"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 29 de agosto de 2015

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Coisas da pós-modernidade... Ou desse grande e patético circo...

"Es demasiado tarde para que la humanidad 
se emancipe de la ilusión del acto, es sobretodo 
demasiado tarde para que se eleve a la santidad del ocio..." (Cioran)

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Leitura necessária: Diálogos sobre la religión natural (David Hume)


http://bdigital.uncu.edu.ar/objetos_digitales/4614/3baranzelli.pdf

Povera e infelici gente...

Nesta quinta-feira acordei quase Zen! 
Os periquitos e um casal de João-de-barro sarreando em minha varanda enquanto meu Lhasa olhava o mundo sereno como uma esfinge e meu coração batia no ritmo certo.
Até que..., de repente... uma furadeira acionada no andar de baixo estremece o prédio inteiro e a peãozada da frente ligou suas makitas... um pouco mais tarde o telefone toca: é a moça de um grande jornal me comunicando insistentemente que "fui sorteado" com uma assinatura de jornal, que havia um prêmio após a assinatura e etc, etc. Como já caí nesse golpe fui curto e grosso.
Meia hora depois, com a furadeira ainda a todo vapor, foi a moça de uma agência de telefones celulares que me chamou para propor um novo plano, um plano que seria - segundo ela -  uma maravilha, que mudaria minha vida e que através do qual eu "economizaria" uma pequena fortuna mensal... Outra farsa! Novamente fui curto e grosso.
Em seguida a moça de uma instituição "filantrópica" entrou na linha e me prometia o paraíso se eu colaborasse com uns 80 dólares para as crianças fodidas do Brasil. Outra farsa.
Um pouco mais tarde alguém de um banco me fez uma ligação "achando que eu era outro": Marketing vagabundo de larápios!
Depois recebi um e-mail da Biblioteca Central da Unb lembrando-me que fiz um empréstimo e que devia devolver com urgência dois livros, um cujo titulo é Saúde e espaço/estudos metodológicos e o outro Saúde e doença/ um olhar antropológico. Chequei as datas e enfrentei o sol infernal e a secura de deserto desta manhã para fazer a tal devolução só que a biblioteca, em greve, estava fechada.
Voltando para casa, uma empresa de nome esquisito tocou meu interfone para lembrar-me que a "vela" de meu filtro já deveria ter sido trocada há quase um século e que se eu não o fizesse de imediato poderia ter uma morte súbita, uma febre tifóide ou, pelo menos uma leucemia. 
Isto, sem falar da psicóloga/sexóloga que ontem, lá pela meia noite, no programa de um Stand Up deu aulas, técnicas e lições de como fazer uma introdução anal.
De decente e bom mesmo, só o livro de Paganini que está chegando da Livraria Sant'agostino (Roma) e este texto maldito de Hume que me foi enviado pela Claudia, texto onde o filósofo cético tenta explicar o sentido, as origens e as idiotices do "criador" deste pobre mundo: 
{Apenas o primeiro e rude ensaio de alguma deidade infantil, que depois o abandonou, envergonhada de seu mau desempenho; apenas o trabalho de alguma deidade inferior, dependente; e objeto de escárnio de seus superiores; o produto da velhice e da senilidade de alguma deidade aposentada; e que, depois da morte desta, continuou suas aventuras a partir do primeiro impulso e da força ativa que dela recebera...}

sábado, 15 de agosto de 2015

As ilusões da senectude...

Sempre que estaciono ali no edifício das clinicas me deparo com um "cuidador de carros" que já "trabalha" lá há uns dez anos e que sempre se dirige a mim com esta frase: e aí garoto! Tudo bem?
E já percebi que não sou o único a receber essa deferência e essa complacência surrealista. Outros velhinhos vaidosos e até mais fodidos do que eu, que descem de seus carros com dificuldade e quase se arrastando para irem fazer exames de sangue, quase sempre com um vidrinho e uma latinha onde levam suas preciosas fezes e sua preciosa urina são chamados de garotos.
Garoto um caralho! - fico pensando. Garotos como?, se já estamos prá lá de Bagdad e com um pé na cova!? Que cinismo e que descaramento o desse cara!
Mas percebo que os velhinhos gostam. Ficam radiantes quando alguém diz que parecem ter menos idade do que têm, que seu Hemograma parece o de um garotão, que sua creatina está mais do que normal, que a pressão arterial está igual à de uma jaguatirica, que vão chegar aos cem anos com todos os dentes no lugar e sem nenhuma dor de cabeça e etc.
É curioso e incompreensível que apesar dos pesares, todos queiram continuar rastejando por este árido e desvairado planeta...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O deserto é aqui... (as fotos são minhas e não há nenhum direito autoral sobre elas)

















Psicologia dos usuários das "faixas para pedestres"...

"Qualquer modo de vida que aniquile o prazer e a pureza dos meios, pelo bem de um futuro natural ou supernatural, transforma a vida num frio e sujo corredor, onde não há felicidade..." Louis Fischer

Apesar do Brasil e principalmente de Brasília se jactar de ser uma das primeiras cidades do mundo a implantar as tais "faixas para pedestres", (é sabido que em cidadelas portuguesas elas já existem e são respeitadas há décadas). 
Independente disto, preste atenção como cada sujeito, dependendo de sua idade, de seu status, de sua arrogância e muito mais de sua ignorância tem um jeito especial "uma psicologia" própria para entrar e atravessar a tal faixa.
- O adolescente cabeludo, com uma estampa do Che na camiseta e que ainda não sabe nem limpar-se o cu mas que ainda acha que salvará o mundo, entra na faixa bruscamente, sem dar sinal nenhum ao motorista, obrigando os carros a arrastarem os pneus... e caminha o mais lentamente possível, desafiando o mundo da máquina e, principalmente, "achando que está exercendo seu direito de cidadania".
- Os mais pobres e fodidos atravessam quase correndo, olhando para os carros parados quase pedindo clemência e desculpas e nem acreditando que o trânsito parou por sua causa.
-Os velhinhos de bengala, com uma sacola de remédios numa das mãos e na outra meia dúzia de pães franceses, nem olham para os lados, vão enfezados, prontos para matar alguém a bengaladas e olhando fixamente para o asfalto enquanto repetem para si mesmos os parágrafos básicos do Estatuto dos Idosos...
As ninfetas, estas jogam os cabelos para os lados, empinam as maminhas, enfiam as mãos nos bolsos e, fingindo inocência, procuram salientar seus outros atributos ainda em crescimento e transformam aqueles vinte passos num verdadeiro show, mesmo sem saber se quem está no volante é um psicopata ou um demente...
As freiras, principalmente as da congregação da Madre Tereza de Calcutá dão uma corridinha ou atravessam naquele passinho típico, curto e rápido, com as mãos delicadas apertando o crucifixo que levam entre as tetas... Como se cristo pudesse, de alguma maneira, vir auxiliá-las...
As putas, dependendo da hora, vão escrachadas ou quase elegantes arrastando o salto dos sapatos ou das botas no asfalto, e olhando de soslaio para os motoristas, querendo checar se já os conhecem de "outros carnavais"...
Os fumadores de cannabis ou de Crack vão como se estivessem pisando sobre as nuvens de Magritte...
A turma das bicicletas, os naturistas e os ambientalistas, quando não estão de máscaras de oxigênio, fazem de tudo para lembrar aos apressados motoristas que a via é dos pedestres, que os carros são uma aberração e que, em última instância, entre uma bicicleta e um Jeep não há diferença alguma.
Enfim, aos motoristas só cabe prestar o máximo de atenção para não acabar atropelando um desses idiotas e pegar cinco anos de Papuda. Os que se atrevessem a defender a tese de que a rua foi feita e é literalmente para os carros, assim como as veredas e as trilhas são para os pedestres, seriam facilmente executados...

domingo, 9 de agosto de 2015

VIDAS SECAS... (9-08-2015) + ou - às 18:00 horas

"Nós não somos daqueles que sugam pedras para esquecer a sede e para fingir que a estancaram".
p. 169 Áden Arábia (Paul Nizan)