"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Memória musical...

O clitóris e a insurreição feminina...


"A apresentadora do Esporte Espetacular Fernanda Gentil assumiu, nesta sexta-feira, 30, o namoro com a jornalista Priscila Montandon. A informação é do blog Gente Boa, do jornal O Globo.

De acordo com a publicação, Fernanda e Priscila estão juntas há três meses e recentemente fizeram uma viagem para a Grécia.

Em declaração, a apresentadora disse estar ''exercendo meu direito de ser muito, muito feliz''.

Sem dar detalhes sobre o relacionamento, ela mandou um recado para os filhos: ''Tenho apenas um recado, e é para os meus filhos, que mais cedo ou mais tarde podem ler ou ouvir tudo por aí: lembrem de não se importarem com tudo o que dizem sobre a nossa vida. O que vale é que a mamãe fala com vocês em casa, olhando nos seus olhos".

Em abril, o casamento de Fernanda Gentil com o empresário Matheus Braga chegou ao fim". (Jornal O Estado de Minas de hoje)





Um clitóris em 3D



O mendigo K. disfarçado de gari...

Acabo de presenciar o mendigo K. disfarçado de gari abordando os clientes de um restaurante, todos já instalados em suas mesas, o guardanapo enfiado na gola da camisa e dando as primeiras garfadas. 
- Uma ajuda por favor! 
No momento em que o vi estava falando com uma senhora japonesa que, com toda a "calma" nipônica, depositou os talheres sobre o prato para ouvi-lo e ofertar-lhe uma moeda de vinte e cinco centavos. Em seguida, presenteou-lhe também com uma espécie de santinho, patuá ou de escapulário da Seicho No- Ie. Ele embolsou os 25 centavos e pegou o presente com a ponta de dois dedos, quase com nojo (como quem pega uma borboleta pelas asas), levou-o para perto dos olhos, rio com um descarado cinismo e lançou-lhe, sem gratidão e sem piedade, esta frase: "A vida finda ali onde inicia o Reino de Deus!"
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Em tempo:  A senhora japonesa olhou-o de cima a baixo, depois fixou seus olhos amendoados nos dele e, com toda a "cólera" nipônica retrucou: Tudo bem.., mas "para conservar-se jovem é preciso que a alma não descanse, que a alma não solicite a paz..."

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

SOMOS TODOS OPERÁRIOS! Ou: mais uma... querendo voluntariamente fazer parte da Colônia Penitenciária...


"Un citoyen qui donne son travail pour de l’argent se dégrade au rang des esclaves".  Paul Lafargue (Ou, como diria Arthur Schopenhauer: "O domingo representa o aborrecimento e os seis dias da semana, a miséria...")




quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O mendigo K. e o sabbat...

Nesta quarta-feira de sol e de primavera encontrei o mendigo K. tomando um ônibus para ir a uma chácara aí pela periferia, onde vivem dezenas ou até centenas de místicos e esotéricos. Como ontem à noite houve um incêndio próximo daqui, levava numa garrafa transparente quatro punhados de cinzas daquele sinistro. Parecia meio alterado, como se tivesse fumado um baseado ou dado umas fungadas em cocaína. Todo mundo sabe que nessa chácara vivem horoscopistas de todas as idades e de ambos os sexos, ioguis, macrobióticos, hare-krisnas, cardecistas, discípulos de Cristo, de Rajnesh, de Madame Blawatsky de Chico Xavier, de Gurdief, do Reverendo Moon, do Padre Cícero, de Madre Teresa de Calcutá, de Jung, de Cagliostro, de São Cipriano, de Lacan, de São Francisco de Assis, do Mestre Eckhart, do Santo Daime, de Lutero, de Paganini e outros que ele dizia não se lembrar naquele momento. Levava apenas uma mochila com a tal garrafa dentro, alguns legumes, uma partitura de Le streghe e um cachimbo. O ônibus estacionou no box número 19 e antes que eu lhe perguntasse algum detalhe do Sabbat, jogou a mochila para dentro dele por uma janela e me recitou um texto de Nietzsche que está na página 184 de A Gaia Ciência: Olhe aqui, seu babaca - me disse -: O segredo para colher uma existência mais fecunda e uma maior fruição da vida é viver perigosamente! Construí vossas cidades perto do Vesúvio! Enviai vossas naus aos mares inexplorados! Vivei em guerras com vossos semelhantes e convosco mesmos! Sede saqueadores e conquistadores, enquanto não puderdes ser dominadores e proprietarios, vós que procurais o conhecimento! Logo passará o tempo em que vos satisfareis em viver escondidos nas florestas como veados apavorados!” O motorista acionou o motor e partiu...



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Em Cartagena (a cidade mais fascinante da América latina), as Farc e o governo colombiano "fazem as pazes"...






A encenação e o teatro entre Trump e Hillary...

"... A extravagância ostensiva dos milionários do fim da Era Vitoriana - exemplificada pelo famoso jantar da Sra. Stuyvesant Fish em homenagem a seu cachorro, que chegou usando uma coleira de 15.000 dólares, cravejada de diamantes..."
(página 37 do livro de Francis Wheen: Como a picaretagem conquistou o mundo).

Quem assistiu ao debate de ontem entre a Hillary e o Trump se já não havia perdido as esperanças na espécie, no ser humano, na política e na raça, as perdeu naqueles setenta ou oitenta minutos. Qualquer pessoa que consiga entender uma frase e enxergar meio palmo além das palavras, das trambicagens e das aparências já decretou para si mesmo que somos uma espécie falida, um projeto improvisado que não deu certo. Que houve um erro na Criação ou na Origem. Que estamos condenados (com armas nucleares ou com bordunas, com ábaco ou com internet) a seguir através dos séculos fazendo apenas a manutenção do supérfluo, do banal, do pueril, da malignidade e da mediocridade. Em outras palavras: que o livre arbítrio do qual os pastores, os padres, os macumbeiros, os crentes e outros bobalhões gostam de falar se resume apenas à "liberdade" de escolher entre uma pasta Colgate ou Kolynos, entre um republicano e uma democrata, entre uma "socialista" e um "liberal", entre uma dona de casa e um porco chauvinista. Entre um molho à Marinara e um a Pomodoro.  Bah! Que miséria!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A última refeição de Sacco e Vanzetti e de outros condenados à morte nos EEUU...


Sacco e Vanzetti

As últimas refeições de 12 detentos do corredor da morte

Confira as últimas refeições de 12 detentos do corredor da morte, recebidas antes do cumprimento da sentença. Nos 31 estados americanos que empregam o uso da pena de morte, os prisioneiros estão autorizados a solicitar uma refeição especial antes de morrerem. Não há fotografias publicadas dessas refeições. Então, Henry Hargreaves, um fotógrafo de alimentos de Christchurch, Nova Zelândia, decidiu recriar os pedidos para dar vida a essa prática. Ele disse ao Business Insider: “Depois de uma árdua pesquisa, encontrei um registro público das refeições finais. Pela primeira vez, essas pessoas foram humanizadas. Penso que esse trabalho é muito poderoso, que através dos alimentos, fui capaz de compreender essas pessoas como seres humanos.”
“Não se sabe se as refeições são servidas em pratos de plástico, porcelana, se eles comem com o prato no colo ou numa mesa de madeira, por isso tentei explorar todas essas variações.”
Matilda Long


Victor Fegeur
Victor Fegeur foi morto por injeção letal em 1963 por sequestro e homicídio. Ele tinha 28 anos. Sua última refeição foi uma azeitona com caroço. (Henry Hargreaves)


John Wayne Gacy
John Wayne Gacy cometeu estupro e foi culpado de 33 assassinatos. Sua última refeição consistiu em 12 camarões fritos, um frango KFC, batatas fritas e meio quilo de morangos. Ele recebeu a injeção letal em 1994, quando tinha 52 anos. (Henry Hargreaves)


Timothy McVeigh
Timothy McVeigh, de 33 anos, matou 168 pessoas em um ataque terrorista. Antes da injeção letal ser administrada em 2001 ele solicitou duas taças de sorvete de chocolate com menta. (Henry Hargreaves)


Ricky Ray Rector
O assassino Ricky Ray Rector comeu bife, frango frito e suco de morango em sua última refeição (1992). Ele também pediu uma torta de nozes, mas não a comeu, dizendo que ia “guardar para mais tarde”. Ele tinha 42 anos quando foi morto. (Henry Hargreaves)


Stephen Anderson
Stephen Anderson foi condenado à morte aos 49 anos após cometer roubo, agressão, fuga da prisão e assassinato. Sua última refeição foi servida em 2002: um copo de queijo cottage, milho, rabanetes, torta de pêssego e sorvete de chocolate. (Henry Hargreaves)


Ted Bundy
Ted Bundy foi morto em 1989, aos 43 anos, em uma cadeira elétrica na Flórida, após cometer estupro, fugir da prisão e responder por 35 acusações de assassinato. Ele se recusou a fazer um pedido, então recebeu uma última refeição “tradicional”, com bife, ovos, batatas fritas, torradas com manteiga e geleia, leite e suco. (Henry Hargreaves)


Angel Nieves Diaz
Depois de cometer assassinato, sequestro e assalto à mão armada, Angel Nieves Diaz foi condenado à morte por injeção letal, aos 55 anos em 2006. Diaz recusou sua última refeição. (Henry Hargreaves)


Ronnie Lee Gardner
Ronnie Lee Gardner comeu uma lagosta em calda, um bife, uma torta de maçã e sorvete de baunilha enquanto assistia ‘O Senhor dos Anéis’. Ele cometeu roubo, assalto à mão armada e dois assassinatos, sendo morto por fuzilamento em 2010, aos 49 anos. (Henry Hargeaves)


Allen Lee Davis
Allen Lee Davis, que cometeu triplo assassinato, comeu uma lagosta em calda, batatas fritas, camarão frito e ostras com pão de alho e cerveja. Ele foi morto na cadeira elétrica em 1999, com 54 anos. (Henry Hargreaves)


Teresa Lewis
A assassina Teresa Lewis tinha 41 anos quando foi morta por uma injeção letal em 2002. Sua última refeição foi frango frito, ervilhas na manteiga, torta de maçã e refrigerante.


Fernandino Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti
Fernandino Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzett, foram condenados por homicídio, com idades de 36 e 39 anos, respectivamente. Ambos morreram na cadeira elétrica em 1927 e ambos pediram sopa, um bife, torradas e chá em suas últimas refeições. Um juiz decidiu que eles foram julgados injustamente e o caso ainda está aberto. (Henry Hargreaves)


Ronnie Threadgill
O assassino Ronnie Threadgill comeu frango assado, purê de batatas, legumes, ervilhas doces, chá, pão e água antes de receber a injeção letal em 2013, com 40 anos de idade. (Henry Hargreaves)

LAVA-JATO - Enquanto as filhinhas dos vivaldinos circulam pela Vuitton da Suíça dentro de suas calcinhas de seda e rendas... As filhas da plebe...




"Carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo, este é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez à margem da sociedade como a filosofia..."E.M.C.

domingo, 25 de setembro de 2016

Memória musical...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa




O manual do perverso narcisista para tornar tua vida impossível...

El manual del perverso narcisista para hacerte la vida imposible

Por medio del bulo y la humillación, este tipo de agresores falsean situaciones para destruir la imagen de su objetivo (un familiar, pareja o compañero de trabajo)

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Desde los años 80, psiquiatras franceses analizan la figura del perverso narcisista, que practica a sus anchas el llamado acoso moral en entornos sociales y laborales. Por medio del bulo, la mentira y las humillaciones, este tipo de personas falsean situaciones para destruir la imagen de su objetivo (un familiar, pareja o compañero de trabajo) y elevar al tiempo la suya propia. “Buscan alimentar su gloria a costa de la derrota de los demás, creyendo que, por cada pie que aplastan, ganan un pie de altura”, definía hace 30 años el psiquiatra Paul-Claude Racamier, creador del término.

1. ¿Por qué acosan?

Son muy populares y aparentan tenerlo todo, pero “los perversos narcisistas sienten una envidia muy intensa hacia los que parecen poseer cosas que ellos no poseen o hacia los que simplemente gozan de la vida”, explica Marie-France Hirigoyen en un ensayo crucial para entender a esta figuraEl acoso moral(Planeta de Libros). Uno de sus objetivos es vampirizar esa energía y arrebatarle sus pasiones o, en el ámbito laboral, su capacidad profesional.
“Los bienes a los que nos referimos son rara vez materiales. Son cualidades morales difíciles de robar: alegría de vivir, sensibilidad, comunicación, creatividad”, enumera la francesa en su libro. El agresor buscar destruir esas virtudes provocando ansiedad y depresión en su víctima. Que el agredido cometa suicidio es una de las grandes victorias del perverso narcisista, advierte Hirigoyen. En muchas ocasiones, si detecta que su objetivo sobrevive y avanza a pesar de sus ataques, hará de nuevo acto de presencia de forma directa o indirecta en su vida.

2. ¿Qué significa la ecuación perverso + narcisista?

El escritor Javier Cercas realizó en El impostor un microscópico análisis de la figura Enric Marco, un narcisista (aunque no perverso) que inventó ser superviviente del Holocausto. Recurre en sus páginas al relato del poeta romano Ovidio para explicar que Narciso no se enamora de sí mismo. En realidad se odia, se horroriza de sí mismo. Fabrica, a base de autobombo, una fantasía halagadora, una mentira a través de la cual se camufla y esconde su realidad, la inmundicia absoluta de su vida, su mediocridad y vileza, apunta Cercas.
"El perverso narcisista tiene una gran falla narcisista, lo que protege es su imagen. Detrás de su apariencia de omnipotencia, es alguien extremadamente frágil", destaca Jean Charles Bouchoux en su nuevo libro, Los perversos narcisistas (Arpa editores), que acaba de publicarse en España. Lo que le diferencia de un narcisista es su componente perverso, que le genera la necesidad de destruir la imagen de otro al tiempo que intenta mejorar la suya.

3. ¿Está libre de peligro quien apoya a un perverso narcisista en su acoso?

“Son directamente peligrosos para sus víctimas, pero también para su círculo de relaciones”, advierte Hirigoyen, quien recuerda que uno de los hábitos más comunes de estos agresores es el de provocar conflictos entre terceros, por lo general entre alguno de sus aliados y su objeto de agresión.
En esa idea coincide Jean Charles Bouchoux. El francés recuerda que las personas cercanas al perverso se ven envueltas en sus manipulaciones, aunque también recuerda que pueden actuar para no convertirse también en sus víctimas. "Los testigos de este acoso son capaces de negarle el poder que pretende aparentar, siempre que no caigan en sus manipulaciones", explica a Verne en conversación telefónica.
No conviene temer ni glamurizar a estos narcisos vacíos, que adoptan la identidad que les sea necesaria en cada momento. Todas las imágenes que proyectan son falsas y buscan ganar adeptos a través de la admiración o el miedo.

4. ¿Cómo funciona su acoso moral?

Un ejemplo del acoso del perverso narcisista se encuentra en Lolo, comedia de Julie Delpy estrenada este verano en salas españolas.

Fase 1: Es tan masoquista como sádico

Primero establece una relación cercana con su objetivo para desestabilizarlo sin que haya testigos. “Las insinuaciones, las alusiones malintencionadas, los dobles sentidos, la mentira y las humillaciones” son la Biblia de este acosador, destaca Marie-France Hirigoyen.
Estos ataques sirven para descubrir en su víctima a un sádico o a un masoquista. Si ante este soterrado acoso decide actuar de forma sumisa, se prolongará en el tiempo una relación de maltrato ampliamente tratada por la psicología. Cuando el agredido en cambio no tolera los ataques, éstos se intensifican.
Y entonces el agresor perverso, como buen narciso vacío, adopta el rol opuesto de masoquista, manteniendo ataques para provocar reacciones en el otro. Recurre así de nuevo al juego de apariencias y se presenta como el agredido, alguien que es víctima de su propio carisma ante la envidia ajena: “Lo importante para él es que su objetivo a batir parezca responsable de lo que le ocurre”, dice Marie-France Hirigoyen.

Fase 2: Se despierta el cisne negro

Al difuminarse la línea entre agresor y agredido, aflora en la víctima su cisne negro. Aquello que le ha permitido sobrevivir, también lo mata por dentro. Y es ahora, que se alcanzan altas cotas de ira cuando el perverso narcisista se aparta, incluso geográficamente, y espera que sus apoyos perpetúen el conflicto, sin informar de las altas cotas de violencia a las que ha sometido al agredido.
Imagen de la comedia 'Lolo', que presenta en tono de comedia a un perverso narcisista
El perverso desea que ambos, su aliado y su objetivo, terminen mal: “Para un perverso, el placer supremo consiste en conseguir la destrucción de un individuo por parte de otro y en presenciar ese combate del que ambos saldrán debilitados y que, por lo tanto, reforzará su omnipotencia personal”, relata el ensayo El acoso moral.
Repetimos que el perverso solo es peligroso si los demás se lo permiten: Él propone y sus aliados disponen. “Su mayor fracaso es el de no conseguir atraer a los demás al registro de la violencia. Es la única manera de atajar sus intenciones” y de que quienes le apoyan no se vean envueltos en ellas, como busca.

5. ¿Por qué caemos en las manipulaciones de un perverso narcisista?

El mayor recurso de un perverso narcisista se fundamenta en las falsas apariencias. Las sociedades se construyen a través de tópicos y todo narcisista sabe manejarlos para obtener el aplauso ajeno y, con ello, el éxito social y profesional. Más todavía en una sociedad frenética, en la que construimos juicios a partir de relaciones superficiales. Por eso, podemos encontrarnos con que colaboramos en el acoso de uno de estos agresores.
Gracias a la simplificación de los tópicos, nuestro día a día se desarrolla de la manera más rápida y sencilla posible. Un ejemplo de ello es el principio científico de la Navaja de Ockham, que determina que tendemos a quedarnos con la opción menos compleja posible. "La explicación más simple y suficiente sería la más probable, mas no necesariamente la verdadera”, defiende.
Lo cierto es que somos susceptibles a todo tipo de engaños, no por faltos de inteligencia, sino por pura economía biológica, según la teoría de Ockham. Nos creímos durante décadas a Enric Marco, porque pensar que su teoría era falsa resultaba la opción más rebuscada. Lo mismo ocurrió con Rachel Dolezal, dirigente de la Asociación Nacional para el Avance de la Gente de Color haciéndose pasar por negra durante años cuando era en realidad blanca. Ambos son ejemplos de narcisistas, aunque en ellos no se encuentra el ingrediente perverso.

6. ¿Qué efectos produce tal aislamiento en el agredido?

Ante el juego de falsas apariencias, la víctima pierde en el proceso muchos aliados. "Es importante que logre comunicar con claridad lo que ocurre cuando esté preparada para hacerlo", dice el psicólogo francés Jean Charles Bouchoux.
El agredido sabe que su verdad es la opción que, por compleja, suele ser rechazada. ¿Puede cualquier otra víctima denunciar este tipo de acoso moral, basado en ataques soterrados y permanentes de alguien que aparenta gozar de una vida llena de alicientes, sin resultar paranoica, egocéntrica o envidiosa ante los ojos de los demás?
En el conflicto entre agresor y agredido, tendemos a pensar que una persona que siempre aparenta ser resuelta y divertida es más estable y sólida que aquella que, en ocasiones, se muestra frustrada, deprimida o airada -como resultado de la situación que está viviendo y a menudo provocada por su agresor-. En realidad, lo normal en una persona mentalmente sana es desarrollar un amplio rango de emociones y no solo demostrar las positivas.
El juego de apariencias se agranda cuando se hacen evidentes las secuelas de enfrentar de manera prolongada la ansiedad y la depresión que genera este acoso. Los agredidos viven con la tensión permanente de pensar que, allá donde vayan, los bulos generados por su agresor habrán llegado antes. “Para resistir psicológicamente, es importante recibir algún tipo de apoyo. A veces, basta con que una sola persona sepa exprimir la confianza en sí misma de la víctima”, apunta Hirigoyen.

sábado, 24 de setembro de 2016

A polêmica da reforma educacional... Ou: o fracasso da escola... Ou o porvir de uma ilusão...


"Estes dardos conquistarão Troya, apenas estes dardos..."
(Palavras de Ulisses em Filoctetes, de Sófocles)


Será que passou a chamar-se ensino médio porque está imprensado entre o ensino básico e o ensino superior? Sim, mas agora já existe mestrado, doutorado, pós doutorado, segundo pós doutorado, Masters in Business Administration e títulos coloridos por todos os lados... (Eu mesmo tenho um pendurado aqui sobre minha cabeça que me foi outorgado por JUAN CARLOS I, Rey de España). E a indústria do saber e da trambicagem não tem fim! (Não concorda e não acredita? Vá assistir uma aula na creche ou na universidade! Meia hora é suficiente para dimensionar a profundidade do abismo). Mesmo assim, o sonho de todo mundo, dos pais, das mães e até dos avós continua ingenuamente sendo que seus filhos e netos sejam universitários, bacharéis, licenciados, doutores, professores/doutores, especialistas nisto e naquilo... 
Muitos e simplórios pedagogos estão choramingando e reclamando por aí que o "novo governo" quer abolir a "arte", a "educação física" e até a "filosofia" dos cursos médios, como se a "arte" a "educação física" e a "filosofia" não fossem coisas que se pode apreender e que se pode praticar por si mesmo. Duvido que Picasso, Dali e Caravaggio tenham ido à escola quando crianças. E o mesmo se pode dizer do corredor jamaicano Usain Bolt que, com seus músculos e sua velocidade fez recentemente um enorme sucesso. E quanto à filosofia? Quem disse que é numa escola que se aprende a filosofar??? A questão que intriga até o açougueiro da esquina, é: por quê, afinal, querendo ou não, a escola e seus "mestres" tem se perpetuado como uma instituição de tirania, que castra e que mata a criatividade? 
Sim, e é importante lembrar que no passado já aboliram dos currículos até o ensino da música! (E com razão, pois a disciplina havia se reduzido ao melancólico cantarolar de Noite Feliz ou de Escravos de Jó, pela "Titia"). 
Já que somos uma nação masoquista
que tal dar o mesmo destino às físicas e às matemáticas e em seus lugares colocar aulas de tiro? De prestidigitação? De ilusionismo? De manejo de canivetes? Curso de noivos? Falsificação de assinaturas? Técnicas de estelionato ou de quiromancia..? 
Quem sabe nossa felicidade e nossa transcendência não esteja exatamente aí, a espera de uma reforma nesses moldes... Ou da consciência, mesmo tardia, de que, como dizia John Holt e Ket Robinson (abaixo), a Escola é um descarado fracasso.





Observação: Todo educador que não conhece O LIVRO VERMELHO DA ESCOLA, escrito por Soren Hansen e Jesper Jensen, é um merda.

A primavera e a senhora Melusina...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa



Praticamente o primeiro dia de primavera, hoje encontrei o mendigo K no Viveiro Pau Brasil que fica ao lado da estrada que leva a Sobradinho. Estava num espaço que vende orquídeas, trepadeiras, mudas de gerânios e ao mesmo tempo em que falava com a vendedora de avental azul discutia com uma senhora que, agressiva, gesticulava a seu lado, a mesma que estava com ele quando o vi mendigando num parque de Montevideo.
O viveiro estava movimentado. Flores, pólen, perfumes e pequenas abelhas. Dos fundos da floricultura de uma japonesa vinham os sons das Quatro Estações de Vivaldi enquanto os donos da loja trocavam informações sobre ácaros e sobre as mudanças solares do equinócio aqui no hemisfério sul. Muita gente, principalmente donas de casa e aposentados têm como rotina ir para ali aos sábados comprar mudas, sementes, adubos, esterco de galinha e outros objetos de jardinagem. Ela me reconheceu e me acenou de longe com sua mãozinha de bruxa e as unhas vermelhas numa tentativa de interromper a discussão e manter a pose e ele, meio transtornado de cólera, colocou a mão no seu ombro e, com voz de gerente de banco me apresentou: está é a mãe de meus filhos! Chama-se Melusina. Visivelmente na fase maníaca, ela fez meia dúzia de caretas, engoliu um bocado de saliva com dificuldade, agachou-se para disfarçar e examinar um cactos que havia florescido na noite anterior e não me olhou mais. Circulei por lá bem menos do que de costume e caí fora, meio intrigado com o nome daquela mulher ou pelo menos com o nome que aquele mendigo lhe havia atribuído naquele momento de desespero que não é estranho a nenhum casal e a nenhum porteiro de hospício. Ao chegar em casa fui pesquisar num pequeno livro escrito por Laura de Mello e Souza titulado: A feitiçaria na Europa Moderna e encontrei lá, na página 61, num breve Vocabulário crítico, esta explicação: "Melusina: fada protetora da família de Lusignan, na qual se originaram os reis medievais de Jerusalém. Teria sido casada com Raimundo de Lusignan, a quem fez jurar que nunca a veria nua. Mas o marido não resistiu à tentação de surpreendê-la no banho e descobriu que, da cintura para baixo, ela tinha forma de serpente. Furiosa, Melusina desapareceu, reaparecendo esporadicamente para anunciar desgraças à família de Lusignan." Entendi.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Aventuras da senectude...

"Para que tua felicidade não nos seja opressiva, reveste-te de astúcias diabólicas" F.N.

Hoje à tarde, um pouco antes da chuva que despencou sobre a cidade encontrei um velhote amigo numa dessas famosas clínicas de Check Up. Como todos sabem, no passado se recorria a elas uma vez cada dez anos, depois, com o iluminismo, uma vez por ano e agora, com a pós-modernidade, de três em três meses... 
É um senhor com aspecto meio demoníaco que parece ter uns 100 anos, que tem uma coreografia bizarra, que usa sandálias tipo as de Lampião, uma bengala feita de bambu, um chapéu tipo o do Al Capone e um olhar penetrante de quem já ingressou no reino da loucura há muito tempo. No passado nos encontrávamos frequentemente por aí, nos lupanares disfarçados da cidade; nos congressos internacionais, nos corredores dos Ministérios ou, uma vez por ano, choramingando numa das ante-salas da Receita Federal. Certa vez, até mesmo numa delegacia de polícia, eu fazendo uma queixa contra um vizinho piromaníaco e ele jurando para o Xerife que seu filho vendia maconha mas que jamais havia trazido cocaína pelas trilhas dos Andes. Mais recentemente nos cruzamos algumas vezes nos inúmeros laboratórios de análises clínicas que existem por aí, cada um com seu vidrinho de urina escondido num saquinho de plástico...  Ou com seu medidor de pressão amarrado ao braço...
Hoje à tarde, com as mesmas sandálias de lampião, com a mesma bengala de bambu, com o  mesmo chapéu de Al Capone e com o mesmo olhar de quem está além do bem e do mal, quando me viu, não escondeu a surpresa, passou por cima de três ou quatro outros velhinhos que cochilavam num banco de acrílico (que eram o retrato perfeito daquele desamparo e daquela fugacidade que menciona o budismo) e procurando disfarçar seus trejeitos senis pediu licença a doutora que o convidava a acompanhá-la até uma sala de Raio X, para recomendar-me uma xaropada de catuaba com gengibre e em seguida me fulminou com esta simpática e metafísica frase: Agora só falta nos encontrarmos no crematório!!!. E explodiu numa gargalhada...

No meio de tanta loucura, um ato de lucidez... (no Brasil faltariam chibatas!)

http://veja.abril.com.br/esporte/estado-islamico-proibe-uso-de-camisa-de-times-de-futebol-na-siria/


Dois novos lançamentos da Editora Sigla Viva


[... E se vos for necessário partir por mar, vós emigrantes, esforçai-vos para ter em vós mesmos, uma fé...] F. Nietzsche



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O mendigo K. e a carta de Diderot, sobre os cegos...


Numa barraca armada ali pelos lados do Edifício das Clínicas assisti, logo pela manhã, a cena de um mendigo em farrapos emprestando seus óculos de grau a outro mendigo igualmente em farrapos. A cena não é fácil de ser descrita. Apesar daquele homem aparentar ter mais de quarenta anos, sua alegria, ao "ver o mundo" e "aquilo que o cercava", foi idêntica a de uma criança diante de algo inusitado. 
Teria sido a miopia um dos motivos de sua marginalidade, de sua ruína e de sua mendicância? Haveria alguma relação entre os olhos e a melancolia? Entre a cegueira e a indigência? Alguém já teria realizado algum estudo relacionando a cegueira radical e os diversos transtornos da visão com a estética? Enquanto me fazia estas indagações apareceu o mendigo K, que, além de conhecer aqueles dois homens também havia assistido a cena e que, por coincidência (ou não) me exibia uma resenha da conhecida carta de Diderot sobre os cegos. Deixou-me uma cópia e desapareceu. Atravessei a rua, entrei num café, praticamente no único da cidade e fiz a leitura.

Carta Sobre os Cegos – para uso dos que veem. (Uma resenha crítica apresentada por Franciele Pereira Nascimento e Nayara Rodrigues Guimarães.)

"Diderot nasceu em outubro de 1713 em Langres, na França. Juntamente com 
intelectuais como Voltaire, Montesquieu e Rousseau, faz parte da corrente iluminista. Diretor 
da Enciclopédia francesa, assume a responsabilidade de publicar ensaios a respeito de artes, 
ciências e filosofia, tanto de sua autoria quanto de outros intelectuais. Contudo, devido à 
restrição do conteúdo que essas obras precisavam ter para que pudessem ser publicadas, 
espalha sua concepção filosófica em publicações alheias à Enciclopédia. Dentre diversos 
escritos, procura desenvolver sua linha de pensamento na corrente materialista, dissertando de 
maneira considerada provocativa a ponto de ser perseguido e preso no castelo de Vincennes, 
em 1749. Faleceu em 1784, em Paris. 
A linha de pensamento materialista, da qual Diderot é adepto, começa a se 
desenvolver em seus ensaios e a Carta Sobre os Cegos pode ser considerada como propulsora 
para esse desenvolvimento. Ao abordar a problemática da “cegueira congênita”, Diderot 
procura analisá-la de maneira racional, fundamentando-se em bases científicas e filosóficas 
para suas proposições, buscando, nas ciências biológicas e exatas, as respostas para seus 
questionamentos. Dessa maneira, mostra-se descrente da religiosidade, contradizendo a ideia 
de um Deus criador do Universo, sustentada ao longo da história até a Idade Média. 
Ao iniciar a Carta, endereçada a uma mulher, supostamente sua amante, Diderot 
menciona que seu interesse em estudar a vida de um cego de nascença adveio da experiência 
mal-sucedida do físico francês, Sr. de Réaumur, quando disse ter restituído a visão de um 
cego. A partir do fracasso de tal experimento, empreende então seu estudo acerca da 
percepção de mundo para quem não possui a visão, mostrando-se profundamente interessado 
naquela dimensão alheia. 
Para que esse estudo fosse realizado, o autor entrevistou um cego de nascença e, de 
maneira especulativa, procurou compreender como as ideias de beleza, imaginação e 
organização do espaço eram percebidas por esse cego, uma vez que as pessoas que enxergam 
se baseiam nesse sentido para compreendê-las. Aborda, ademais, assuntos como a simetria 
dos objetos, a percepção dos sons, espelho e lentes, enfim, temáticas da realidade e do 
cotidiano que são compreendidos pelos sentidos. Dessa maneira, podemos notar a tendência 
reflexiva na qual Diderot se lançou ao procurar entender o mundo do outro partindo de 
comparações, ou seja, parte dos parâmetros que possui – como pessoa que enxerga – para 
interpretar a vida das pessoas desprovidas deste sentido. 'Saber-se-ia como as coisas se 
passam nele, poder-se-ia compará-las com a maneira pela qual elas se passam em nós, tirarse-
ia talvez desta comparação a solução das dificuldades que tornam a teoria da visão e dos 
sentidos tão confusa e tão incerta.'
Outra temática abordada no ensaio diz respeito à moralidade, com ênfase no pudor. 
Para um cego, cobrir ou deixarem descobertas certas partes do corpo não faz sentido, pois, 
desprovido da visão, não é afetado pelo desejo ou repulsa do corpo de outro. Diderot 
deixa seu parecer, alegando que “conquanto estejamos em um século em que o espírito 
filosófico nos desembaraçou de grande número de preconceitos, não creio que venhamos um 
dia desconhecer as prerrogativas do pudor tão perfeitamente como nosso cego.” (DIDEROT, 
1979, p. 8). Isso soa condizente com uma época de revolução, tal qual é o século XVIII, na 
tentativa de quebra de preconceitos tão enraizados na sociedade, onde homens e mulheres, por 
exemplo, se encontram em patamares muito distintos. A busca por liberdade, igualdade e 
fraternidade, que posteriormente será o lema da Revolução Francesa, é então, incessante. 
Apesar de a leitura ser cansativa, uma vez que o texto se mostra extenso e escrito de 
modo descritivo com vocábulos obsoletos, ela é de fácil compreensão, pois o autor dialoga 
constantemente com seu interlocutor, dando explicações técnicas e práticas sobre o assunto 
que aborda. Essa característica é vista principalmente quando trata de Nicholas Saunderson e 
a máquina matemática que inventou. Diderot atém-se por um longo tempo a esse homem, que 
era cego e foi um brilhante matemático e físico de seu tempo. Mostra profunda admiração 
pela intelectualidade e pelo caráter do matemático, alegando que “Saunderson morre como se 
houvesse visto” (DIDEROT, 1979, p. 20). Essa declaração é vista também como uma crítica 
às pessoas que enxergam e por isso, julgam saber mais que as outras. 
No decorrer da obra, o filósofo francês se mostra curioso em descobrir como um cego 
congênito perceberia o mundo se lhe fosse restituída a visão. Para tanto, lança mão de uma 
série de questionamentos relativos à utilização dos sentidos, principalmente à cognição que o 
tato proporciona aos homens, quando aperfeiçoado. Não se contendo apenas em 
questionamentos, Diderot se propõe a esclarecê-los, ainda que de maneira subjetiva e às vezes 
insegura, mas mostrando seu perfil crítico e reflexivo a respeito dos assuntos que se propõe a 
discutir. Vale ressaltar, ainda, seu grande interesse em perceber na diferença a graça 
necessária à vida. Interessa-se por tudo o que a sociedade de seu tempo recrimina, e desse 
modo, sua filosofia é sem dúvida, revolucionária, pois embate opositores na busca de seu 
ideal".