"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 31 de dezembro de 2016

Corno, grego e carbonizado... O quê Zeus tem a ver com isso?


 "CASAMENTO - Condição ou estado de uma comunidade composta de um patrão, uma patroa e dois escravos, num total de duas pessoas"
Ambrose Birce.


Diz a Divisão de Homicídios que foi sua própria mulher, a embaixatriz Françoise Amiridis que planejou e pagou para que eliminassem seu marido, o embaixador da Grécia no Brasil. 
Observem como no meio dessas histórias macabras, sempre aparece a ficção da fidelidade ou da infidelidade! De onde teria surgido a idéia de que uma espécie tão carente, tão vulnerável e tão miserável como a nossa, abandonada num planeta que faz 50 graus à sombra, poderia, algum dia, vir a ser fiel a alguma coisa? Que uma espécie cujo DNA vem sendo construído sobre alicerces de rancores, invejas, mentiras, voracidade, desesperos, e mau-caratismo, há milênios, poderia ser diferente do que é? Balelas! Idealismos fajutos! 
Exigir fidelidade de alguém nestas condições é mais ou menos como exigir que, tentando salvar-se no meio de uma tempestade e de um naufrágio, o náufrago só devesse dar braçadas de crawl.
Ora!, e depois, em se falando de gregos, lembrem-se das comilanças de Zeus! Daquele que chegou a transformar-se num cisne para papar Leda, a rainha de Esparta e esposa de Tíndaro. Naquela época, os cornos até se achavam privilegiados quando viam Zeus (o deus comedor) transportando suas mulheres e filhas no colo para o meio das nuvens...





Mientras tanto...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Esquizofrenia - E a erva era apenas uma erva, não era culpada de nada...



Estudo genético confirma associação da maconha com esquizofrenia

De acordo com um novo estudo, pessoas com risco genético aumentado para esquizofrenia são mais propensas a fumar maconha

Pesquisa publicada recentemente no periódico científico Psychological Medicine comprovou por meio de análises genéticas o que estudos anteriores já haviam sugerido de forma observacional: o consumo da maconha é particularmente perigoso para pessoas com propensão genética à esquizofrenia, mas, principalmente, que os esquizofrênicos tendem a usar mais a droga. 

Evidências genéticas

No novo estudo, pesquisadores da Escola de Psicologia Experimental da Universidade Bristol, no Reino Unido analisaram fatores genéticos que podem prever se uma pessoa é suscetível a usar cannabis e também sua suscetibilidade à esquizofrenia. Os resultados confirmaram que começar a fumar maconha pode sim aumentar o risco de esquizofrenia, mas, em especial, uma pessoa  que carrega genes associados à doença são mais propensas a se tornarem usuárias da droga e a fazer isso de forma abusiva.
Um das possíveis explicações para essa relação, segundo os autores, é que os fatores genéticos para a esquizofrenia são mais fortes do que aqueles para o uso da cannabis. Marcus Munafò, coautor do estudo, especula também que “certos comportamentos ou sintomas associados ao risco de esquizofrenia podem ser aliviados pelos efeitos da cannabis”. Em outras palavras, o consumo de cannabis pode ser uma espécie de automedicação nessas pessoas.
Outra possível explicação, segundo o especialista, é que “as pessoas com maior risco de esquizofrenia podem desfrutar mais dos efeitos psicológicos da cannabis. Há um consenso crescente de que o consumo de cannabis pode aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia. Nossos resultados apoiam isso, mas também sugerem que aqueles com maior risco de esquizofrenia podem ser mais propensos a experimentar cannabis”.

Maconha e esquizofrenia

Estudos anteriores já haviam mostrado que o consumo de maconha é mais comum em pessoas com psicose do que entre a população em geral e que, em muitos casos, esse hábito também pode aumentar o risco de sintomas psicóticos. O uso da droga já foi associado a sintomas do distúrbio, como paranoia e pensamentos delirantes, em até 40% dos usuários.
No início desse ano, de acordo com o site especializado Medical News Today, pesquisadores alertaram que pessoas jovens que usam cannabis poderiam aumentar seu risco de desenvolvimento de problemas psicóticos. Além disso, pessoas com esquizofrenia parecem ter uma maior chance de experimentar sintomas psicóticos ao usarem a droga. Entretanto, até o momento, esses resultados não foram considerados definitivos e especialistas pediram mais pesquisas.

THC versus CBD

Em relação ao papel da maconha em aumentar ou reduzir os sintomas de esquizofrenia, Munafò afirma que, embora sejam necessários mais estudos, pesquisas existentes sugerem que dois dos constituintes da cannabis, o tetrahidrocannabinol (THC) e o canabidiol (CBD), podem ser os responsáveis por esses efeitos contraditórios.
De acordo com o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas dos Estados Unidos (Nida, na sigla em inglês), enquanto a intoxicação por THC tem sido associada com experiências psicóticas transitórias, o CBD não desencadeia alterações mentais e pode ter potencial como uma medicação. Entretanto, a maconha “recreacional” tem um alto teor de THC e baixo de CBD, daí sua provável contribuição para o aumento de sintomas psicóticos em pessoas propensas à esquizofrenia.

Esquizofrenia

O distúrbio mental é caracterizado quando há perda de contato com a realidade, alucinações (audição de vozes), delírios, pensamentos desordenados, índice reduzido de emoções e alterações nos desempenhos sociais e de trabalho. A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial. O tratamento é feito com uso de remédios antipsicóticos, reabilitação e psicoterapia.










Finalmente... uma "explicação" para os frustrados maridos e principalmente para os pobres e desiludidos amantes...


Para ouvir a música, clicar no canto esquerdo da faixa...



Os mitos sobre o orgasmo feminino derrubados pela 

ciência

O orgasmo feminino ainda é bastante desconhecido da ciência. Mas nos 

últimos anos os pesquisadores conseguiram derrubar clichês sobre o 

prazer das mulheres








É comum encontrar informações sobre o orgasmo das mulheres em revistas femininas. Mas é bem mais difícil encontrar pesquisas e informações científicas sobre o assunto. As razões para isso são muitas e variam desde desinteresse até falta de financiamento. Felizmente, nos últimos anos essa realidade começou a mudar e diversos pesquisadores estão se dedicando a tentar esclarecer esse fenômeno ainda pouco conhecido. As informações são da rede britânica BBC.

Problemas subestimados

Enquanto há uma grande dedicação em sanar os problemas sexuais masculinos, como ejaculação precoce e dificuldade de ereção, os problemas das mulheres são frequentemente subestimados. Callista Wilson, uma estilista que mora em San Francisco, nos Estados Unidos, é um claro exemplo disso.
“Parecia que tinha um círculo de fogo no meio das pernas e essa era uma sensação constante – era uma queimação, um comichão e, então, durante o sexo ou mesmo com um absorvente interno era como se uma faca de churrasco estivesse me cortando, era muito doloroso.”, lembrou a Callista em entrevista à BBC.
Ela teve essa sensação pela primeira vez quando tentou usar um absorvente interno, aos 12 anos. Mas só decidiu procurar um médico oito anos depois, quando completou 20 anos de idade. Para sua surpresa, a jovem ouviu que o problema provavelmente era “coisa da sua cabeça”.
“Ela (a médica) pareceu muito cética que algo pudesse estar errado. E disse: ‘você parece perfeitamente normal, por isso recomendo que procure um terapeuta para falar sobre o que está causando esta dor. Deve ser coisa da sua cabeça’.”, contou.
Se passaram mais 10 anos até que Callista conseguisse um diagnóstico. Os problemas sexuais nesse período atingiram cada aspecto da sua vida, causando desde depressão até o fim do seu relacionamento amoroso. Finalmente, depois de ir a 20 médicos, ela chegou ao consultório de Andrew Goldstein, diretor do Centro de Transtornos Vulvovaginais em Washington, nos Estados Unidos.
O especialista explicou que ela havia nascido com 30 vezes mais terminações nervosas na entrada da vagina – o que significava que quando o local era tocado ela sentia dores fortes, como se estivesse sofrendo queimaduras. A solução foi uma cirurgia que removeu parte da área ao redor da abertura vaginal com o objetivo de retirar as terminações nervosas hipersensíveis. Depois disso, Callista soube finalmente o que era fazer sexo sem dor.

Nenhuma mulher é igual

O problema da estilista, chamado de vestibulodinia ou vestibulite vulvar, não é comum. Mas uma coisa que os pesquisadores só foram entender recentemente é que o sistema nervoso pélvico feminino varia imensamente de uma mulher para outra.
Quando Deborah Coady, ginecologista de Nova York, começou a estudar o assunto, verificou que os nervos na região genital masculina eram totalmente mapeados – mas não existia informação sobre os das mulheres. A médica então formou uma equipe com cirurgiões especializados para pesquisar sobre o assunto.
“Aprendemos que provavelmente não existem duas pessoas parecidas quando se trata de ramificação do nervo pudendo”, diz Coady.
Esse nervo tem três ramos que atravessam a região pélvica de homens e mulheres. “A maneira como as ramificações (do nervo) passam pelo corpo leva a diferenças na sexualidade, ou seja, a sensibilidade de certas áreas vai variar de mulher para mulher”.
Quando se fala de orgasmo, o nervo pudendo é a parte mais importante do corpo. É ele que liga os órgãos genitais às mensagens cerebrais de toque, pressão e atividade sexual.
Coady também descobriu que cada mulher tem um número diferente de terminações nervosas em cada uma das cinco zonas erógenas da área genital – clitóris, entrada da vagina, colo do útero, ânus e períneo. “Isso explica por que algumas mulheres são mais sensíveis na área do clitóris e outras na entrada da vagina”, observa.
Veja também

Excitação feminina

Em seu  Laboratório de Orgasmo , localizado na Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, a pesquisadora Cindy Meston conseguiu derrubar outro grande mito do orgasmo feminino: os fatores que excitam uma mulher. 
“Durante anos nos disseram: ‘tome um banho de banheira, se acalme, escute música relaxante, faça exercícios de respiração, relaxe antes do sexo. Mas minha pesquisa mostra o oposto: na verdade o que se deseja são mulheres animadas. Então você pode dar uma volta no quarteirão correndo do seu parceiro, ou ver um filme de terror com ele, se divertir numa montanha-russa ou assistir a uma boa comédia. Se você estiver rindo, vai haver uma compreensível resposta de ativação simpática.”, explicou Cindy.
A resposta de ativação simpática citada pela cientista se refere ao sistema nervoso simpático, responsável pelas contrações musculares inconscientes, que nos deixa alertas, preparados para voar ou lutar. Em sua pesquisa ela descobriu que se esse sistema for ativado antes do sexo, ajudará as mulheres a reagirem mais intensa e rapidamente.
Já nos homens acontece quase o oposto. Por isso, durante anos considerou-se que as mulheres funcionavam da mesma forma que eles, mas o trabalho de Meston mostrou que isso era um erro.

Desconhecimento

Andrew Goldstein percebeu desde seus tempos de estudante que o corpo e a sexualidade femininas são pouco compreendidos.
“Completei a residência em obstetrícia e ginecologia com uma carga horária de 20.000 horas. Assisti a uma palestra de 45 minutos sobre a função sexual feminina. Posso dizer que tudo o que foi dito durante aqueles 45 minutos estava completamente errado. Qualquer problema sexual feminino recebe menos atenção do que qualquer disfunção sexual nos homens. Vejo claramente que é uma questão de diferentes padrões de avaliação”, afirmou Goldstein.
Meston explica que ainda é difícil conseguir verba para pesquisar sobre o prazer sexual delas. Segundo ela, o orgasmo feminino não é visto como um “problema social suficientemente importante”. Além disso, há um certo tabu e uma desaprovação puritana das instituições médicas sobre essa área de estudo.
“Existem muitos críticos conservadores que não querem que verbas federais sejam destinadas a pesquisas sexuais. Como pesquisador você precisa então ser um pouco criativo. Já me disseram claramente para tirar o ‘sexo’ do meu projeto. Eu ouvi: ‘Você pode falar sobre bem-estar ou satisfação conjugal, mas falar sobre excitação sexual ou orgasmo é o fim da linha e reduzirá suas chances de conseguir patrocínio’.”, contou.
E como Callista Wilson se sente ao saber da dificuldade das pesquisas que conseguiram acabar com a dor que a incomodou por tantos anos?
“A gente nasce de uma vagina, por que não sabemos mais sobre elas? Por que não nos preocupamos mais com isso? Por que não se investe mais no assunto? Isso ajudaria homens e mulheres a terem mais pesquisas, financiamento e mais conversas sobre o assunto. Isso só beneficiaria todo mundo”, concluiu a estilista.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A mega da virada...

Nas últimas horas solares desta quinta-feira quando as 'moças de família' se recolhem para o 'aconchego do lar' dando lugar às  trabalhadoras da noite que vão ocupando seus postos com a velha gilete entre as tetas e o rolo de papel higiênico na bolsa, encontrei o mendigo K., numa imensa fila que terminava no balcão de uma casa lotérica. Havia ali umas cinquenta pessoas ou mais, de todas as cores, signos, sexos e idades: petistas, temeristas, malufistas, sarneistas, colloristas, militaristas, getulistas, anarquistas, comunistas, fascistas, direitistas, esquerdistas e até quem relembrava com nostalgia de Carlota Joaquina de Bourbon e de Dom Pedro I. Filântropos, misântropos, egoístas, machistas, feministas, misógenos e bobalhões, uns chegados numa ostra, outros ávidos por um pé de mesa, esotéricos, panteístas, ateus, hipocondríacos, maníacos, macumbeiros, obesos e anoréxicos e filhos de Maria, uns visivelmente desempregados, outros descaradamente em vias de abandonar não só o trabalho, mas também a vida...  Todos com os olhinhos meio eclipsados pela crise econômica ao mesmo tempo em que deixavam transparecer a luxuriosa esperança de virem a ser milionários na primeira madrugada de 2017. 
Perguntei ao mendigo K., que levava sete reais amassados na mão direita o que faria se acertasse os seis números e ele me respondeu com a frieza e a artificialidade de um gerentezinho de banco: alugaria um helicóptero e lançaria sobre a cidade, na hora do crepúsculo e da Ave Maria, cinquenta milhões de reais em notas de cem Euros ao mesmo tempo que filmaria o populacho se chutando, humilhando e se esfaqueando para pegar as notas... Não escondi minha admiração e minha surpresa com seu projeto e quando me retirei (com temor que alguém me visse ali) ouvi que, com expressão subversiva, ele recitava à velhinha octogenária que estava a sua frente e que levava um crucifixo amarrado ao redor das carótidas este texto de Albino Forjaz de Sampaio:  "Por dinheiro vovó, tudo se compra. As bênçãos das santas e o crânio dos heróis, a camisa de dormir da tua noiva e o rosário do teu confessor. Ciganas e écuyères, saltimbancos e mendigos, fidalgos e aguardente, trapeiros e sacerdotes, coveiros e apóstolos, santos e famintos, sultanas e cadelas, bobos e cortesãs, escravos e libertos, tudo isto é da sua corte. O próprio Deus, o próprio céu rende-se, quando se lhe mostra um punhado de ouro."pabx ip

Feliz e próspero ano novo, babaca! De preferência com as tripas entulhadas de Endosulfan e de outros Metamidofóis...

Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa



Ne maudis pas les ténébres, allume ta chandelle!
Citado por Thomas Szasz
(Second pèchè)
 Saiba que enquanto você fica aí com essa pose de babaca mandando bilhetinhos de Feliz e próspero Ano novo a outros babacas como você, um exército de comerciantes, de agricultores e de feirantes canalhas esta pulverizando sobre os alimentos que você servirá e comerá na mítica Noite de Reveillon doses cavalares de pesticidas que já são proibidos há décadas pelo mundo a fora. E que se não te matarem de imediato, pelo menos te garantirão muitas e boas agonias no porvir...
E a mídia? De vez em quando, depois de passar horas a fio exibindo as mansões e as garagens de artistazinhos e de piranhazinhas de merda, a mídia dedica uma ou duas matérias sobre o uso vil e suicida dos metamidofóis e de outros venenos na nossa agricultura, principalmente nos tomates, nas alfaces, nas cenouras e nos pimentões que os vegetarianos (em estado meio zen e meio cataléptico) comem como se através deles fossem atingir a eternidade...
E lá vão os repórteres cumprir a pauta, a mesma pauta que assisto sendo cumprida há meio século: vão ao Paraguay entrevistar comerciantes analfabetos (de onde supostamente viriam clandestinamente os tais venenos). Vão ao interior do Brasil entrevistar agricultores tão ignorantes e tão analfabetos que eles próprios comem a merda envenenada que produzem. Ligam para a embaixada da China, vão às feiras, aos mercados, às clinicas de oncologia, aos asilos... vão examinar a merenda que é dada nas escolas ...
Depois passam horas na ante-sala do Ministro da Saúde (com câmeras, computadores, dicionários, bulas, equipamentos para transplantes), para obter esclarecimentos: Fingem querer saber por quê é que em alguns estados ainda se despejam anualmente 136 litros de veneno por habitante??? O ministro e os burocratas do Ministério simulam espanto e chamam os técnicos da Anvisa, os tais doutores que passaram 8 anos em Londres estudando os efeitos do veneno sobre o fígado e os rins; os gênios do Meio Ambiente; os sábios da FIOCRUZ, um ou outro chefão do agronegócio, os professores da USP, os padres que certa vez já denunciaram que até as hóstias estavam com doses elevadas de veneno... Com todo mundo lá, discutem, "filosofam" sobre a salvação do mundo, se abraçam, trocam piscadelas e promessas, marcam encontros, se cutucam com os joelhos por debaixo da mesa. Bebem um café e comem uns biscoitos (ambos produzidos na clandestinidade), concordam que tudo isso é um horror anti-cristão e uma babaquice vergonhosa, que não adianta ficar tagarelando sobre saúde, sobre a depressão epidêmica, sobre a tremedeira parkinsoniana, sobre o apodrecimento prematuro do fígado, sobre as filas miseráveis e kafkianas de nossos hospitais... sem antes resolver a questão dos alimentos... Chefetes, secretárias e assessoras especiais e escolhidas a dedo entram e saem rebolando, fazem selfie ao lado de um ou outro Don Juan, vão e voltam até o fim dos imensos corredores, vão ao banheiro se olhar nos espelhos e retocar o batom dos lábios (bucais)...
Depois, a pedido dos repórteres, todo mundo se abraça diante das câmeras e lançam aos trouxas uma frase de efeito tipo: Ganharemos esta luta! Ou Que o alimento seja teu remédio! e vão ao restaurante da esquina, (aquele que foi edificado com dinheiro sujo e que cobra 430,00 reais por uma refeição) ouvir Nat Kin Cole e comer as mesmas cenouras, os mesmos pimentões e as mesmas alfaces regadas com o pó Made in Chine que nos chega via Punta del Este e que são comidas diariamente pelo populacho.
Inacreditável!
É uma pena não viver mais uns 5o anos para poder compreender como foi que esse povo chegou a grau tão desprezível de inércia e de estupidez...



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Brasília = Um Nirvana para velhos...


Se você já foi a Benares, na Índia (conhecida também por Varanasi) deve ter tido notícias por lá da existência de asilos, albergues ou coisa parecida onde os velhos e doentes de todo país vão esperar pela morte, já que no folclore hinduísta e infanto-juvenil  daquele povo quem morre naquela cidade e ao lado do Ganges recebe a salvação instantânea o que o livra da miséria da reencarnação e do "eterno retorno". 
Quando circulei por lá prestei atenção no olhar daqueles velhinhos arruinados que me imploravam uma rúpia pelo amor de Shiva... Levavam naqueles olhos quase cegos a mais pueril das esperanças de desencarnar definitivamente e para sempre, e de não terem que voltar, nunca mais, para o inferno, tanto de Benares, como de Nova Délhi...  Relembro dessa bobagem mística para dizer que Brasília é mais ou menos assim. Aqui, se você prestar bem atenção, vai ver que é uma espécie de asilo de Benares, um paraíso quase zen para velhotes, um Nirvana para os que se aposentam e passam o resto da vida com os cotovelos nas janelas mergulhados em nostalgias de algo que muitas vezes nem existiu e vendo a banda passar. 
Já que tudo por aqui só acontece em botecos vagabundos ou dentro de casa, a tendência é todo mundo ficar enclausurado turbinando as neuroses e tomando aulas a distância com os energúmenos que estão sempre nas telas da televisão, na capa dos jornais, nos blogs, no facebook, no telefone e etc. 
Quem gosta de ler, pelo menos, pode até salvar-se e fazer viagens transcendentes e telepáticas pelo mundo a fora mas, mesmo eles, é bom que fiquem ligados, que fiquem bem em alerta, para não deixarem que aconteça aquilo que nos preveniu  Baudelaire: "quanto mais se lê menos se fode!"

domingo, 25 de dezembro de 2016

“Cosi si suona per fare il primo violino” Veracani

A ciência tem uma nova teoria para explicar a beleza do Stradivarius

As pessoas costumam associar a ciência com o futuro, mas a verdadeira paixão de muitos cientistas é reconstruir o passado: as três graças de Rubens tinham câncer de mama, como consequência (provável) de seu excesso de peso (evidente); El Greco era míope, daí seus retratos longilíneos; Kant desenvolveu um tumor no lóbulo temporal que dissociou suas emoções da razão, o que explica sua Crítica da Razão Pura, se é que haja algo que possa explicar isso. Mas o sonho de todo pesquisador sempre foi esclarecer o som estruturado e cristalino de um Stradivarius. Aí, sim, está o megaprêmio da loteria. Que ambição maior haveria para um cientista do que entender a beleza, dissipar a névoa, explicar o inexplicável?
A última teoria sobre o violino mais famoso da história se deve a Hwan-Ching Tai e seus colegas da Universidade Nacional de Taiwan, em Taipé, e acaba de ser exposta na PNAS. Os Stradivarius eram feitos de madeira do acero, como é bem conhecido no meio dos luthiers, mas as imitações posteriores feitas da mesma madeira não conseguiram, na avaliação da maioria dos connoisseurs, se aproximar dos sutis timbres de sua sonoridade, decifrar seu código harmônico inapreensível, ressuscitá-lo dentre os instrumentos mortos. Os cientistas de Taiwan compararam a madeira dos originais e as cópias e concluíram que a grande diferença não está no acero original, mas nos adulterantes químicos que os artesãos da época lhe acrescentavam.
Os químicos, contra todo preconceito, podem ser uma fonte de mistério e de beleza. Algum neurocientista dirá que é a fonte de todo o mistério e beleza, pois o prazer estético tem por base um produto químico que inunda o cérebro, e do qual poderemos ter a fórmula. Mas aqui não se trata disso. Aqui falamos do genuinamente artificial, dos aditivos usados no tratamento da madeira com fins industriais. Aqui falamos de uma beleza derivada da necessidade de matar os insetos que comem a madeira, de uma harmonia do pesticida, de um paradoxo do tamanho de um acero.
“O uso de madeiras de acero tratadas com minerais pertence a uma tradição esquecida que os fabricantes posteriores de violinos não conheceram”, observam Tai e seus colegas. “O acero de Stradivari também parece ter se transformado pela idade e a vibração, o que resultou em um material composto excepcional, inacessível aos luthiers modernos.” O objetivo dos cientistas taiwaneses não é só entender a obra artesanal única da oficina italiana, mas também “inspirar o desenvolvimento de novos enfoques técnicos na manufatura de instrumentos”. Ou seja, de fabricar o Stradivarius do século XXI.
Isso seria uma versão musical da máquina do tempo, mas, por falar nisso, que música não é?