"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Noticias atuais da guerra com o Paraguay...



E enfim, Jesus voltou...

Muita gente que estava acostumada a ver escrito aqui nos muros e nas paredes de SP que Jesus voltaria, está surpresa porque agora, inscrições do mesmo gênero dizem que ele já voltou. Será o cara aí de cima? Ou é a neurose evoluindo para psicose?

Obs: Não é por acaso que até os haitianos que buscaram refugio aqui na "nossa pátria" estão implorando para voltar ao Haiti, mesmo destroçado...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma cultura bipolar...

Lá pelas 23:00 horas de ontem deparei-me com o mendigo K. num desses espetinhos de gato que se proliferam aqui pelas esquinas de SP.
Levava em baixo do braço um livro de Hunter S. Thompson (Rum: diário de um jornalista bêbado) e devorava com imensa voracidade um dos tais espetos onde havia meio salame tostado, bacon, presunto e outros pedaços de animais não identificados, além, claro, da farinha de mandioca e de meio pimentão daqueles vermelhos e cheios de pesticidas.
Antes que eu tivesse tempo de atacá-lo com algum tipo de bullying ele mesmo, numa espécie de autocrítica, foi logo dizendo: Pareço uma hiena, não pareço? Como não lhe contestei, acrescentou: mas.., como saber se isto realmente faz bem ou mal à saúde? Inclusive ontem, enquanto um sujeito da TV anunciava que as carnes processadas causavam câncer, sua mulher, na própria tv fazia propaganda de mortadela… Vai entender uma sociedade canalha e bipolar como esta...

domingo, 25 de outubro de 2015

A babaquice e a teatralidade do Enem...

Posso estar exagerando, mas é uma idiotice sem precedentes esse tal de Enem. E mais idiota ainda foi o professorado e a mídia histérica terem passado o final de semana inteiro turbinando essa perversão e fazendo vasta demagogia e até apologia dessa seleção de energúmenos.  
"Não esqueça a caneta! Lembre-se: não pode entrar com lápis! Desligue o celular! Lembre-se que estamos no horário de verão! Faça cocô e xixi antes de entrar na sala de provas! Reze um Pai Nosso antes de começar a marcar as respostas! Implore à Virgem e até ao Chico Xavier se for necessário!", etc e etc...
Ora, se o segundo grau servisse para alguma coisa, qualquer aluno (energúmeno ou não) que o tivesse concluído deveria estar naturalmente apto a ingressar numa universidade, sem ter que fazer o teatro dos simulados, das provas e dos cursinhos, essa prática tirana, mafiosa e cara do subdesenvolvimento. Vagas? Ora, com os recursos que vinte ou trinta famílias desviam descarada e sistematicamente no país daria para manter sete ou oito universidades funcionando integralmente, sem limites de vagas e com aulas em cinco idiomas. Apesar de continuar escrevendo, reclamando, esperneando e enchendo o saco do mundo, sei que tudo isto é inútil. Que não há solução! Sim, tenho plena consciência de que essa babaquice e esse atraso têm impregnado nosso DNA e que seguiremos por mais uma dezena de décadas fazendo de tudo para rebaixar e atormentar-nos mutuamente. 
Claro que para tentar "salvar-me", tenho tomado umas gotinhas matinais e repetido para mim mesmo e com certa frequência a confissão feita por aquele cínico velhinho minutos antes de bater as botas:
"Minha vida foi repleta de problemas, a maioria dos quais, nunca aconteceu". 


sábado, 24 de outubro de 2015

A PÍLULA ROSA - Apesar do teatro e das bravatas contadas nos salões de beleza e nos ateliers de costura, segundo o mendigo K., as mulheres continuam achando o sexo chato & incômodo...







"La regardant dormir, il conjugua 
silencieusement le verbe faire l'amour, au passé, au présent et, hélas, au futur."
A. Cohen

Hoje encontrei o mendigo K. passeando pelo Parque Rodó, em Montevideo, quase junto ao meio-fio da Rambla República Argentina. Estava com meia garrafa de conhaque na mão esquerda e com a direita sobre os ombros da senhora mendiga, sóbria e elegante que o acompanhava. Sem querer saber o que eu fazia ali, naquela hora e naquele frio, foi logo retomando o mesmo assunto sobre o qual dissertou na última vez que nos vimos (mulheres):
Acompanhei pela TV o lançamento da pílula rosa lá nos EEUU - foi dizendo. Você sabe, a pílula rosa é como se fosse o viagra feminino, assim o chamam por aí. Não foi surpresa nenhuma para nós - dirige o olhar para sua companheira - ver 5 milhões de americanas confessarem que nunca sentiram desejo sexual. Aliás, é bom e importante lembrar que sobre sexo, as pesquisas são sempre falaciosas e falsificadas. Se por exemplo disseram 5 milhões, podes multiplicar esse número por dez sem medo de errar. 5X10 = a 50 milhões!
Parece uma heresia o que vou dizer-te, mas é a mais pura e a mais trágica verdade: o sexo, o ato em si, sempre foi tabu e sempre incomodou às mulheres... Sua companheira riu como se estivesse intimidada e ele continuou:
Tudo o que se disse até hoje sobre a desmedida sexualidade feminina, ou que as mulheres subiam pelas paredes de tesão e etc., foi sempre uma balela, uma lenda e uma farsa inventada por cafetões, donos de puteiros ou pelo mundo masculino alienado. Seguiu falando e contando nos dedos:
I.  Preste atenção: quando nos anos 60 se produziu a pílula anticonceptiva, as multinacionais, os donos de farmácias e as próprias feministas propalaram pelos "quatro cantos do mundo" que as mulheres estavam felizes porque agora poderiam fazer sexo a vontade sem terem que, necessariamente, preocupar-se com os riscos de engravidar... Mentira. Ficaram - em segredo, claro - profundamente angustiadas porque, a partir de então, com a pílula na cabeceira da cama não mais teriam a gravidez como desculpa e alibi para esquivar-se da "trepada";
II. A infestação do planeta pelos sex-shops trouxe outra ilusão aos pobres machos e outra angústia às pobres mulheres. Seria possível ser moderna, uma mulher do Terceiro Milênio sem fazer uso daqueles "brinquedos"? Mas o que fazer com aquelas peças macabras e onde enfiar aquelas porcarias e aquelas fantasias de borracha?
III. A recente proliferação de leis severas "contra o assédio sexual" também serviu como instrumento tanto para que elas se mantivessem longe e protegidas dos tarados de turno como para que ocultassem sua ausência de desejo...
IV. Quando recentemente as mesmas multinacionais lançaram no mercado a "pílula azul" (o tal viagra) começou-se a dizer que as mulheres passariam a ser bem mais felizes porque, finalmente, seus maridos "meia bombas", "broxas" ou simplesmente entediados  agora, com suas ereções de cavalos poderiam voltar novamente a satisfazê-las plenamente e sem grandes frustrações e esforços... Outra mentira. Ficaram, isto sim, bem apavoradas porque teriam que ir novamente para a cama e abrir novamente as pernas para seus velhos ou para outros brutamontes...
V. Com o desencadeamento e a quase generalização do lesbianismo tiveram novamente um forte álibi para fugir da sexualidade obsessiva dos "machos, mas continuaram, mesmo em suas relações "homoafetivas", carregadas de pudor e culpa, reduzindo toda a aventura sexual a umas lambidas aqui e a outras ali, a uma fricção aqui e a outra mais para baixo e etc., e sempre com o "desejo" e "aquelas partes" negadas e desativadas...
VI. E agora, com a tal pílula rosa, que logo estará a venda por aí, oficial e clandestinamente, ao contrário do que se especula, estão novamente assustadas e em pânico. Sabes com quê? Com o próprio corpo. Medo de terem que encarar o incômodo retorno do desejo... desejo que por inúmeras razões foi sabotado, pisoteado , reprimido e recusado durante séculos... 
Disse tudo isto num tom de sermão, quase como um pastor evangélico e quando, finalmente, colocou um ponto final em sua fala, tocou amorosamente o rosto de sua companheira que, para minha surpresa, olhou-me bem dentro dos olhos e enquanto levantava com sensualidade uma das alças de seus trapos assegurou-me: tudo o que ele disse é verdade! A mais pura e a mais triste das verdades! Apesar do teatro e das bravatas sexuais relatadas pelas mulheres nos salões de beleza, e nos ateliers de costura a verdade é que o gozo  feminino (o nosso gozo) esta contido apenas e basicamente na competição e na sedução. E não pense que este é um problema apenas das mulheres da pós-modernidade. Não! Nossas tataravós, bisavós, avós, mães e etc., também sofriam de picafobia e vieram pelos séculos a fora numa esfregação infanto-juvenil fazendo sexo mais por compaixão do que por tesão...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Bebendo chimarrão e fumando porros...

"Se eu estivesse aos pedaços e passando fome na rua eu não pediria aos transeuntes um pão, mas meio pão e um livro!"
G. Lorca

Quem quiser perder tempo, dinheiro e as férias é só atravessar a fronteira do RS e desembarcar aqui em Montevideo neste mês de outubro. Um país velho e triste que se perdeu no tempo e ainda por cima com um vento tipo o da Sibéria que desliza por sobre o Rio de la Plata e que cristaliza nossos ossos...! Apesar da economia ainda ser quase primitiva tudo por aqui é absurdamente caro, inclusive, até mesmo mais do que na Alemanha. Apesar da maconha estar "liberada" parece que os jovens caíram fora, preferindo a escravidão disfarçada nos EEUU e na Espanha. Nem mais memória dos valentes tempos dos tupamaros e dos etarras… Cada um daqueles heróicos guerrilheiros é hoje um velhote nostálgico, calvo e grisalho que se desloca encolhido, lento e cabisbaixo por aí, por essas ruelas quase como becos geriatricos irrespiráveis onde pelo escapamento de carros, também seculares explode em fúria uma fumaceira pra lá de tóxica. Antes de ontem, para que entendam, chegou até a cair um meteorito por aí, o primeiro de todos os tempos. Despencou exatamente sobre uma casinha velha, onde destruiu uma TV e uma cama ainda do tempo de Agustin de la Rosa…
e mais: hoje mesmo, vasculhando um cemitério pré-histórico um grupo de antropólogos encontrou a ossada de um gliptodonte gigante... E por falar em ossadas, as mães daqui ainda procuram em desespero seus filhos destruídos pela Operação Condor e pela última ditadura... Prestem atenção como por onde andaram as ditaduras na América latina os países e as pessoas foram destruídos em sua medula... e mais: que não serão essas pseudo democracias administradas por malandros e corruptos e nem esses governos simplórios e fajutos que poderão resolver esse trauma em apenas algumas décadas.
Enfim: apesar dos cafés, das livrarias, dos alfajores, das empanadas e das caminhadas exuberantes que se pode fazer ao longo do rio, trata-se de um país nostálgico, melancólico e fixado na fase oral, onde todo mundo, para onde vai, vai chupando sua cuia e seu chimarrão! E - Ojo! Esta não é opinião apenas minha. 
Apesar de nos muros e nas paredes ainda estarem rabiscados aqueles caducos, revolucionários, românticos e delirantes slogans dos anos 60 dominam agora os slogans mais ou menos esotéricos  tipo Carlos Castañeda, Cristo, Paulo Coelho etc. Claro que os professores, sindicatos, obreros, anarquistas, bancários, estudantes, velhotes aposentados ainda insistem nas greves e juram de pés juntos que se não conseguirem melhorias na educação, na saúde, nos meios de transporte e claro, no trabalho, implantarão o caos na pátria. Só que ninguém mais acredita nessa caduca tática leninista. E a pergunta principal que me martela os neurônios neste momento é: de onde advém essa neurose popular pela educação, pela saúde e pelo trabalho?
Observem como o passado e o presente da sociedade latino-americana em geral é um horror! E que, como diz o título de um livro de Pedro Barreiro: "La historia es un baño de sangre". Ou então  - como digo eu - a América do sul e latina juntas continuam sendo um cu sem solução! Hoje mesmo perguntei a um jovem livreiro como conseguiam sobreviver por aqui e ele me respondeu a queima-roupa: bebendo chimarão e fumando porros…
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porro = a marijuana
1 dólar americano = 29,50 pesos uruguaios.
Mulheres piratas (um livro de 170 páginas) custa 900 pesos + ou - 120,00  reais.
Ao mesmo tempo que legalizaram a marijuana estão fazendo uma obsessiva campanha contra o álcool, o crak e a cocaína.
Enfim, por aqui, como era de se esperar, apesar do delírio de alguns, tudo também esta regido por mal entendidos e, como o resto  do planeta, este pequeno país parece ser uma nave avariada que se afunda na ambiguidade e no nada.

domingo, 11 de outubro de 2015

Horóscopo dominical...


Se você nasceu entre19 de setembro e 11 de outubro seu dia hoje será exatamente como todos os de tua vida, talvez um pouco mais tedioso, principalmente se  o sol chegar a 35 graus como ontem. No teu íntimo você descobrirá  que podes ser tanto de balança, como de peixes ou de caranquejo. Um planeta sem nome transita em alta velocidade pelas beiradas de uma constelação semelhante às costelas. Daí aquela dorzinha que podes sentir hoje um pouco acima do abdomen. Mas tudo será passageiro, graças à evaporação contínua das águas do Mediterrâneo. Uma leve dor de cabeça pode surgir depois do almoço, principalmente se voltares àquele self-service de sempre. Mas sobreviverás. Não será hoje e nem amanhã teu encontro com o nada, graças à energia e ao sadismo que é emitido pelos planetas anões: isto é: Makemake, Éris, Plutão e Ceres. Na vida amorosa tudo estará bem, pois tua mulher viajou para Cantão (na China); Aliás, ouvirás nesta tarde dominical o casal da esquina brigando novamente e pensarás que é uma rinha de cães. Na política, tua inveja do Cunha e de suas contas na Suíça se amenizará com a hipótese, cada vez mais provável, de ele pegar vinte anos de penitenciária. Quanto à segurança, perceberás uma leve tranquilidade ao saber que ontem a polícia desbaratou uma gangue do PCC que atuava em tua cidade. Mas não se iluda, é pura ficção regida por eflúvios lunares. Existe ainda e intacto o Congresso Nacional. Já a miséria, regida por Marte em conexão com uma tribo de extraterrestres, esta continuará deitada à tua porta, louca para entrar, como um cachorro faminto. Na vida espiritual, verás que as babaquices, as mentiras e a picaretagem da religião dominante não se alteram, graças à cumplicidade entre duas galáxias misteriosas que estão além de nossos telescópios. Enfim, desfrute este domingo como se fosse o primeiro de tua vida, que, aliás (como um castigo vindo das estrelas celestes) ainda será longa. Mas sem esquecer que amanhã é segunda. Se estiveres com dez reais sobrando, uma visita ao Zoo te fará mais bem ainda. Olhe-te de perfil no espelho: toda tua coreografia é de um verdadeiro pária desnutrido, sectário e imbecilizado, mas feliz...

sábado, 10 de outubro de 2015

Nem deusas, nem mártires...



Ontem, logo depois do almoço, hora em que a cidade fervilha sob um sol de 35 graus e de uma umidade mais baixa que a do Saara, encontrei o mendigo K. deitado na sombra de uma dessas árvores diabólicas do cerrado. Lia o livro acima, que um amigo, recém chegado do México, lhe havia trazido. Depois de reclamar do calor e com a gola da camisa encharcada de suor foi logo desabafando: na luta por sua suposta "liberação" e "emancipação" é consenso geral, (inclusive entre elas próprias) que as mulheres, de todas as idades, medidas e níveis culturais estão se tornando cada dia mais odiosas, narcisistas, manipuladoras, violentas, nefastas, dissimuladas, sectárias, exploradoras, assexuadas e cruéis. Segundo um professor de literatura daqui da cidade, uma dessas "heroínas" chegou até a querer proibi-lo de, em uma aula, analisar e discutir a famosa frase de Nelson Rodrigues segundo a qual "Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais". Se gostam, não sei, - falou meio exaltado e sem nenhum vestígio de misoginia - mas que elas têm uma certa cumplicidade com o agressor... Ah.., isso têm. Em seguida lembrou-me outra frase do irônico Nelson: "As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado". Enquanto ele ia falando e eu pensava na tal Lei Maria da Penha me veio em mente três outras frases que desagradariam profundamente aquela idiota autoritária da sala de aula: uma do velho Freud, uma da psiquiatra Nise da Silveira, e outra de Nietzsche. 
O que querem elas? se perguntava quase em desespero e quase como meu amigo mendigo, o velho psicanalista. 
Nise da Silveira, a alagoana que foi discípula de Jung acusava: os homens são maus, mas a mulher é
perversa. A mulher sabe ser ruim como o demônio. Uma engana o diabo. Duas enganam o inferno inteiro. E já Nietzsche, o louco filósofo alemão, ainda quando estava na universidade de Leipzig, recomendava: sempre que fores encontrar uma mulher é bom levar um chicote.
Depois de um longo silêncio, aquele homem indigente, arruinado e sem amanhã, com as calças aos farrapos, o suor lhe descendo pelas carótidas e bem desolado murmurou, mais para si mesmo do que para mim:
E nós que as idealizamos... que as queríamos e que as desejávamos tanto!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Eis aí a besta reencarnada...


Britânico entediado com a humanidade resolve viver como uma cabra nas montanhas suíças...

[Nous avons refusé ce que voulait en nous la bête, et nous voulons retrouver l'homme partout où nous avons trouvé ce qui l'écrase].
A. Malraux

domingo, 4 de outubro de 2015

E a religião começa a apelar até para outros tipos de animais...

"É a preferência dada à prova histórica sobre as demais que deu curso a tantas falsas religiões. Uma vez estabelecido que o testemunho dos homens devia prevalecer sobre o testemunho da razão, a porta estava aberta a todos os absurdos; e a autoridade, substituída em toda parte aos princípios mais evidentes, fez do universo uma escola de mentiras..." (Diderot)


Entre as centenas de "santuários" que existem aqui em Brasília, um dos mais exóticos é o conhecido por Santuário São Francisco de Assis, a poucas quadras de minha casa. Neste dia 04 de outubro o referido santuário - para que vejam -  celebrou uma missa especialmente para animais e, por incrível que pareça, nela compareceram uma centena de cachorros de todas as raças, tamanho e cores, gatos de rua e angoras e até passarinhos, de sabiás a pica-paus, para uma benção coletiva. Não satisfeitos com a humanização dos bichos, querem agora catequizá-los. Como o meu Lhasa Apso é ateu, ficou aqui na varanda, com sua cara de chinês, só rosnando e olhando o movimento incompreensível, pérfido, beato e desvairado do mundo.

E aí, otário, já engoliu seu agrotóxico hoje?

A notícia abaixo (Folha de SP) deveria ser motivo para uma guerra civil imediata.
Desde que nasci ouço esse papo do uso abusivo de venenos nos alimentos e nenhuma medida até agora foi tomada para evitá-lo. Para por fim a essa canalhice, bastaria que a tal ANVISA saísse de sua inércia e decretasse 120 chicotadas a cada agricultor que fosse pego envenenando os produtos que produz, que o obrigasse a fazer a "pulverização" sem luvas e sem máscaras e, em seguida, ingerir, em jejum, cinco ou seis pepinos e pimentões desses cheios de agrotóxicos que se comercializam por aí nos mercados. Pimentões, uva, mamão, morangos, bananas, pepinos e até alface... tudo contaminado. Você que gosta de gabar-se de que para manter sua forma e sua saúde costuma comer frequentemente uma suculenta salada grega...  está se iludindo e se envenenando sem saber.
Enfim, só para não esquecer: está mais do que evidente que somos uma espécie suicida, burra e idiota que se até agora ainda não comeu merda enlatada, foi porque nenhum empresário ou nenhum agricultor despertou para essa lucrativa e brilhante idéia. Uma espécie que, misteriosamente, faz de tudo para tornar a existência um inferno sempre pior! (veja-se o trânsito nas ruas e o ambulatório dos hospitais...)

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1689919-sem-controle-alimentos-circulam-no-pais-com-agrotoxico-irregular.shtml

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O pudor e a malicia dos verbos...

Até a semana passada, em qualquer mercado que se fosse, na hora de pagar sempre se ouvia as moças dos caixas ordenando, umas maliciosas outras com ar de verdadeiras santas: - Por favor, pode introduzir ou então por - favor, pode botar! E, uns instantes depois, num verdadeiro e malicioso murmúrio: pode tirar! - referindo-se ao cartão de crédito claro.
De uns dias para cá, não sei o que aconteceu, todas substituíram o verbo introduzir e o verbo botar pelo verbo inserir e retirar: - Por favor, pode inserir seu cartão! Por favor, pode retirar seu cartão!
Seriam os sinais de uma tola dessexualização? De uma revolução sexual às avessas? O eco do pudor e do moralismo que galopam nas curvas fervilhantes das esquinas?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Entre patos e aves de rapina...



Dizem os historiadores que a expressão PAGAR O PATO pode ter sua origem numa velha história do século XV que é mais ou menos assim: um vendedor de patos passou em frente à casa de uma mulher casada com vários patos numa pequena carroça. A mulher ficou interessada em comprar uma daquelas aves e propôs ao camponês pagá-la com favores sexuais. A proposta foi aceita, só que como o homem queria seguir bolinando mais do que o tempo que a mulher achava que o pato valia, entraram numa discussão interminável até que o marido chegou. Preocupado, quis saber o motivo daquela discussão. A desavença - explicou-lhe a mulher - era em função do preço do pato, já que ela não dispunha de dinheiro suficiente para pagá-lo. Querendo por um fim àquela discussão "insana", o marido abriu a pequena bolsa de couro que levava amarrada à cintura e pagou o camponês. Literalmente - dizem - pagou o pato!

Saudosa maloca...