você trabalha para receber o ordenado ao fim do mês e "ponto final", como vulgarmente se diz nas empresas.

2. Não vale a pena querer mudar o sistema, confrontá-lo é o mesmo que o reforçar; contestá-lo é fazê-lo vingar com mais consistência ainda. Pode, com certeza, dedicar-se a graças anarquistas do estilo: instituir um dia consagrado a telefonar para o escritório para dizer "Estou doente", ou adoptar o manifesto "Roubem no emprego porque o emprego também vos rouba". Tem muita graça, mas a revolta, isso era bom para os contestatários dos anos 70, e sabe-se bem aquilo em que eles se tornaram (em patrões).

3. Aquilo que você faz não serve, em última análise, para nada e você pode, de um dia para outro, ser substituído pelo primeiro cretino que apareça. Por isso, trabalhe o menos possível e consagre algum tempo (mas sem exagero) a "vender-se"e a criar "o seu próprio círculo"; desta forma, estará dotado de apoios e será intocável (e intocado) no caso de uma reestruturação.

4. Não será julgado pela maneira como desempenha o seu trabalho, antes pela sua capacidade em se conformar com sensatez ao modelo dominante. Quanto mais utilizar uma retórica oca, mais pensarão que está ao corrente do que se passa.

5. Nunca aceite, seja a que pretexto for, um lugar de responsabilidade. Seria obrigado a trabalhar consideravelmente mais, sem outra contrapartida senão alguns euros a mais (ou seja, "peanuts"), e mesmo assim...

6. Escolha, nas maiores empresas, as áreas menos úteis: consultoria, peritagem, pesquisa, estudos. Quanto mais inúteis, menos possível será qualificar a sua "contribuição para a criação de riqueza pela empresa". Fuja das funções operativas "no terreno"como da peste. O ideal será portanto procurar vir a ser "posto na prateleira": estes postos de trabalho improdutivos, muitas vezes "transversais, são irrelevantes, mas sem qualquer espécie de pressão de natureza hierárquica: resumindo, é o descanso.

7 Uma vez na prateleira, evite acima de tudo as mudanças: entre os quadros, só os que mais se destacam é que são despedidos.

8. Aprenda a reconhecer, através de sinais discretos (pormenores no vestuário, piadas fora de tempo, sorrisos amáveis) aqueles que, tal como você, não acreditam no sistema e se aperceberam até que ponto ele é absurdo.

9. Sempre que "enquadrar"pessoas que estão em situação temporária na empresa (contratados a prazo, tarefeiros, trabalhadores de firmas prestadoras de serviços...) trate-os cordialmente; nunca se esqueça de que são os únicos que realmente trabalham.

10. Convença-se de que toda esta ideologia ridícula, veiculada e promovida pela empresa, não é mais do que uma falácia e que um dia desmoronará. Como dizia Stálin: no fim de contas, é sempre a morte que ganha. O problema é saber quando...

terça-feira, 27 de junho de 2017

Ocaso republicano... Ou, parafraseando a Heráclito: tudo muda o tempo todo. É impossível clicar duas vezes na mesma imagem...

















O mendigo K e o circo republicano...

MIS QUERIDOS AMIGOS: NO HAY AMIGO!
Aristóteles


1. O mendigo K. que está passando uns dias num chalé em Côte D'azur me ligou nesta manhã indignado com essa discussão infame sobre a legitimidade ou adulteração das gravações que o Joesley Batista fez com o Presidente Temer. 
Diz que está passando vergonha por lá, pois que todos os jornais europeus tratam do assunto questionando o caráter, a inteligência e a sanidade de nossa gente. E acrescentava: essa discussão lembra aquela história pueril do marido que chega em casa às cinco da tarde, encontra a mulher no sofá da sala vestindo apenas uma camisola japonesa, cor de rosa, com a calcinha de 100 euros enrolada e jogada no piso ao lado de meia garrafa de vinho italiano, de mãos dadas com um colega de trabalho e que, para certificar-se de que ela estava sendo infiel busca no couro do sofá alguns vestígios de baba ou de outros fluídos. Ora!
No caso do Presidente, se a fita foi editada ou burlada é o que menos interessa! O importante é que a calcinha estava enrolada e jogada no piso ao lado de meia garrafa de vinho italiano...

2. No mesmo telefonema ele me lembrou: Bazzo, vivi em Brasília desde sua fundação. Assisti ao teatro infame dos milicos, ao teatro melancólico do avô do Aécio, ao teatro charlatanesco do Sarney, ao teatro fugaz do Itamar, ao teatro  delirante do Collor, ao teatro intelectualóide do Fernando Henrique, ao teatro proletário do Lula, ao teatro de empoderamento da Dilma... Ouvi a mentirada da direita, depois a mentirada dos ambidestros, depois a mentirada da esquerda, a mentirada dos religiosos, depois a mentirada dos agnósticos, a mentirada dos ingênuos, depois a mentirada das raposas do cerrado... 
Durante todos esses anos, após a festança de posse de cada um daqueles impostores assisti a vinda de legiões de correligionários/mercenários para o Planalto, vindos do sul, do norte, do nordeste e do leste... e acompanhei o loteamento de todas as instituições... de analfabetos a doutores, de peões a novos-ricos, de malucos a quase dementes... o despreparo e a improvização era a regra. E o mais interessante eram sempre as missas no final das tardes rezadas por padres vindos sempre da região do novo Senhor e a ascensão vertiginosa das amantes...  Tudo abençoado pelos representantes de deus. Agua benta pra cá e pra lá nos gabinetes e nas alcovas. Bouquet e cestos de flores sobre os balcões. Da gerência de um bordel provinciano à presidência de alguma instituição republicana. Era o milagre! Os saltos altos. A soberba e o perfume das ex-cortesãs! A beleza de uma mulher da vida citando Hobsbawm ou até mesmo Lênin... Os memorandos promovendo parentes e cupinchas! E o desmonte sistemático do circo anterior para a edificação da nova pantomima...  Do nada para o nada! E paralelamente a toda essa perversão, a sacralização e a canonização de energumenos e a mediocrização de tudo. Ora a filosofia dos burgos, ora a filosofia da miséria...  E a mídia - que vive desse circo -  fingia fazer longas e eruditas reportagens. Ia aos jardins das mansões, acompanhava as madames em palestras pela indochina, abraçando criancinhas na APAE, lançando programas educativos, distribuindo remédios, camisinhas, bíblias... fotografava suas coleções de sapatos, diziam que elas estavam lendo a Divina Comédia de Dante, que haviam tomado um café e que estavam flertando com o Pitangui... que seus hormônios estavam nos limites da sanidade... e até que eram sexualmente ativas. O país ia de vento em popa... para o buraco. (Fez uma breve interrupção e continuou): Depois das festas de final de semana nas mansões quase monárquicas dos novos governantes, os mendigos, e eu próprio - faziamos fila nas lixeiras,  que ficavam no outro lado da rua, pois lá poderiamos encontrar desde garrafas de champanhe e de vodka pela metade, até quilos de costelas, de filé mignon ou latinhas de caviar que nem sequer haviam sido abertas...
Não sei por quê estão agora dando tanta importância a apoteose do teatro do presidente atual... Virá outro. As pilastras principais do circo sempre permanecem. Os trapezistas de ontem voltarão às cordas. Uns já quase dementes, mas voltarão, acompanhados sempre do vigário e das gerentes dos bordéis locais e trarão seus filhos e netos. Todos engravatados, falando inglês e francês e jurando que a pátria, depois da família, é tudo. Sim, a família nuclear e mafiosa é tudo para essa gente. Fingem não saber que tanto a família como a república, nos moldes atuais, são chocadeiras de cretinos e de bufões! O poder e a impostura causa dependência como a cocaína... E o prognóstico não é favorável a ninguém. Desligou.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

A Idade Média é aqui - Acredite se puder...

Com o demônio não se brinca

Grupo católico Os Arautos do Evangelho está na mira do Vaticano por práticas indevidas de exorcismo

access_time 24 jun 2017, 18h27 
Arautos do Evangelho
Integrantes dos Arautos do Evangelho, fundada por João Scognamiglio Clá Dias, grupo dissidente da TFP, assistindo missa de coroação de Nossa Senhora na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em São Paulo (Paulo Pinto/Estadão Conteúdo/Dedoc)
Uma notícia do mundo católico revelada nos últimos dias pela imprensa italiana assombrou crentes e não crentes. Os Arautos do Evangelho, um tradicional grupo católico e de origem brasileira, está sendo investigado pelo Vaticano. O motivo da sindicância: uma gravação em vídeo divulgada em reportagem do vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa que exibe os integrantes praticando exorcismos fora das fórmulas da Igreja. Com uma hora e 19 minutos de duração, o registro exibe o fundador da organização, o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, reunido com cerca de 60 integrantes para apresentar uma transcrição do que seria um diálogo entre um sacerdote da própria associação e o demônio.
O ponto máximo é quando o papa Francisco se torna o assunto. O pontífice, que segundo os preceitos do catolicismo, tem de ser respeitado como a maior autoridade da Igreja, se transforma em alvo de chacota no tal diálogo. “E o Vaticano?”, pergunta o sacerdote do diálogo. Resposta: “Estou na cabeça. Ele é meu. Eu mexo na cabeça. Ele faz tudo o que quero. Ele é um estúpido. Ele me serve .” Pergunta o sacerdote: “Como será a morte dele?” Diz o demônio: “Ele vai escorregar e vai cair. Vai bater a cabeça. Mas ainda falta um pouco. Vai ser no Vaticano. E virá outro papa, Rodé (o nome citado é do cardeal esloveno Franc Rodé, de 82 anos, um dos críticos do pontificado de Francisco). E será bom.”
O exorcismo é aceito e praticado no catolicismo. Jesus Cristo, como diz as Escrituras, exorcizou e passou a incumbência aos doze apóstolos. Hoje, há cerca de 300 sacerdotes que o fazem no mundo, 10% deles no Brasil. Todos devem ter sido nomeados pelo bispo local. Na diocese da qual pertence Clá não há ninguém autorizado. Diz Juarez de Castro, pároco da Assunção de Nossa Senhora, em São Paulo: “O que se vê nesse vídeo é uma verdadeira alucinação, Clá ultrapassou os limites do que prega a fé católica.”
A tradição litúrgica admite a existência do diabo e a ele se deve renunciar. Mas, como explica o livro recém-publicado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (Cnbb), Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais: “A Igreja reprova as várias formas de superstição, a preocupação excessiva com satanás e os demônios. A Igreja sempre preferiu priorizar em sua pregação a Boa-Nova do Evangelho. Ela não coloca em destaque a fala sobre o maligno e sua ação contrária ao reinado de Deus.”
Os Arautos do Evangelho são uma dissidência da TFP. Ao longo de 30 anos, Clá participou da TFP e chegou a ser uma espécie de secretário particular, o homem de confiança de Plinio. Quatro anos depois da morte do Plínio ele criou os Arautos. Hoje a organização está presente em cerca de 50 países.
Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA no iOSAndroid ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no Go Read.

Brasília, inverno, ontem, 18:00 horas.


"Misérable! et je vis? et je soutiens la vue?/De ce sacré Soleil dont je suis descendue?/ Ou me cacher? Fuyons dans la nuit infernale..."
Racine, Phèdre, IV, 6.

















sábado, 24 de junho de 2017

Para os arquivos das Universidades, da CAPES e do CNPQ...

Assassinos da SS com doutorado

A imagem que se tem popularmente de um oficial da SS é a de um indivíduo cruel, chegando ao sadismo, corrupto, cínico, arrogante, oportunista e não muito culto. Alguém que inspira (além de medo) uma repugnância instantânea e uma tranquilizadora sensação de que é uma criatura muito diferente, um verdadeiro monstro. O historiador francês especializado em nazismo Christian Ingrao(Clermont-Ferrand, 1970) oferece-nos um perfil muito diverso, e inquietante. A ponto de identificar uma alta porcentagem dos comandantes da SS e de seu serviço de segurança, o temido SD, como verdadeiros “intelectuais comprometidos”.
O termo, que escandalizou o mundo intelectual francês, é arrepiante quando se pensa que esses eram os homens que lideravam as unidades de extermínio. Em seu livro Crer e Destruir: Os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista, Ingrao analisa minuciosamente a trajetória e as experiências de oitenta desses indivíduos que eram acadêmicos – juristas, economistas, filólogos, filósofos e historiadores – e ao mesmo tempo criminosos –, derrubando o senso comum de que quanto maior o grau de instrução mais uma pessoa estará imune a ideologias extremistas.

Há um forte contraste entre esses personagens e o clichê do oficial da SS: assassinos em massa fardados e com um doutorado no bolso, como descreve o próprio autor. O que fizeram os “intelectuais comprometidos”, teóricos e homens de ação, da SS foi terrível. Ingrao cita o caso do jurista e oficial do SD Bruno Müller, à frente de uma das seções do Einsatzgruppe D, uma das unidades móveis de assassinato no Leste, que na noite de 6 de agosto de 1941 ao transmitir a seus homens a nova ordem de exterminar todos os judeus da cidade de Tighina, na Ucrânia, mandou trazer uma mulher e seu bebê e os matou ele mesmo com sua arma para dar o exemplo de qual seria a tarefa.
“É curioso que Müller e outros como ele, com alto grau de instrução, pudessem se envolver assim na prática genocida”, diz Ingrao. “Mas o nazismo é um sistema de crenças que gera muito fervor, que cristaliza esperanças e que funciona como uma droga cultural na psique dos intelectuais.”
O historiador ressalta que o fato é menos excepcional do que parece. “Na verdade, se examinarmos os massacres da história recente, veremos que há intelectuais envolvidos. Em Ruanda, por exemplo, os teóricos da supremacia hutu, os ideólogos do Hutu Power, eram dez geógrafos da Universidade de Louvain (Bélgica). Quase sempre há intelectuais por trás dos assassinatos em massa”. Mas, não se espera isso dos intelectuais alemães. Ingrao ri amargamente. “De fato eram os grandes representantes da intelectualidade europeia, mas a geração de intelectuais de que tratamos experimentou em sua juventude a radicalização política para a extrema direita com forte ênfase no imaginário biológico e racial que se produziu maciçamente nas universidades alemãs depois da Primeira Guerra Mundial. E aderiram de maneira generalizada ao nazismo a partir de 1925”. A SS, explica, diferentemente das ruidosas SA, oferecia aos intelectuais um destino muito mais elitista.
Mas o nazismo não lhes inspirava repugnância moral? “Infelizmente, a moral é uma construção social e política para esses intelectuais. Já haviam sido marcados pela Primeira Guerra Mundial: embora a maioria fosse muito jovem para o front, o luto pela morte generalizada de familiares e a sensação de que se travava um combate defensivo pela sobrevivência da Alemanha, da civilização contra a barbárie, arraigaram-se neles. A invasão da União Soviética em 1941 significou o retorno a uma guerra total ainda mais radicalizada pelo determinismo racial. O que até então havia sido uma guerra de vingança a partir de 1941 se transformou em uma grande guerra racial, e uma cruzada. Era o embate decisivo contra um inimigo eterno que tinha duas faces: a do judeu bolchevique e a do judeu plutocrata da Bolsa de Londres e Wall Street. Para os intelectuais da SS, não havia diferença entre a população civil judia que exterminavam à frente dos Einsatzgruppen e os tripulantes dos bombardeiros que lançavam suas bombas sobre a Alemanha. Em sua lógica, parar os bombardeiros implicava em matar os judeus da Ucrânia. Se não o fizessem, seria o fim da Alemanha. Esse imperativo construiu a legitimidade do genocídio. Era ou eles ou nós”.
Assim se explicam casos como o de Müller. “Antes de matar a mulher e a criança falou a seus homens do perigo mortal que a Alemanha enfrentava. Era um teórico da germanização que trabalhava para criar uma nova sociedade, o assassinato era uma de suas responsabilidades para criar a utopia. Curiosamente era preciso matar os judeus para realizar os sonhos nazistas”.
Ingrao diz que os intelectuais da SS não eram oportunistas, mas pessoas ideologicamente muito comprometidas, ativistas com uma visão de mundo que aliava entusiasmo, angústia e pânico e que, paradoxalmente, abominavam a crueldade. “A SS era um assunto de militantes. Pessoas muito convictas do que diziam e faziam, e muito preparadas”. O que é ainda mais preocupante. “É claro. É preciso aceitar a ideia de que o nazismo era atraente e que atraiu como moscas as elites intelectuais do país”.

A base de 'As benevolentes'



Ingrao e Littell. Qualquer pessoa que ler Crer e Destruir perceberá os paralelismos com o romance de Jonathan Littell As Benevolentes (2006). Ingrao a descreve como “uma réplica temática em ficção” de seu trabalho, e recorda que este, que foi sua tese, circulou amplamemente antes da publicação de As Benevolentes.
Max verossímil? Max Aue, o protagonista de As Benevolentes guarda muitas semelhanças com os intelectuais do SD de Ingrao. “Exceto na homossexualidade e no incesto. Mas, claro, é uma personagem de novela”. Não é demasiado refinado e esteticista para um SS? “Bem, Heydrich lia muito e tocava violino. E não se esqueça de que Eichmann lia Kant”, responde.
Também outro nazista tomado por Littell, Leon Degrelle (em seu ensaio O Seco e o Úmido) apresenta paralelos com o que foi estudado por Ingrao em seu livro Les Chasseurs Noirs: Oskar Dirlewanger. O primeiro era favorito de Hitler e o segundo, de Himmler. (Jornal El Pais, de hoje)


A aparência... através dos séculos...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa...



"Tudo o que se torna consciente, se torna insípido, estúpido, generalização, marca do rebanho..."
F. Nietzsche


Onde costumo passear todas as manhãs com meu cachorro também há, ao lado da calçada e às vezes até na calçada mesmo, inúmeros montículos que, apesar da aparência também não devem oferecer risco para a saúde...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Uma viagem pelo mundo fascinante das fobias... Você sabe o que é estruminofobia?



http://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/rollemberg-decide-regulamentar-lei-que-pune-homofobia/

Que o governador, os evangélicos e os homossexuais insistam nessa idiotice de querer  coibir ou punir a homofobia através de passeatas, de orações, leis, cadeia ou coisa parecida ainda é compreensível, mas que os profissionais da saúde mental que normalmente têm (ou que deveriam ter) sobre sua mesa o CID 10 (Código Internacional de Doenças) e o DSM-IV (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) fiquem em silêncio durante tanto tempo diante desse equívoco terminológico e dessa ignorância, é uma vergonha.  Explico:
Fobias são transtornos psíquicos, psiquiátricos ou psicológicos. Tentar tratá-las com leis ou com chicote é uma empreitada pra lá de exótica. Um charlatanismo e um surrealismo caipira e quase pueril, não muito diferente daquele projeto da Cura Gay proposto pelos  delirantes evangélicos... Que tal, ao invés da lei, disponibilizar para os fóbicos uma psicoterapia ou umas gotinhas de clonazepan?.

"A caracteristica essencial da fobia é o medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente discerníveis e circunscritos. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, imediata resposta de ansiedade. Esta ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico, ligado ou predisposto pela situação...."
ver p. 431 DSM-IV-TR, quarta edição.

Para aqueles que não dispõem em suas casas do dicionário de fobias, reproduzo abaixo a lista que está disponível no Google
Atenção:  a chamada homofobia é de mesmíssima estrutura e natureza de todas as fobias aqui listadas. 
Que tal, ilustre governador, criarmos uma guarda pretoriana para caçar fóbicos por aí? Ou então tentarmos regulamentar uma lei que puna a BIOFOBIA no DF? Ou a BACILOFOBIA? Ou a AUTOFOBIA?
Ou a ESTRUMINOFOBIA?
Poderia garantir-nos o Nobel de charlatanismo...

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

  • Japanofobia — aversão e medo mórbido irracional, desproporcional e persistente de japoneses e/ou de sua cultura.

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

  • Unatractifobia — medo de pessoas feias;
  • Uranusfobia — medo do planeta Urano;
  • Uranofobia — medo do céu;
  • Urifobia — aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante a fenômenos paranormais;
  • Urofobia — medo de urina ou do ato de urinar;
  • Uiofobia — medo dos próprios filhos; medo da prole.

V

X

  • Xantofobia — medo da cor amarela / medo de objetos de cor amarela;
  • Xenofobia — medo de estrangeiros e/ou estranhos;
  • Xerofobia — medo de secura, aridez;
  • Xilofobia — medo de objetos de madeira ou de floresta.

Z