"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 6 de maio de 2017

Mendigos: párias ou heróis da cultura?..



Os comerciantes mandam matá-los para que não fiquem ali nas escadas de seus negócios. Os adolescentes os queimam vivos nas paradas de ônibus e os governantes os enfiam em trens, caminhões ou em carroças e os despacham de volta para seus lugarejos de origens de onde também já foram banidos. Os padres os excomungam quando os surpreendem cagando nos fundos das catedrais, e a policia e os seguranças dos prédios os acossam dia e noite... Se precisam de uma hospitalização são tratados como porcos e com horror. São vistos nos semáforos aos pedaços, como bufões decadentes, trêmulos de embriagues e de fome. Depois desaparecem e são encontrados mortos nos terrenos baldios: o crânio amassado por uma pedra ou por um cabo de machado. A sociedade perdulária e extravagante os detesta mesmo mortos e os expurga implacavelmente até mesmo de sua memória, mas eles, "milagrosamente", resistem. Não se rendem. Apesar de todas as canalhices, estão por todos os lados. Seguem dizendo NÃO ao trabalho e NÃO à sujeira política. NÃO a corrida idiota do cotidiano em direção ao nada e cospem sobre as propostas estatais ou clericais de "readaptá-los" ou de "normatizá-los". (Contracapa, LGE Editora, 2009).

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