"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 31 de maio de 2016

E a providência abandonou a previdência...

"Rogar? A quem? Indignar-se? Contra quê? Contra quem? A mesma mudez e a mesma solidão refletirão o gesto tanto daquele que dobra a cabeça e se ajoelha, como daquele que, colérico, levanta os punhos no vazio e cospe contra o céu deserto..."
V.V.
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A questão de previdência é um assunto cômico que esteve na pauta dos últimos 7 ou 8 governos, e que permanece em pauta. Quem sabe a providência ainda possa salva-la... 
Todo mundo fala que está falida, que os aposentados irão migrar em fila para o inferno de Dante, que uma carestia pior que a da época da Peste Negra será experimentada pela velharia que habita o mundo e etc. Mas, mesmo assim, ninguém sabe o que fazer. Sabe-se, que a longevidade não trouxe problemas só para a previdência, mas que prejudicou inclusive o mercado funerário e que inflacionou vários outros setores da vida. Longevidade!? Aposentar-se!? Daqui a uns 200 anos ninguém conseguirá entender que bizarrice e que idéias de jerico foram essas. 
Hoje encontrei o mendigo K no último vagão do metrô. Me disse que quando não tem o que fazer fica viajando para cima e para baixo, sem destino, falando com algum outro mendigo por celular e lendo e relendo o Corcunda de Notre Dame, já que tem passe livre por estar aposentado há muito tempo. Um pouco antes da última estação me confidenciou: as pessoas que precisam trabalhar, só as que realmente precisam, pois está demonstrado que o trabalho faz mal para a saúde, deveriam aposentar-se dos vinte aos 60, quando a vida ainda está no auge, quando qualquer um escala o Himalaia assobiando, quando se tem a ilusão da eternidade e o cheiro da goiaba ainda é potencialmente alucinógeno.......... E só quando passasse dos sessenta (se quisesse!) é que ingressaria em algum trabalho. Numa fábrica de chapéus, - por exemplo - ou de espadas. Numa barbearia, numa sapataria, numa alfaiataria ou algo parecido. Só então é que passaria a gerenciar alguma coisa, os sinos da catedral na hora do angeluz - por exemplo -, ou até mesmo uma ou outra boca de fumo ou um ou outro bordel... isto para não cair no anonimato, na rabugice e no tédio que a aposentadoria representa...

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Alô...alô marcianos...



Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa



A partir de hoje será acrescentado mais um digito no número dos telefones celulares do Distrito Federal. 
Segundo a justificativa dos donos do negócio isto deve acontecer  para viabilizar um número maior de "linhas", isto é: de negócios. De uns anos para cá se contaminou as massas de tal maneira com essa panacéia e com essa necessidade de cacarejar que a cada esquina, em cada bar, em cada janela, atrás de cada cortina e em cada portão de cemitério se pode encontrar um trouxa chorando ou gargalhando em seu pequeno aparelho. Falam de quê? Ouçam!: Puras bobagens! Choverá amanhã? O sol está derretendo também por aí? Tudo bem com a moradora de baixo? Estamos em abril ou em maio? Quando nos veremos novamente? Sabes quanto está o quilo de batatas hoje..? Amor! qual o melhor detergente para vidraças? Com alguns até tentando falar com os marcianos. E esses cacarejos não são breves. As vezes duram horas, já vi otários até falando em dois aparelhos ao mesmo tempo. E vão do nada para o nada, do fútil para o fútil e até mesmo do niilismo para o niilismo como se estivéssemos - como diz Baudrillard -  experimentando o tempo e a história como uma espécie de coma profundo
Enfim, apesar de ser um invento fantástico, quase uma artimanha de bruxaria, uma superação inesperada da espécie, seu uso obsessivo, associado ao status quo, cheira a alienação e a exploração. Aliás, sua própria invenção já foi coroada por uma fraude. O italiano de Florença (Antonio Meucci, 1860) que idealizou o primeiro aparelho, chamado então telégrafo falante, ao mudar-se para os EEUU e correr para registrar patente de seu invento, foi driblado por Grahan Bell que antes do florentino abrir os olhos, já havia lhe "roubado" a idéia e fundado a Bell Companyy...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

O estupro no cerne de uma espécie que não deu certo...


"En apariencia, la raza humana no se soporta, no puede soportar reconciliarse consigo misma..."
Jean Baudrillard

O estupro de uma menina no Rio de Janeiro, praticado por vinte ou trinta pobres miseráveis, está causando um desequilíbrio emocional ambíguo na população do país inteiro. 
Neste momento - por exemplo - há várias passeatas pelo Brasil a fora de pessoas indignadas, revoltadas, aterrorizadas e desconcertadas com o acontecido e a mídia (inclusive a internacional) não fala em outra coisa. Aqui entre nós, não precisa nem ser feiticeiro para saber que muitos dos que estão por aí esbravejando e fingindo indignação já tem esse crime em suas biografias, se não de fato, pelo menos como fantasia... Aliás, o "sucesso" que o video divulgado pelos estupradores teve na internet, é quase uma revelação. Além disso, todo mundo deve lembrar-se das duas ou três novelas exibidas recentemente no país, todas com altíssima audiência, que faziam, de forma sutil, uma quase  apologia do estupro... 
MEMÓRIA - Em 1974 o velho Sartre, numa entrevista concedida ao jornal Liberation levantava a hipótese do ato sexual em si já ser um estupro. E um soldado americano relatando o estupro de uma mulher vietnamita por nove soldados dizia: "eles não violam, eles fazem amor". Um detalhe: o último dos nove, depois de "fazer amor" com aquela moça, meteu-lhe uma bala na cabeça.
De tão impotentes, sem saber o que fazer, esses manifestantes ficam por aí com velas e flores em punho, meio obnubilados, como se estivessem clamando por alguma intervenção extra-humana. No caso aqui de Brasília, foram depositar flores aos pés da estátua da Justiça. Logo da justiça! Tudo inútil! Tudo contaminado por um esoterismo primitivo. Mulheres enfurecidas com cartazes lembrando que são donas de seus corpos, que os homens são uns javalis, uns porcos etc e etc. mas isto, todos sabemos, não tem servido para nada... 
Talvez o estupro (dizem que acontece um a cada quinze minutos no Brasil e um a cada minuto na Índia) seja a perversidade que mais evidencia que o projeto desta espécie não deu certo e que o processo civilizatório tem sido um fiasco. 
E também é evidente  que a questão do estupro não é uma questão que passa apenas pela polícia, pela educação materna, pela repressão e etc., (como se pretende), pois se fosse assim, Freud não precisaria ter escrito suas três mil páginas e os antropólogos não precisariam estar ainda por aí como loucos em busca de uma explicação para o inexplicável. 
Não são poucos os estudiosos que associam erotismo e sexualidade com violência, e não são poucas as donas-de-casa que são "civilizadamente" estupradas três vezes por semana por seus respeitáveis "esposos" em segredo, sem nenhum escândalo e até com a cumplicidade de muitas igrejas... E isto, sem falar da pedofilia, da zoofilia, da necrofilia e etc...
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E atenção: Essa  hipocrisia generalizada, esse escândalo artificial e essa exploração da mídia sobre o assunto, podem fazer à moça violentada, tanto ou até mais mal que o próprio estupro.

Vargas Vila: 83 anos após sua ruína...

Um visitador deste blog mandou-me um recado lembrando que no dia 23 deste mês, segunda-feira passada, foi o octogésimo terceiro ano da morte de Vargas Vila. Tudo bem! Mas isto aqui não é um necrológio!
Enfim, para satisfazer mais ao visitador, que ao defunto Vargas Vila, registro aqui uma das reflexões quase terminais desse pensador colombiano: "A estes insensatos que vão à catástrofe fingindo fechar os olhos ante ela, eu lhes diria o verso de Horácio: Incendi per ignea suppositos vineri doloso'. Ou seja: marchais sobre um fogo coberto por uma cinza pérfida"...
'Vineri doloso'...Que bela expressão para pintar a traição perpétua dos acontecimentos!..

quinta-feira, 26 de maio de 2016

BRASIL: 516 anos de surrealismo...

O país inteiro está ou finge estar apavorado pelo fato do Ministro da Educação, ontem, quarta feira, 25 de maio, mês das noivas, ter concedido uma entrevista ou um bate-papo no gabinete ministerial ao Alexandre Frota. 
A única coisa que se sabe do curriculum desse moço (o visitante) é que ele teria protagonizado cinco ou seis filminhos pornôs. Se foram bem feitos ou não, se causam frenesi e impacto sobre os onanistas ou não, isso ninguém quer informar. Enfim, achei interessante a "abertura" do Sr. Ministro. Deve ser bem mais transcendente ouvir um ator pornô citando a Sade e a Dom Juan do que a uma professorinha falando em Papai do Céu, ou em Corpus Cristi
Quanto à educação, todo mundo sabe, nossas escolas continuam sendo lugares abomináveis, com arquitetura e protocolos de prisões e que induzem as crianças e os adolescentes a odiarem a leitura... Quando e qual editor estaria disposto, finalmente, a  traduzir e a publicar El pequeño libro rojo de la escuela?



quarta-feira, 25 de maio de 2016

OS 10 mandamentos da Cosa nostra...


Clicar no canto esquerdo da faixa para ouvir a música...



















1. Ninguém pode se apresentar diretamente a um de nossos amigos. Isso deve ser feito por um terceiro.
2. Nunca olhe para as esposas de seus amigos.
3. Nunca seja visto com policiais.
4. Não vá a bares e boates.
5. Estar sempre à disposição da Cosa nostra é um dever - mesmo quando sua mulher estiver prestes a dar à luz.
6. Compromissos devem sempre ser honrados.
7. As esposas devem ser tratadas com respeito.
8. Quando lhe for solicitada uma informação, a resposta deve ser a verdade.
9. Não se pode apropriar de dinheiro pertencente a outras famílias ou outros mafiosos.
10. Pessoas que não podem fazer parte da Cosa nostra: qualquer um que tenha um parente próximo na polícia; qualquer um que tenha um parente infiel na família; qualquer um que se comporte mal ou que não tenha valores morais.

Enquanto isso, na crista do Mediterrâneo...

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Also sprach o ministro Barroso e o presidente Temer...

“No Brasil é mais fácil colocar na cadeia um menino de 18 anos por 100 gramas de maconha do que um agente público que tenha praticado uma fraude de alguns milhões”. (Ministro Barroso, fazendo uma análise dos protocolos do judiciário)



"Já fui duas vezes secretário de Segurança no Estado de São Paulo e sei como lidar com bandidos" (Presidente Temer, discursando ontem, no Senado)

terça-feira, 24 de maio de 2016

Um delirante, cristo e os leões...

Dizendo-se profeta, um bobalhão chileno de vinte anos foi ao Zoológico Nacional daquele país, tirou a roupa e saltou para dentro da jaula de um casal de leões e, curiosamente, foi logo aninhar-se na imensa juba do macho... (Estaria em busca de um pai? De um preceptor? Freud e Melanie Klein teriam explicações pré-genitais para esse desvario?) Segundo esse babaca que, aliás, levava uma carta de despedida no bolso assinada por ele próprio  com o pseudônimo Jesus, ele estaria fazendo aquela idiotice porque o apocalipse havia chegado e porque, como tinha muita fé, o mesmo Deus que "protegeu dos leões ao profeta Daniel", também haveria de protegê-lo. Claro que se não tivesse sido pelas espingardas dos guardas do zoo teria virado cocô... 
Independente de todos os diagnósticos disponíveis no CID 10 e até no Google aos quais o fulano poderia ser enquadrado, a pergunta dos ecologistas e dos defensores dos animais é: por quê Deus, o (papai do céu - como dizia ontem na mídia outro babacão com mais de 50 anos enquanto entrevistava uma madame), por que o papai do céu tão bondoso e tão justo, o mesmo papai do céu de milhões de outros trouxas, permitiu que, para salvá-lo, os leões tivessem que ser abatidos? Por que não fez as espingardas "negarem fogo" a tempo, os leões ficarem catatônicos e o suicida sair do surto? 
Com certeza esse pobre coitado não leu Vargas Vila e não entendeu que "os gladiadores que gritavam "Ave, César morituri te salutant, no circo romano, não eram heróis, mas apenas escravos vis e bestas valorosas..." 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O gravador e os discípulos de Judas Iscariotes...



Valdemar Poulsen, lá por 1900 - quase ninguém se lembra -, foi o engenheiro dinamarquês que construiu o primeiro gravador do qual  se tem notícia. Ainda rudimentar, registrava o som num fio, depois numa fita plástica magnética, depois em não sei o quê e finalmente nestes sistemas digitais que hoje estão embutidos nos telefones celulares através dos quais os políticos, as putas, os ladrões, os traficantes, os espiões, os tiras, os alcaguetes e etc, etc registram clandestinamente confissões, intimidades, paixões, crimes e transgressões para, com elas, chantagear e destruir seus desafetos e seus inimigos... 
Nestes últimos meses nada esteve mais em pauta no país do que os gravadores, os "áudios" as "escutas" e os delatores. As cadeias estão cheias, os tribunais estão congestionados de indiciados e até se destituiu uma Presidente com o auxílio desse aparelho. Diferente do alcaguete do passado que por problemas de linguagem, uma dislexia, uma afasia ou uma dislália não conseguia traduzir ipsis litteris o material "escutado", o gravador é de uma eficiência estereofônica assustadora e invejável. Traduz inclusive os problemas respiratórios, o ânimo e a ênfase, os níveis de ansiedade e a pressa das vítimas... Mas e a ética? E o ódio que instintivamente a espécie sempre teve por delatores, traidores e etc? Como é possível que alguém ainda possa valer-se dessa prática abominável para beneficiar-se ou para vingar-se? Qual desgraça é maior: viver num país de ladrões ou de delatores?
E já que se está falando neste assunto, quem é que não se lembra das fabulas de Judas Iscariotes e da de Tiradentes?

O filósofo Pondé, os professores e a esquerda... (quando será crucificado?)

domingo, 22 de maio de 2016

Nicollò Paganini - La streghe op. 8






Assédio assexual (um artigo de Tati Bernardi - Publicado na Folha de ontem)

Assédio assexual

Os mais conservadores diriam "ela sai de casa com uma roupa dessas e agora reclama?", os mais machistas diriam "você deve ter feito algo pra merecer isso", mas o fato é que estamos em 2016 e eu gostaria de reforçar o meu direito a usar blusa de lã com gola alta, moletom um tamanho maior e calça saruel (e tênis) sem ter que ouvir o que eu ouvi.
Ele marcou um jantar. Veja bem: não foi café da manhã ou almoço ou chá da tarde. Foi um jantar. E tem mais: não era pizzaria com luz de interrogatório policial e nem mesa compartilhada no Bar Balcão ao lado de artista global fazendo teatro cabeça pra equilibrar o carma. Era luz de velas, Nina Simone, vinho, a porra toda.
Foi horrível. Ele pegou na minha mão, lá pras 11 da noite, naquele momento em que toda boa moça espera ouvir "estou doido de tesão e essa calça tá me matando, não quer ir lá pra casa me ajudar a tirá-la" e disse: "Eu tenho um avô extraordinário e adoraria que alguém escrevesse a história dele".
Achei desrespeitoso, grosseiro, pensei em explicar que não estava lá pra isso, quem ele pensa que é, mas na hora, imobilizada pelo susto, soterrada pela vergonha (a gente sempre acha que a culpa é nossa, não tem jeito), só consegui me sentir muito fraca e com medo. É muito cansativo ter que provar o tempo todo que sou uma mulher bonita com uma vagina quando os homens só conseguem ver livros, roteiros, colunas, vendas e bilheterias. Olha esse decote, benzinho. Espera, vamos discutir aqui o capítulo oito. Sabia que eu tenho um alongamento impressionante e. Você acha que entrega até agosto? O alongamento? Não, o texto.
Estou cansada. Talvez eu vá pra Paulista com uma faixa "empoderada eu já sou, agora preciso é ser encoxada no tanque" ou use uma cabeça de Teletubbies com uma camiseta: "Pare de prestar atenção lá em cima, eu também tenho outras partes do corpo que são bem divertidas!".
Mas o macho branco opressor continuou: só você pode contar a história desse imigrante pobre e lutador que chegou aqui sem ter o que comer e construiu um império. Zzzzzzzzz. Deixa eu te contar a história de uma mulher pobre e lutadora que, depois de duas intermináveis reuniões, correu pra fazer uma depilação a laser em lugares só alcançáveis mediante posturas bem humilhantes, tirar os pelos do buço com linha (pior dor já sentida em vida) e se besuntar tal qual uma palhaça num maravilhoso e caríssimo óleo de lavanda Weleda. Tudo isso pra gente discutir, vestidos, a saga de um velhote? Hashtag chega de trabalhar! Minha vaidade não suporta mais ser violentada em silêncio todos os dias.
Tentei lutar. Mordi o braço dele, fui contar um segredo em sua orelha e aproveitei pra dar uma pequena lambidinha (que tava amarga, homem não sabe lavar a orelha). Ops, caiu meu guardanapo. Ops, desculpa, meu cotovelo encosta em cada lugar. Mas não teve jeito. Ele segurou meu antebraço, aquela mão mole, aquela passividade intragável do intelectual cordial. E riu. Eles sempre riem. "Ah como você é engraçada". Ah se você soubesse como posso ser muitas outras coisas. E usou o argumento que, por fim, mesmo sendo tão ofensivo, sempre me fazia ceder: escreve vai, escreve gostoso, eu pago bem.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Comentário filosófico do futuro presidente dos EEUU...

"Você não pode ser nota 10 se não tem peito"
Donald Trump







Apesar de todos os sofismas e de todos os esoterismos, no princípio não era o Verbo... era a grana!


«No princípio era o Dinheiro, e o Dinheiro estava com Deus, e o Dinheiro era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.»
 (João 1:1-4)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Fraldas e bengalas...

"Desabotoe teu cérebro com a mesma frequência que desabotoas tua braguilha..." (Escrito nos muros de paris)

Os barnabés e os velhinhos prestes a se aposentarem que ainda estão por aí enxugando gelo e fazendo de conta que trabalham estão visivelmente preocupados com as mudanças que o "novo governo" promete promover nas leis da previdência. Mesmo sabendo que a aposentadoria é praticamente um convite à extrema-unção, um salto para o nada e um passaporte para o além, ninguém quer abrir mão desse "direito", dessa "compensação" e desse "prêmio", por ter patriótica e estoicamente permanecido 35 anos em servidão voluntária.
Enfim, se os planos do governo de plantão se concretizarem, é bom ir logo encomendando fraldas e, principalmente, bengalas...

quarta-feira, 18 de maio de 2016

De onde poderá advir a verdade?


"Es preciso que la verdad ascienda desde los tugurios; porque de lo alto no se desprenden mas que mentiras... (Louise Michel)



terça-feira, 17 de maio de 2016

Noticias culturais...

E a histeria com relação a possível extinção do Ministério da Cultura parece não ter fim e começa até a espalhar-se pelo mundo. Quem não viu hoje a tarde os patriotas do cinema fazendo um protesto lá de Cannes? Quem conhece aquela região de Saint Tropez, concorda com eles e acha que eles estão mais do que certos. Que devem protestar sim! Quem é que estando em Côte D'Azur, bebericando champanhe na Riviera francesa, naquelas taças quase invisíveis da bohemia, escovando os dentes com perrier, exibindo filminhos vagabundos e sarreando pelos salões de um five stars, e tudo por ordem e conta da Lei Rouanet ou, em outras palavras, da velha e fodida PÁTRIA, quem é, lhes pergunto, que seria louco o suficiente para apoiar a "extinção" do Ministério da Cultura e principalmente da tal Lei Rouanet? Quem é que seria demente a tal ponto de vendo a vaca das divinas tetas ir para o brejo ou a galinha dos ovos de ouro indo para a panela ficar indiferente? Ora, não sejamos ingênuos. A cultura não vive só de aplausos e nem só de fogos de artifício! Não era por acaso que Millor Fernandes, plagiando ao
Goebbels, gostava de dizer: "Quando ouço falar em cultura, saco logo meu talão de cheques". O Goebbels, todos sabem, que era bem mais radical que o Millor dizia que quando ouvia falar em cultura sacava logo seu revólver. Outros até chegam a dizer: quando ouço falar em cultura saco logo meu rolo de papel higiênico...
Independente do governo de plantão fundir o Ministério da Cultura com o Ministério da Educação ou de riscá-lo do mapa, antes, seria pertinente e importante (inclusive para o crescimento cultural das massas) fazer um levantamento ou um censo das obras de arte que foram financiadas nos últimos vinte anos, requisitá-las e disponibilizá-las gratuitamente nos museus e nas bibliotecas. E digo gratuitamente, pensando naqueles livros, filmes, discos e etc que foram bancados na totalidade pelo Estado e que mesmo assim estão a venda nas livrarias de Paris e de NY e mesmo por aí, a preços inacessíveis não apenas para o populacho, mas inclusive para a classe média. Que porra é essa? Onde estão os discos, os livros de quinhentas páginas, os filmes que custaram milhões, e que ninguém viu? Para onde foram os trio-elétricos? Onde está, afinal, a cultura? 
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Em tempo, só para lembrar: A Biblioteca Demonstrativa aqui do DF, sob a responsabilidade do Ministério da Cultura, está fechada há dois anos e caindo aos pedaços... Enquanto os governos continuam pagando verdadeiras fortunas para artistazinhos de merda virem rebolar e cacarejar na Esplanada...





segunda-feira, 16 de maio de 2016

a reaparição do mendigo K.


Para ouvir a música, clicar no canto esquerdo da faixa


O mendigo K. reapareceu. Estava sentado numa posição de Iôga sobre o viaduto que liga o Conic ao Conjunto Nacional. Diz ele que, nos últimos 40 dias esteve como andarilho, fazendo o percurso Foz do Iguaçu/Ceará. Mostrou-me além das feridas nos calcanhares, um livro aos pedaços que teria recebido das mãos de um ilustre professor quando atravessava uma parte do sertão: Geografia da fome, escrito por Josué de Castro. Referindo-se à situação político/social da atualidade, à mudança de governo etc., recitou-me três linhas que diziam: hoje, como outrora, seria possível dividir, não apenas nossa sociedade, mas a humanidade inteira, em dois grupos: os que não comem e os que não dormem com medo dos que não comem... 
Em seguida ironizou: Parole! Parole! Parole... e
explodindo numa gargalhada saiu mancando da perna esquerda, até desaparecer na direção da rodoviária.

Ânsia de participação... Ou as paixões do Ego...

"Como o cachorro que regressa a seu vômito; regressai a vossos deputados..."
Zo D'Axa

Uma nova polêmica infantil e esdrúxula está tomando conta das discussões nos cafés, nas paradas de ônibus, nos corredores dos ministérios, das universidades e etc: a não participação de representantes das "minorias" no governo Temer. Por "minorias" entenda-se: mulheres, negros, homossexuais, índios, travestis, albinos e etc. Ora, isso é ridículo. Essas queixas e essas demandas são neuróticas, perversas e decadentes. Nada é mais melancólico, vexador e humilhante do que ver uma mulher, um negro, um homossexual, um índio, um travesti ou um albino implorando ao establishment para, por lei ou por misericórdia, ser emancipado e incorporado à máquina infernal do Estado como se fossem deficientes ou pobres coitadinhos, adictos à migalhas de poder, mas  sem condições de as conquistarem por si mesmos... Ora, onde está a velha dignidade? Chega de mendigar emancipação e reconhecimento! Primeiro, porque é um absurdo, com o pretexto de "servir", colocar-se voluntariamente de joelhos diante de crápulas e ficar ali enxugando gelo durante décadas; segundo, porque tanto emancipação como reconhecimento são coisas que só eu próprio, por mim mesmo, é que posso conquistar e terceiro, porque ficar fora, recusar-se a participar dos espetáculos sazonais do Estado, na grande maioria das vezes, é um ato legitimo de rebeldia, de cautela, de lucidez e até de grandeza...

domingo, 15 de maio de 2016

sábado, 14 de maio de 2016

Sem palavras... Ou..: agora é tarde!


"Basta escrever livros, defender teorias, fundar sistemas, para que qualquer balconista de farmácia venha um dia a diagnosticar tua genialidade..." V.V.







sexta-feira, 13 de maio de 2016

Teresita Sosa...

13 de maio... Michel Temer, Augusto Comte... Y los condenados de la tierra...

E enfim, apresentou-se o "novo"presidente da república!
Sua frase de impacto resumiu-se nas duas palavras delirantes inscritas em nossa bandeira. ORDEM E PROGRESSO. E para dar um ar ainda mais surrealista a este momento, agregou uma terceira, ainda mais impossível que as outras para nós aqui dos trópicos: EFICIÊNCIA! Apesar de seus "quarenta anos de vida pública" ainda não entendeu que somos todos incompetentes, que para mudar uma mesa de lugar precisamos de seis meses, que só sabemos respirar no caos e que o que nos atrai não são as ilusões e as promessas do iluminismo mas os desvarios, o messianismo e a porralouquice da Idade Média... Meio afobado e cercado por outros mandarins engravatados, o novo presidente, sem querer, colocou em cheque as duas palavras mencionadas e estampadas em nossa bandeira e inclusive a própria teoria de Augusto Comte quando falou em Salvação, em Deus e em religião, tudo o que para Augusto Comte, junto com a metafísica e com a teologia, deveria ser pisoteado e sepultado para sempre, já que só a ciência poderia ser subversiva e que só o conhecimento científico poderia nos conduzir a algum tipo de verdade. Enfim, eis-nos aí, outra vez, embarcando numa canoa furada e condenados novamente às missas dominicais e às trevas do delírio e da fé...
Em 1991 fui fotografar a tumba de Augusto Comte lá no Cemitério Père Lachaise. Sim, Augusto Comte está morto.  Imaginar sua tese principal (o positivismo) funcionando aqui nos trópicos, com esse calor e com esse DNA foi e é uma piada. A  manifestação de ontem em defesa da ex-presidente Dilma o comprova. No meio de todo aquele frenesi histérico e irracional havia gente tirando sarro, se esfregando e quase indo às vias de fato, em baixo das árvores, enquanto alguns pobres índios, com seus imensos charutos  promoviam no meio da multidão uma legítima pajelança e a policia monitorava tudo através de seus drones. (É a isso que chamam resistência?) Havia, acreditem, pais-de-santo por todos os lado e até um pastor vestindo um terno marron e meio lelé-da-cuca tocando berrante. Foi uma festa de fazer inveja a Evita Perón e até aos anarquistas. Mulheres, muitas mulheres elegantes, com calcinhas que lhes entravam no rabo, com rosas vermelhas nas mãos e copiosas lágrimas abrindo caminho por entre a maquiagem que até lembravam a Revolução dos cravos que também não deu em nada lá em Portugal... E mais: vários latino-americanos, da região dos andes, gritando exagerada e impertinentemente por LIBERDADE. Liberdade? Que porra é essa? Ora, esse grito, seus tataravós, ao invés de terem caído de joelhos, é que deveriam ter gritado, no meio de uma chuva de flechas, quando viram Hernán Cortez e os mercenários espanhóis saltando das caravelas com arcabuzes cavalos e cachorros para enrabar suas mulheres, submetê-los e escraviza-los... Aliás, hoje é dia 13 de maio, dia da libertação dos escravos!
Viva a Princesa Isabel! Viva a Lei Áurea! Vamos seguir em frente! Com muita ORDEM, muita FÉ e muita EFICIÊNCIA... sem esquecer que o TRABALHO dignifica!...  E rumo ao PROGRESSO!... Bah!!! Que náusea!