"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

E Brasília tenta emancipar-se...

Nesta segunda-feira, numa espécie de surto primaveril, Brasília tentou deixar de ser um vilarejo suburbano para exibir-se como metrópole: protagonizou um incêndio de "grandes proporções" que ainda está fumegando e até um sequestro. Sim, um sequestro! O sequestrador roubou a cena durante oito horas. Período em que a mídia não conseguiu falar sobre outra coisa. Evacuaram os duzentos e tantos hóspedes do Hotel San Peter! Atenção: evacuaram do hotel e não no hotel! Depois de todo o circo as polícias especializadas descobriram que tanto as "bananas de dinamite" como a pistola do sequestrador eram de "mentirinha". 
Mas até um sequestro falsificado! Não bastam os remédios, a gasolina os dólares e os alimentos???
Não adianta... a vocação, a tradição e o amor desta cidade pela falsificação e pelo blefe é insuperável. 
Agora que a normalidade já retornou, que todo mundo já destrancou as portas, que o sequestrador/terrorista está engaiolado e o refém cercado de enfermeiros, impossível não lembrar da frase de Cioran: "Sou um terrorista fracassado, ainda não coloquei uma bomba na minha alma!"

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Para espantar os homens...


Sabe-se que em algumas culturas as mães mostram as vulvas cabeludas para assustar as crianças. Essa aí da foto, diz ter implantado um terceiro seio com a mesma finalidade, só que em relação aos homens... Não quer mais ser desejada - Diz. 
Que tal? Bem, pelo menos o Ministério da saúde, os filhotes e os pediatras podem ficar tranquilos que leite não faltará e que a amamentação estará garantida... (e que as filas nas clínicas psiquiátricas estarão cada vez maiores...)









domingo, 21 de setembro de 2014

Borges e Calvino...

1. Antes de ontem ou anteontem, almocei com um filósofo que leu todos meus livros e que, apesar de chamar-se Samuel, não tem nada a ver com a Kabala e nem com os massacres da Palestina.
Enquanto ele ia relatando sua recente caminhada pela Suíça e pela Itália eu ia pensando na pobre vaca que teve que ser sacrificada para que pudéssemos estar ali amaldiçoando o universo e devorando aquele filé mignon grelhado coberto de molho madeira.
Como sabe de minha curiosidade por cemitérios, contou-me com ênfase que visitou a tumba de Borges no Cimetière des rois em Genebra e mais, que o mais fantástico escritor de todos os tempos está sepultado exatamente ao lado de Calvino. Sim, Calvino, o conhecido teólogo cristão morto em 1564...

2. Hoje de manhã, na caminhada que faço diariamente para desenferrujar os joelhos e para acalmar a fúria de meu coração, cruzei com duas mulheres, uma gorduchinha com as banhas caindo-lhe por sobre um cinturão de algodão desbotado e a outra, extremamente fina e alta com uma blusa azul com botões de madrepérolas brancos. Percebi de longe que iam falando com ar grave e com uma seriedade fora do comum... No exato momento em que nos cruzamos, ouvi este fragmento de frase da magricela que parecia Don Quijote: 
"Eu também sou assim, quando vejo uma rola saio correndo!" 
Segui minha caminhada visivelmente decepcionado, mas raciocinando: Talvez elas tenham razão, pois a rola, que serve antes de tudo, para mijar, também estupra, desvirgina, transmite gonorréia, aids e, ainda por cima engravida...

sábado, 20 de setembro de 2014

Noticias do inferno...

... E o calor em Brasília continua fazendo qualquer um lembrar das futuras fornalhas do inferno...
Tenho ouvido diariamente os candidatos com suas "teologias partidárias" prometendo vantagens e melhorias para a cidade, mas, curiosamente, não saem da balela da "educação", da "saúde " e da "segurança"...  e nenhum toca nesse assunto. 
Eu mesmo, que acho o voto e a república duas excrescências e uma infâmia só, e o mundo - como dizia L. B. -  um caos provido de urnas eleitorais, votaria naquele crápula que prometesse: 1. lançar sistematicamente mísseis em direção ao sol até despedaçá-lo e excluí-lo da Via Láctea; 2. cobrir as avenidas com caramanchões; 3. fazer brotar água fresca a cada esquina; 4; provocar chuva a todo final de tarde; 5 resgatar o frescor lunar e, em último caso, transferir a cidade para subterrâneos... 
Sim, viver num bunker deve ser muito mais agradável que andar por aí nesse sol infernal que faz ferver nossas veias e murchar nosso pau.
- E a ausência de fotosintese? Me pergunta um leitor.
- Ora, -lhe respondo -  completaria sem escândalos e amavelmente o "serviço".

domingo, 7 de setembro de 2014

Reflexão dominical...

Da varanda de minha casa posso ver uma igreja que fica situada na quadra 308 norte. Como hoje é domingo (e dia da pátria) o pátio da frente vai ficando rapidamente lotado. 90% mulheres. O que essas loucas pretendem das divindades, afinal? 
Umas com véus negros (possivelmente viúvas), outras bem mais jovens cobertas de branco a roupa discreta (nada de tetas balbuciantes) e nada de joelhos separados demais, e todas parecem felizes e esperançosas. 
Qualquer leigo até identificaria em cada uma delas vestígios de virgindade e de santidade. 
Quando do interior do templo chega o sonido de uma campainha, todas se apressam a subir os degraus e a penetrar naquele lugar supostamente sagrado. Enquanto observo esse movimento todo penso numa frase de Henry Wadsworth Longfellow: "Pó és e em pó voltarás a ser não foram palavras ditas à alma".

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O mantra do mendigo K...

Depois de mais de dois meses hoje reencontrei o mendigo K.
Estava como um tigre beirando a cerca do Conjunto  Cultural do Banco de Brasil onde amanhã cedo haverá uma palestra do fotógrafo Sebastião Salgado. Veio imediatamente confidenciar-me que estava lendo meu último livro INVENTÁRIO DE CRETINICES, lançado na quinta-feira passada.
Para que não parecesse lorota ou bajulação vagabunda retirou-o da mochila que levava às costa e mostrou-me na página 15 uma frase sublinhada de amarelo, dizendo;  "a partir de hoje esta frase será meu mantra". E a repetiu em voz alta:

"VIVO NUM MUNDO DE MERDA, MAS ESTOU FORTE E NÃO TENHO MEDO!".