segunda-feira, 26 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

A Idade Média é aqui - Acredite se puder...

Com o demônio não se brinca

Grupo católico Os Arautos do Evangelho está na mira do Vaticano por práticas indevidas de exorcismo

access_time 24 jun 2017, 18h27 
Arautos do Evangelho
Integrantes dos Arautos do Evangelho, fundada por João Scognamiglio Clá Dias, grupo dissidente da TFP, assistindo missa de coroação de Nossa Senhora na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em São Paulo (Paulo Pinto/Estadão Conteúdo/Dedoc)
Uma notícia do mundo católico revelada nos últimos dias pela imprensa italiana assombrou crentes e não crentes. Os Arautos do Evangelho, um tradicional grupo católico e de origem brasileira, está sendo investigado pelo Vaticano. O motivo da sindicância: uma gravação em vídeo divulgada em reportagem do vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa que exibe os integrantes praticando exorcismos fora das fórmulas da Igreja. Com uma hora e 19 minutos de duração, o registro exibe o fundador da organização, o monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, reunido com cerca de 60 integrantes para apresentar uma transcrição do que seria um diálogo entre um sacerdote da própria associação e o demônio.
O ponto máximo é quando o papa Francisco se torna o assunto. O pontífice, que segundo os preceitos do catolicismo, tem de ser respeitado como a maior autoridade da Igreja, se transforma em alvo de chacota no tal diálogo. “E o Vaticano?”, pergunta o sacerdote do diálogo. Resposta: “Estou na cabeça. Ele é meu. Eu mexo na cabeça. Ele faz tudo o que quero. Ele é um estúpido. Ele me serve .” Pergunta o sacerdote: “Como será a morte dele?” Diz o demônio: “Ele vai escorregar e vai cair. Vai bater a cabeça. Mas ainda falta um pouco. Vai ser no Vaticano. E virá outro papa, Rodé (o nome citado é do cardeal esloveno Franc Rodé, de 82 anos, um dos críticos do pontificado de Francisco). E será bom.”
O exorcismo é aceito e praticado no catolicismo. Jesus Cristo, como diz as Escrituras, exorcizou e passou a incumbência aos doze apóstolos. Hoje, há cerca de 300 sacerdotes que o fazem no mundo, 10% deles no Brasil. Todos devem ter sido nomeados pelo bispo local. Na diocese da qual pertence Clá não há ninguém autorizado. Diz Juarez de Castro, pároco da Assunção de Nossa Senhora, em São Paulo: “O que se vê nesse vídeo é uma verdadeira alucinação, Clá ultrapassou os limites do que prega a fé católica.”
A tradição litúrgica admite a existência do diabo e a ele se deve renunciar. Mas, como explica o livro recém-publicado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (Cnbb), Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais: “A Igreja reprova as várias formas de superstição, a preocupação excessiva com satanás e os demônios. A Igreja sempre preferiu priorizar em sua pregação a Boa-Nova do Evangelho. Ela não coloca em destaque a fala sobre o maligno e sua ação contrária ao reinado de Deus.”
Os Arautos do Evangelho são uma dissidência da TFP. Ao longo de 30 anos, Clá participou da TFP e chegou a ser uma espécie de secretário particular, o homem de confiança de Plinio. Quatro anos depois da morte do Plínio ele criou os Arautos. Hoje a organização está presente em cerca de 50 países.
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Brasília, inverno, ontem, 18:00 horas.


"Misérable! et je vis? et je soutiens la vue?/De ce sacré Soleil dont je suis descendue?/ Ou me cacher? Fuyons dans la nuit infernale..."
Racine, Phèdre, IV, 6.

















sábado, 24 de junho de 2017

Para os arquivos das Universidades, da CAPES e do CNPQ...

Assassinos da SS com doutorado

A imagem que se tem popularmente de um oficial da SS é a de um indivíduo cruel, chegando ao sadismo, corrupto, cínico, arrogante, oportunista e não muito culto. Alguém que inspira (além de medo) uma repugnância instantânea e uma tranquilizadora sensação de que é uma criatura muito diferente, um verdadeiro monstro. O historiador francês especializado em nazismo Christian Ingrao(Clermont-Ferrand, 1970) oferece-nos um perfil muito diverso, e inquietante. A ponto de identificar uma alta porcentagem dos comandantes da SS e de seu serviço de segurança, o temido SD, como verdadeiros “intelectuais comprometidos”.
O termo, que escandalizou o mundo intelectual francês, é arrepiante quando se pensa que esses eram os homens que lideravam as unidades de extermínio. Em seu livro Crer e Destruir: Os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista, Ingrao analisa minuciosamente a trajetória e as experiências de oitenta desses indivíduos que eram acadêmicos – juristas, economistas, filólogos, filósofos e historiadores – e ao mesmo tempo criminosos –, derrubando o senso comum de que quanto maior o grau de instrução mais uma pessoa estará imune a ideologias extremistas.

Há um forte contraste entre esses personagens e o clichê do oficial da SS: assassinos em massa fardados e com um doutorado no bolso, como descreve o próprio autor. O que fizeram os “intelectuais comprometidos”, teóricos e homens de ação, da SS foi terrível. Ingrao cita o caso do jurista e oficial do SD Bruno Müller, à frente de uma das seções do Einsatzgruppe D, uma das unidades móveis de assassinato no Leste, que na noite de 6 de agosto de 1941 ao transmitir a seus homens a nova ordem de exterminar todos os judeus da cidade de Tighina, na Ucrânia, mandou trazer uma mulher e seu bebê e os matou ele mesmo com sua arma para dar o exemplo de qual seria a tarefa.
“É curioso que Müller e outros como ele, com alto grau de instrução, pudessem se envolver assim na prática genocida”, diz Ingrao. “Mas o nazismo é um sistema de crenças que gera muito fervor, que cristaliza esperanças e que funciona como uma droga cultural na psique dos intelectuais.”
O historiador ressalta que o fato é menos excepcional do que parece. “Na verdade, se examinarmos os massacres da história recente, veremos que há intelectuais envolvidos. Em Ruanda, por exemplo, os teóricos da supremacia hutu, os ideólogos do Hutu Power, eram dez geógrafos da Universidade de Louvain (Bélgica). Quase sempre há intelectuais por trás dos assassinatos em massa”. Mas, não se espera isso dos intelectuais alemães. Ingrao ri amargamente. “De fato eram os grandes representantes da intelectualidade europeia, mas a geração de intelectuais de que tratamos experimentou em sua juventude a radicalização política para a extrema direita com forte ênfase no imaginário biológico e racial que se produziu maciçamente nas universidades alemãs depois da Primeira Guerra Mundial. E aderiram de maneira generalizada ao nazismo a partir de 1925”. A SS, explica, diferentemente das ruidosas SA, oferecia aos intelectuais um destino muito mais elitista.
Mas o nazismo não lhes inspirava repugnância moral? “Infelizmente, a moral é uma construção social e política para esses intelectuais. Já haviam sido marcados pela Primeira Guerra Mundial: embora a maioria fosse muito jovem para o front, o luto pela morte generalizada de familiares e a sensação de que se travava um combate defensivo pela sobrevivência da Alemanha, da civilização contra a barbárie, arraigaram-se neles. A invasão da União Soviética em 1941 significou o retorno a uma guerra total ainda mais radicalizada pelo determinismo racial. O que até então havia sido uma guerra de vingança a partir de 1941 se transformou em uma grande guerra racial, e uma cruzada. Era o embate decisivo contra um inimigo eterno que tinha duas faces: a do judeu bolchevique e a do judeu plutocrata da Bolsa de Londres e Wall Street. Para os intelectuais da SS, não havia diferença entre a população civil judia que exterminavam à frente dos Einsatzgruppen e os tripulantes dos bombardeiros que lançavam suas bombas sobre a Alemanha. Em sua lógica, parar os bombardeiros implicava em matar os judeus da Ucrânia. Se não o fizessem, seria o fim da Alemanha. Esse imperativo construiu a legitimidade do genocídio. Era ou eles ou nós”.
Assim se explicam casos como o de Müller. “Antes de matar a mulher e a criança falou a seus homens do perigo mortal que a Alemanha enfrentava. Era um teórico da germanização que trabalhava para criar uma nova sociedade, o assassinato era uma de suas responsabilidades para criar a utopia. Curiosamente era preciso matar os judeus para realizar os sonhos nazistas”.
Ingrao diz que os intelectuais da SS não eram oportunistas, mas pessoas ideologicamente muito comprometidas, ativistas com uma visão de mundo que aliava entusiasmo, angústia e pânico e que, paradoxalmente, abominavam a crueldade. “A SS era um assunto de militantes. Pessoas muito convictas do que diziam e faziam, e muito preparadas”. O que é ainda mais preocupante. “É claro. É preciso aceitar a ideia de que o nazismo era atraente e que atraiu como moscas as elites intelectuais do país”.

A base de 'As benevolentes'



Ingrao e Littell. Qualquer pessoa que ler Crer e Destruir perceberá os paralelismos com o romance de Jonathan Littell As Benevolentes (2006). Ingrao a descreve como “uma réplica temática em ficção” de seu trabalho, e recorda que este, que foi sua tese, circulou amplamemente antes da publicação de As Benevolentes.
Max verossímil? Max Aue, o protagonista de As Benevolentes guarda muitas semelhanças com os intelectuais do SD de Ingrao. “Exceto na homossexualidade e no incesto. Mas, claro, é uma personagem de novela”. Não é demasiado refinado e esteticista para um SS? “Bem, Heydrich lia muito e tocava violino. E não se esqueça de que Eichmann lia Kant”, responde.
Também outro nazista tomado por Littell, Leon Degrelle (em seu ensaio O Seco e o Úmido) apresenta paralelos com o que foi estudado por Ingrao em seu livro Les Chasseurs Noirs: Oskar Dirlewanger. O primeiro era favorito de Hitler e o segundo, de Himmler. (Jornal El Pais, de hoje)


A aparência... através dos séculos...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa...



"Tudo o que se torna consciente, se torna insípido, estúpido, generalização, marca do rebanho..."
F. Nietzsche


Onde costumo passear todas as manhãs com meu cachorro também há, ao lado da calçada e às vezes até na calçada mesmo, inúmeros montículos que, apesar da aparência também não devem oferecer risco para a saúde...

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Uma viagem pelo mundo fascinante das fobias... Você sabe o que é estruminofobia?



http://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/rollemberg-decide-regulamentar-lei-que-pune-homofobia/

Que o governador, os evangélicos e os homossexuais insistam nessa idiotice de querer  coibir ou punir a homofobia através de passeatas, de orações, leis, cadeia ou coisa parecida ainda é compreensível, mas que os profissionais da saúde mental que normalmente têm (ou que deveriam ter) sobre sua mesa o CID 10 (Código Internacional de Doenças) e o DSM-IV (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) fiquem em silêncio durante tanto tempo diante desse equívoco terminológico e dessa ignorância, é uma vergonha.  Explico:
Fobias são transtornos psíquicos, psiquiátricos ou psicológicos. Tentar tratá-las com leis ou com chicote é uma empreitada pra lá de exótica. Um charlatanismo e um surrealismo caipira e quase pueril, não muito diferente daquele projeto da Cura Gay proposto pelos  delirantes evangélicos... Que tal, ao invés da lei, disponibilizar para os fóbicos uma psicoterapia ou umas gotinhas de clonazepan?.

"A caracteristica essencial da fobia é o medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente discerníveis e circunscritos. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, imediata resposta de ansiedade. Esta ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico, ligado ou predisposto pela situação...."
ver p. 431 DSM-IV-TR, quarta edição.

Para aqueles que não dispõem em suas casas do dicionário de fobias, reproduzo abaixo a lista que está disponível no Google
Atenção:  a chamada homofobia é de mesmíssima estrutura e natureza de todas as fobias aqui listadas. 
Que tal, ilustre governador, criarmos uma guarda pretoriana para caçar fóbicos por aí? Ou então tentarmos regulamentar uma lei que puna a BIOFOBIA no DF? Ou a BACILOFOBIA? Ou a AUTOFOBIA?
Ou a ESTRUMINOFOBIA?
Poderia garantir-nos o Nobel de charlatanismo...

A

B

C

D

E

F

G

H

I

J

  • Japanofobia — aversão e medo mórbido irracional, desproporcional e persistente de japoneses e/ou de sua cultura.

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

  • Unatractifobia — medo de pessoas feias;
  • Uranusfobia — medo do planeta Urano;
  • Uranofobia — medo do céu;
  • Urifobia — aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante a fenômenos paranormais;
  • Urofobia — medo de urina ou do ato de urinar;
  • Uiofobia — medo dos próprios filhos; medo da prole.

V

X

  • Xantofobia — medo da cor amarela / medo de objetos de cor amarela;
  • Xenofobia — medo de estrangeiros e/ou estranhos;
  • Xerofobia — medo de secura, aridez;
  • Xilofobia — medo de objetos de madeira ou de floresta.

Z