"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 22 de maio de 2012

O réu e a consciência das palavras...


Quem assistiu a sessão da CPMI do Cachoeira nesta tarde teve mais uma vez a chance de entender porque somos um povo e um país desgraçado... Uma pátria condenada a viver por muitos e muitos séculos ainda aprisionada nessa asquerosa teia jurídico-bacharelesca... Nesse lodaçal de palavrórios, de astúcias advocatícias, de cumplicidades entre iguais e entre desiguais, nessa pocilga de olhares maliciosos, de boquitas vorazes e imensas, de mensagens subliminares, de intercâmbio de falsidades, de desesperos estéreis e inúteis...
Eu, pessoalmente, não consegui olhar uma única vez para o acusado com outro sentimento que não o da mais pura e legítima simpatia.  Ele pelo menos, com sua recusa de responder as indagações dos inquisidores, talvez estivesse querendo nos lembrar  - como insinuava Elias Canetti em seu texto A língua absolvida - que  a linguagem foi esvaziada, prostituida, esgotada das suas melhores substâncias e que através das palavras já não é possível expressar mais porra nenhuma... 
Agora, imagem que me provocava asco e os mais detestáveis sentimentos durante toda a sessão era a do advogado do réu, ao lado, sussurrando-lhe artimanhas e astúcias para burlar os confusos e duvidosos protocolos civilizatórios. Ver ali um homem que ainda é chamado de Ministro da Justiça orientando o contraventor de como engabelar a Justiça, o Congresso Nacional e a sociedade como um todo e ainda por cima sendo melosamente elogiado pela turba parlamentar, me pareceu algo inadmissível e fora de propósito. E  digo isto não por moralismo e muito menos por patriotismo, mas por puro amor-próprio...
- Ah, mas é esse o papel de um advogado!!!  O acusado não quer falar? Está respaldado pelo Art. 5, LXIII da Constituição Federal!!! - resmunga o populacho.
É verdade, mas então extinga-se o Direito e atualize-se a Constituição!!!

A balela da crise européia / Ou: não se preocupem, o sistema capitalista renascerá de vossas cinzas... (El roto)


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quem não sabe o que busca não entende o que encontra...

A decisão vingativa e pueril de tornar público o acesso aos contra-cheques dos funcionários públicos, entre todas as inevitáveis e nefastas consequencias que provocará no seio das hordas, incrementará tremendamente o inferno de intrigas, de rancores e de sentimentos insanos entre o populacho. Seria muito mais decente que, ao invés dessa atitude policialesca e tola se criasse critérios científicos para avaliar, qualificar, remunerar e supervisionar a esses servos da modernidade. Com essa decisão insana e mesquinha de "caçar" os que ganham "mais", se estará, na verdade, deixando de lado a lama dos detalhes e humilhando, expondo e envergonhando a milhares e milhares de pessoas que ganham "menos". Ridicularizando a profissionais extremamente competentes que há décadas vêm se submetendo compulsoriamente a salários indignos e a condições miseráveis de trabalho enquanto uma casta de vigaristas, de pulhas taciturnos e de "não funcionários públicos" continua saqueando em todas as direções com sua intimidade preservada. Independente desse ato ridículo e pérfido de alcaguetagem oficial (em nome da transparência e da moralidade) observem como estamos passiva e voluntariamente construindo e deixando construir ao nosso redor uma rede repugnante de censores e de controladores... E quem é que não sabe que o patrulhamento, para passar do salário para o gozo, do gozo para os sonhos e dos sonhos para as ideias é só uma questão de tempo... Só aqui em Brasília - por exemplo - existem, no mínimo, umas vinte ou trinta categorias de polícias: fardados, civis, disfarçados, travestidos, engravatados, com cracha, sem crachá, fantasiados de sindicalistas, de professores, de putas, de taxistas etc., sem falar dos computadores, dos celulares, do exército de paranóicos e de informantes voluntários e das câmeras espalhadas por todos os lados e que registram desde uma coçada no saco até os grãos de feijão que se rumina. Agora até entre os bêbados dos bares estão querendo infiltrar espias com o pretexto de diminuir a mortandade no trânsito. Tenho certeza que até o velho Stalin, se passasse uns dias por aqui, ficaria perplexo com esse teatro melífluo (existe essa palavra?). Quê triste destino o dessa sociedade! Quê misteriosa atração dessa gente pela baixeza, pela mediocridade e pela indigência mental!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

lições de sarcasmo...


Nos dias em que não tenho absolutamente nada para fazer costumo baixar as mangas, abotoar a gola da camisa, endireitar as pontas do bigode e entrar num banco qualquer para simular um empréstimo. Os cabelos brancos ajudam e muito nesse tipo de aventura. Os funcionários e principalmente os gerentes já sabem que normalmente se trata de um velhinho arruinado que já está com um pé na cova e que quer dinheiro emprestado para pagar dívidas e morrer sem dever nada a ninguém... Mesmo que o chefe esteja ocupado sempre dá um jeito de dar-me prioridade, chama logo a secretária que vem toda prestativa e com a calça enfiada entre os grandes lábios para oferecer-me um bombom de hortelã e o clássico copo de água.
- Então o Dr. precisa um empréstimo de 200 mil reais?!?! Hunn... Compra de imóvel, lancha, automóvel??? e já vai teclando o computador, olhando-me as unhas e os dentes de soslaio para saber se não está ali perdendo seu precioso tempo ou mesmo correndo o risco de colocar o dinheiro do patrão numa fria...
- Duzentos mil.... duzentos mil... Nossas condições e nossos juros são os melhores, o senhor sabe?,... hã...hã...hã... Essa época é boa dr... houve uma boa redução nas taxas... A dona Dilma tá botando pra quebrar! 200 mil!!! 200 mil!!! Vamos ver a simulação... Pronto. O dr... terá uma prestação de três mil reais mensais descontada já no seu contra cheque, durante vinte anos... 
Três mil mensais durante vinte anos? Está bom mesmo! - Recito olhando-o singelamente nos olhos. Puxo uma caneta e vou rabiscando e falando ao mesmo tempo: Deixa-me ver... Vinte anos! Vinte anos são... 240 meses... cada mês 3 mil... então significa que pelos 200 mil vou pagar ao banco 720 mil?
- É isso mesmo doutor! Em nenhum outro banco o senhor encontrará algo melhor...
Involuntariamente pronunciei em voz alta: vá foder outro meu amigo!!! Quê porra de redução de juros é essa??? E no traseiro, não vai nada??? Tive a impressão que ele não entendeu minhas três indelicadezas e voltou a fazer cálculos e mais cálculos em seu computador como se estivesse apenas aguardando minha decisão de penhorar ou não as tripas naquele covil...
Promessas de um lado e de outro... até que me retiro com seu cartão e telefone na mão, pronto para explodir numa gargalhada, mas ruminando sobre a origem da usura, do cinismo, da canalhice e do agiotismo generalizado e principalmente na diferença que há entre assaltar a mão armada e assaltar assim, engravatado e sorridente, respaldado pelo Estado, pela Justiça e até mesmo por suas próprias vítimas...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

OS LIMITES DO NARCISISMO... OU, A BURGUESIA FEDE!!!


O affair da moça que na semana passada teve algumas fotos pirateadas de seu personal computer e divulgadas na internet por uns sedentos voyeristas tem propiciado várias discussões aqui na Capital da República, não apenas nos meios acadêmicos, mas nas ruas e até mesmo entre a peãozada que transita de uma obra a outra vendendo seu sangue aos mesmos patrões de sempre. Uma dessas discussões insistia na triste decadência e na triste desmoralização da verdadeira e heroica pirataria do passado, aquela gerenciada por bandidos corajosos, ilustres, caolhos e manetas que com suas garruchas e espadas infestavam e aterrorizavam os mares caribenhos para saquear  dos navios as riquezas que a monarquia espanhola vinha rapinando nos territórios peruano, colombiano, panamenho, mexicano etc. Que distância absurda entre aqueles piratas destemidos de alto mar e os pobres garotos de agora, enclausurados em seus insalubres casebres, viciados na internet e eufóricos por usurparem umas míseras imagens e retratos de pobres mocinhas anêmicas ou de pobres e gorduchas donas de casa se olhando as nádegas nos espelhos, fornicando consigo mesmas, treinando gemidos libidinosos, depilando-se as partes menos visíveis... imitando Messalina com pequenos baby-dolls transparentes ou, quase hebefrênicas lendo autoajuda longa e confortavelmente no trono... Outra das discussões que esse caso gerou coloca o foco sobre as inúmeras perversões domésticas praticadas cotidianamente, mas que ninguém quer ver tornadas públicas. Verdadeiras loucuras e bizarrices escatológicas que cada um chega a praticar na solidão insólita de seu próprio corpo, com seus buracos, ruídos, fedores... com os elementos que são expelidos por eles e com suas análogas paranóias... A outra, mais sofisticada e mais erudita, que realmente só ouvi em círculos bem mais restritos, especulava sobre os limites contraditórios do narcisismo. De como deve ser difícil passar a vida inteira programando-se para gabar-se, para mostrar-se, para exibir-se, para pavonear-se, para turbinar as fantasias pansexuais do populacho etc.,... e de repente, (por razões não muito fáceis de explicar) ter que recuar, voltar atrás, recolher os gestos, as fotos, as poses, as palavras, os cheiros, os chiliques e às vezes até o delírio de grandeza e de perseguição... Aliás, tanto o delírio de grandeza como o de perseguição – nos lembra Szasz – são processos psicológicos através dos quais o sujeito procura se defender do sentimento insuportável de sua própria mediocridade...
Enfim, sempre que acontecem coisas desse tipo por aí, seja com o modernismo da internet ou como no passado, pelo buraco da chave, volto ao mesmo local de minha biblioteca, apanho a mesma obra de 1200 páginas e releio os mesmos vinte ou trinta parágrafos que sempre e sempre me convencem da mesma coisa: a burguesia fede!

domingo, 13 de maio de 2012

Fênix... uma ave sem mãe...

No meio da multidão que comprava pequenas porcarias para presentear suas mães encontrei novamente o mendigo K. Estava meio atordoado com o zum zum zum da tropa e foi logo cantarolando: Mãe é mãe... vaca é vaca... Sorriu por uns instantes e resmungou: sorte que nem sequer conheci aquela que me pariu...  Desde minha infância - foi confidenciando já com outro humor - a ave que mais me fascinou foi sempre a fênix. Coincidentemente, ela também não tinha mãe! Apesar de sua imagem lembrar vagamente a de uma galinha, sempre esteve em primeiro lugar no zoo de meu imaginário. Mesmo que seja tudo mentira e infantilização o que os chineses, os egipcios e os gregos (na poesia de Hesíodo) disseram sobre ela, o mito ao seu redor é encantador e quase terapêutico. Já imaginou um ser que entra em combustão espontânea, é aniquilado pelo fogo e que em seguida renasce das próprias cinzas? Pois é, esse era parte do ciclo existencial dessa ave. E mais: só existia uma no mundo! Uma única... e que normalmente vivia até quinhentos anos! Existirá maior condição de soberania do que essa? Os russos acreditavam que ela estava sempre em chamas, daí a razão de a conhecerem por Pássaro de fogo. Dizem que essa ave fascinante - que foi até usada pelos cristãos para fortalecer o sofisma da ressurreição e da eternidade - quando sentia o "peso da idade" preparava ela mesma uma pira funerária e se imolava sobre ela (ilustração acima). Sabe-se que o Benu do Egito tinha uma história parecida e que quando já havia vivido o suficiente voava para a cidade de Heliópolis (hoje periferia do Cairo), pousava sobre a pira de um deus da época, se deixava queimar soberbamente e renascia das cinzas. Um relato mais poetizado ainda - seguia confidenciando-me com entusiasmo - diz que essa ave montava uma pira com ramos de sálvia, canela e mirra e sobre ela, emitindo apenas um canto melancólico, ardia no meio das labaredas. Ao renascer das cinzas colocava delicadamente os restos da ave incinerada dentro de um ovo de mirra e ia depositá-lo num altar de culto ao sol. Isso não é estupendo?
Fez uma pausa para ironizar o exército de mulheres que passava carregando sacolas e mais sacolas de presentes e voltou a cantarolar: mãe é mãe, vaca é vaca...  Gargalhou e voltou ao mesmo  tema: 
Em a Princesa da Babilônia, Voltaire, tratando da ressurreição da a palavra a uma fênix: 
          — A ressurreição – disse-lhe a fênix, – é a coisa mais simples deste mundo. Não é mais surpreendente nascer duas vezes do que uma. Tudo é ressurreição no mundo; as lagartas ressuscitam em borboletas, uma semente ressuscita em árvore; todos os animais, sepultados na terra, ressuscitam em ervas, em plantas, e alimentam outros animais, de que vão constituir em breve uma parte da substância: todas as partículas que compunham os corpos são transformadas em diferentes seres. É verdade que sou o único a quem o poderoso Orosmade concedeu a graça de ressuscitar na sua própria natureza.
          
          — E tu – perguntou o rei da Bética à fênix, – que pensas a respeito da
pretensão humana de dominar o conhecimento sobre a origem dos homens e, enfim, de todas as coisas?
          — Sire – respondeu a fênix, – sou ainda muito jovem para estar informada da antigüidade. Não vivi mais que uns vinte e sete mil anos; mas meu pai, que viveu cinco vezes essa idade, me dizia haver sabido, por meu avô, que as regiões do Oriente sempre foram mais povoadas e mais ricas que as outras. Sabia, por seus antepassados, que as gerações de todos os animais tinham começado às margens do Ganges. Quanto a mim, não tenho a vaidade de ser dessa opinião. Não posso acreditar que as raposas de Albion, as marmotas dos Alpes e os lobos das Gálias venham do meu país; da mesma forma, não creio que os pinheiros e os carvalhos das vossas regiões descendam das palmeiras e dos coqueiros da Índia.


          — Mas de onde vimos então? – indagou o rei.
          — Nada sei – respondeu a fênix. – Desejaria apenas saber para onde poderão ir a bela princesa da Babilônia e o meu querido amigo Amazan.

..................................................................................

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Não sei se Lacan ainda insistiria na tese de que: SÓ A CIÊNCIA É SUBVERSIVA...



Por aqui ainda se ouvem os ecos do escândalo da semana passada, quando um “psicanalista” foi acusado de racismo contra a moça da bilheteria de um cinema. A Tevê tem mostrado repetidamente e com um certo sadismo as imagens daquele pobre homem com mais de 60 anos fugindo dos guardas pelos labirintos do shopping. Prestem atenção como quando alguém dessas áreas nebulosas comete algum deslize ético/moral, o resto dos mortais parece orquestrar rapidamente uma espécie de inquisição vingativa contra ele. Até mesmo algumas das inúmeras associações e sociedades (psi) da cidade entraram em gozo e burburinho com a desgraça do colega. Quem é o Sujeito do Cogito resmungavam uns lacanianos... Enquanto na outra esquina, os de uma confraria oposta seguiam brigando para saber se o Sintoma é mesmo um Significante ou se o Significante é que é um Sintoma... Acusações daqui, malignidades dali. Farpas, ironias e injurias de um lado, atos defensivos e vingativos de outro sempre com abundância de veneno em fermentação. Disputas comerciais. Reuniões secretas. Análises intermináveis. Freud e Fliess invocados em ambientes sombrios. Dizem que até Pavlov e Madre Teresa de Calcutá apareceram numa sessão didática e que Lacan, portando um chicote com um nó górdio na ponta teria incorporado numa febril analisanda... 
Enquanto isso... o dia-a-dia da saúde mental tanto na cidade como na periferia (apesar dos relatórios da Secretaria de Saúde) continua semelhante ao que existia antes de Pinel. Mas saúde mental nem sequer entra no orçamento dos governos... O que é a saúde mental? - Insistem com altivez e descaso os burocratas. A situação é tão grave que por melhor que escrevas e por melhor que te esforces para descrevê-la tua descrição ficará sempre muito abaixo da realidade... Não acreditas? Vá conferir.
Curioso é que só em Brasília existem umas quarenta ou cinquenta entidades do gênero. Umas oriundas de Freud, outras de Lacan, outras de Jung, outras de Reich, outras de Kraepelin, outras de Melanie Klein, outras de Ana Freud, outras de Pichon Rivière, outras de Bleuler, outras de Erich Fromm, outras de Winnicott, outras de Skinner, outras de Chico Xavier, outras que agrupam quatro cinco desses especialistas, umas que são psicodramáticas, outras que se dizem ortodoxas, outras heterodoxas, outras ecléticas e holísticas, outras sectárias, outras herméticas, outras mais profanas, umas selvagens, outras semi-religiosas e umas que até são ministradas por pastores evangélicos. Outros, chamados erroneamente de "psicanalistas", se dizem especialistas em "vidas passadas" e existem também os que consideram Cristo o maior psicólogo, não apenas da palestina, mas de todos os lugares e tempos. Umas dessas confrarias só aceitam “doutores” em suas fileiras, outras que inclusive acendem velas durante suas sessões, abrem seus saberes sem preconceitos até para vigilantes e taxistas etc. Os leigos e a mídia vivem se confundindo e ainda não diferenciam muito bem um psicólogo de um psicanalista, um psicoterapeuta de um psicopedagogo, de um psiquiatra, de um pai de santo, de um curandeiro, de um vigário e até mesmo de um neurologista. O conhecido João de Deus, lá do interior de Goiás, segundo seus pacientes, condensa em seu curriculum praticamente todos esses títulos, sem falar dos Honoris causa... 
Reconheço que realmente nessa área não é fácil distinguir uns profissionais dos outros. Entre eles próprios há uma fronteira invisível, uma guerra silenciosa, uma disputa por pacientes e uma barreira afetiva quase intransponível. A qual deles pertence, afinal, o domínio do cérebro? Do Sistema Nervoso Central e dos hormônios? A quem compete transitar pelas sinapses, "descer" ao inconsciente dos pacientes ou interpretá-lo quando ele encarna na penumbra do oráculo? A quem compete lidar com as emoções? Com os instintos? Os sintomas? A alma? O espírito? A dor? Os afetos? As fantasias? A loucura? A desgraceira social e o ódio dos pacientes? 
Cada um com sua Linguagem, com seus Métodos, Técnicas, Marcos Teóricos e Protocolos, esses "doutores da alma" seguem perdidos e enclausurados em seus solitários consultórios improvisando e se digladiando ao redor do duvidoso e suposto saber ao mesmo tempo em que se esforçam para acreditar que a verdade está de seu lado. Alguns, inclusive, nesta terra sem lei e sem rumo, quando questionados sobre a veracidade de sua “ciência” se escudam na velha e anedótica indagação do soldado romano: afinal... o que é a verdade?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

QUINTESSÊNCIA DA QUINTA...


              1. Na disputa por votos Obama usa cinicamente os gays como massa de manobra e se diz a favor do matrimônio entre eles. Evidentemente, o problema não é o matrimônio entre gays, mas o fato de que o matrimônio (seja entre quem for) já se revelou um equívoco e um problema de saúde pública. Hipertensão, infartos, transtornos mentais, suicídios, impotência, frigidez, atraso de vida e outras enfermidades estão diretamente associadas a ele.
         2. Pesquisa recente sobre os índices de testosterona entre os homens do Exército Brasileiro acusou estarem muito abaixo do normal. Por se tratar das Forças Armadas e de hormônio tão importante, esses resultados não deveriam ter sido mantidos entre os principais segredos de Estado???
         3. O Senado argentino acaba de aprovar a chamada lei da “MORTE DIGNA”, aquela que dá ao paciente o direito de recusar os horrores de uma UTI – Muito bom! Excelente! Um ganho para os doentes, mas um mau negócio para os médicos. Apenas uma objeção: MORTE DIGNA? Toda morte é uma desgraça, uma humilhação e uma afronta à dignidade (se é que existe alguma). 

       4. Dizem que um gringo ficou 13 dias num hotel do Rio de Janeiro, gastou 6 mil só em caipirinhas e tentou zarpar para a América sem acertar contas. Seis mil!? Qualquer contador de zona entende logo que se a notícia for verdadeira, o estelionatário maior nessa história não é o forasteiro, mas o hotel.
           5. Hoje, depois de muito tempo, reencontrei um amigo goiano. Estava com cinco patuás amarrados ao pescoço. Quando percebeu que fiquei surpreso foi logo se explicando: o demônio está solto sobre meu Estado. O Cachoeira está preso; o Senador Demóstenes caiu, um procurador (irmão dele) está na linha de fogo; o governador idem; o Prefeito de Anápolis, idem; dois três deputados idem; um cantor filho de outro cantor está em coma; houve uma chacina na semana passada; ontem caiu um helicóptero... Quer mais? Agora só falta o Rio Vermelho transbordar e carregar a antiga casa de Cora Coralina...

terça-feira, 8 de maio de 2012

OS RIOS E SUAS FRESCAS MARGENS...


Independente do que pensam os sábios, os visionários e até mesmo os ruralistas a respeito do clima, da erosão, do assoreamento, do degelo das calotas, dos calorões infernais das cidades, dos tufões, da morte da terra e das raízes, das chuvas de raios, da desertificação da vida, do extermínio dos grilos, das perobas e das raposas, até os camponeses da Idade da Pedra já sabiam por instinto e por sensibilidade estética que as margens dos rios não são desmatáveis... Lutar para preservá-las, já entre eles devia ser uma obrigação e uma obsessão mesmo que fosse apenas para nelas pendurar uns cipós e ali ficar se espreguiçando até que as ratazanas devorassem de vez esse imenso requeijão que é o mundo... 
 Não é possível - resmungava hoje a tarde um lírico em estado agudo de embriaguez - que os senhores da soja, das vacas, da cana de açúcar e das motosserras não tenham nunca se deliciado à sombra dos arvoredos nativos... junto à penumbra dos córregos e das cachoeiras ouvindo o borbulhar da correnteza, o chocalho das cascavéis e os pingos da seiva fresca que despencam das copas... enquanto ao redor tudo se incendeia e arde num escorchante horror desértico e burocrático de mesquinharias, de monólogos, de intrigas, de códigos florestais e de máquinas... 
Um outro alcoolista que o ouvia resmungou: depois de tão longa e tenebrosa história de degradação tanto do meio ambiente como da vida, de onde adveio, de repente, todo esse cuidado, essa veneração e esse zelo pela terra? Pelos matagais, pelas pedras, pelas serpentes e por seus outros e inúmeros elementos? 
Não obteve resposta alguma.
Apesar desse heroico quixotismo é até estranho pensar que um dia, um belo dia, inclusive o sol em seu esplendor e grandeza terá suas energias esgotadas e se apagará como uma mísera vela esquecida sobre uma lápide... Mesmo que não seja amanhã de manhã... um belo dia se apagará... Ah, mas não se alegrem! A humanidade e principalmente aqueles que já estão exaustos ainda terão que esperar um bom pedaço de tempo...
Por agora, com rios ou sem rios, com as 4 estações ou sem elas, com escorpiões ou sem escorpiões, com degelos ou sem degelos, com pinguins ou sem pinguins, com fotossíntese ou sem fotossíntese, com as burrices deste ou de outros códigos florestais é sempre recomendável ser o mais cético possível. Lembrar que no geral, não somos boa gente e que até agora, em praticamente todos os nossos assuntos cotidianos, as árvores têm servido apenas para esconder o bosque...
...................................................................................................................................................................

Enfim, só para incrementar: em 1878 Eça de Queiroz (um dos poucos portugueses que se salvam) já citava este pensamento de Proudhon: "Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder, da escravidão dos partidos, da veneração da rotina, do pedantismo das sciencias, da admiração das grandes personagens, das mystificações da politica, do fanatismo dos reformadores, da superstição d'este grande universo, e da adoração de mim mesmo".
P.J. PROUDHON

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Viva o anarquismo de Max Stirner...


Muita Veuve Clicquot na Praça da Bastille. Sai Sarcozy entra François Hollande. Apesar do entusiasmo das massas, as eleições são só parte do rodízio malandro da neo-monarquia e protocolos do acordo entre monarcas. 5 ou 10 anos para o socialismo; 5 ou 10 anos para a Direita; 5 ou 10 anos para um governo eclético. Depois volta a direita, retornam os socialistas, reassumem os ecléticos etc. Tudo para dar o que falar à mídia, manter as massas esperançosas e garantir a tal “governabilidade”. Primeiro um católico, depois um ateu, depois um anglicano, um mórmon, um muçulmano, um ortodoxo, um espírita, tudo para não deixar faltar a heroína e o crack espiritual a nenhum bando...  Uns sobem dizendo: Basta de irresponsabilidades! Outros: basta de austeridade! Outros: seguiremos religiosamente as aspirações do povo! Pura demagogia. E nada de significativo se altera. As únicas mudanças ocorridas no último século – para a insônia dos revolucionários de plantão – foram propostas e viabilizadas pelos usureiros e pelos comerciantes. Se não fosse o Jobs e o magnata Bill Gates ainda estaríamos na Idade do Bronze. Vejam a Rússia: ontem reconduziu ao poder o antigo agente da KGB. Vejam a Grécia, a querida Atenas, que a partir de hoje vai ser governada conjuntamente pela extrema direita e pela extrema esquerda.
Nem um pio sobre a falácia que a República tem se revelado. Nenhuma reflexão em curso sobre a necessidade de inventar uma nova forma de administrar as cidades, os países, o mundo. As universidades se converteram em viveiros de papagaios, em agências de empregos e usina de bundões. Os doutores estão cansados, sonolentos e com baixa de testosterona... preferem seguir acreditando e mentindo para seus alunos que as ideias de Platão sobre a política são definitivas e até mesmo eternas... Viva o anarquismo de Max Stirner!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Como dizia o "filósofo" Hitler: O único mal de uma guerra é perdê-la!


Quase 100 mil visitas! Para quê? Se cada uma tivesse me rendido pelo menos uma moeda de dez centavos, já poderia passar uma semana como a do Cabral e a do Cavendish lá em Paris ou nos cassinos de Monte Carlo! Mas não me renderam nada, absolutamente nada! Nos tempos em que a mídia só publicava os textos de seus apaniguados e os  próprios, pelo menos essa profusão interminável de choradeiras, de sintomas e de histerias não era conhecida e nem acessível ao grande público. Ia-se lá nas redações dos jornais implorar e mendigar que um daqueles caras simpatizasse conosco e enfiasse nossas cinco ou seis frases num pé de página qualquer, mesmo que fosse ao lado de propagandas de máquinas de lavar ou de anáguas... E quando a mendicância tinha êxito, voltavamos para casa deslumbrados com a publicação de nossas bobagens enfiada no sovaco. Caso contrário, regressavamos cabisbaixos para nossos cortiços e aqueles rabiscos inúteis ficavam para sempre nas gavetas, nos bolsos ou ao lado dos vasos sanitários para alimentar o narcisismo de seus acocorados, tristes, desenxabidos e vaidosos autores. Agora não! Agora cada pavão e cada mariposa tem uma editora e uma distribuidora em seu quarto. O mal foi triplicado. Qualquer mentecapto lança sua "obra", seus gostos e desgostos pela janela e eles dão a volta ao mundo em muito menos tempo do que aquele que precisou Marco Polo para suas peripécias. Cada sujeitinho, por mais desprezível que seja tem seu twitter e é seguido por manadas inteiras... Mas, para quê? Que fantasias alimentam essa compulsão infantil de quem escreve e de quem, por achar-se importante, continua engendrando frases, páginas e mais páginas? O quê faz essa gente acreditar que elas sirvam para alguma coisa e que, transitando pelo mundo a fora lhes garantam alguma distinção ou algum ganho? E os leitores? O que esses 100 mil acessos - por exemplo - significaram para aqueles que, desde suas alcovas se propuseram a visitar diariamente esse MuRRo de lamentações? Ler as próprias merdas, todos os dias, ainda vai... mas ler as merdas dos outros incansavelmente!!! Quanta ociosidade e quanta falta de substância! Pelo menos as míseras 7 notas musicais deram origem a toda a monumental obra de Bach ou de Mozart!!! Já as vinte e poucas letras dos nossos alfabetos... o que nos proporcionaram além desse mar de leroleros, dessa mesmice melancólica e desse salivamento de pretensiosos!!! E falam de si mesmos quase como se fossem divindades. A Bienal do mês passado foi um show nesse particular! Uns confessam que demoram até um ano para deixar pronta uma página ou até mesmo um trocadilho; outros acreditam que são porta-vozes do além, que são possuídos por uma "inspiração" vinda de outras constelações, que suas macaquices só serão compreendidas daqui a quatro ou cinco milhões de anos... Outros recitam a viva voz seus poeminhas virando os olhos e endurecendo o pescoço! Quê espetáculo! E como todos tinham já uns sessenta e tantos anos, pode-se deduzir que quando crianças, todos tiveram que engolir os mesmos e ridículos livretinhos infantis e que mais tarde, enquanto os milicos incineravam jovens indignados nos fornos das usinas, perdiam tempo escrevendo suas transcendentes tagarelices... E nessas ocasiões, nunca falta uma platéia de imbecis para fazê-los permanecerem a vida inteira ancorados nesse Complexo de Peter Pan e seguirem acreditando que pertencem a uma casta especial e que a "vida" é isso aí mesmo! Escribas de menor visibilidade, no auge da submissão, incentivam a queimação de incenso em suas palestras e a necessidade de, na primeira chance, enfiar-lhes mais um honoris causa pelo rabo... E as bibliotecas, os museus e barracões afins não comportam mais tantas fotos de diretores nas paredes, tantas prateleiras e tantos códigos para ordenar toda essa baboseira. Uns se dedicam a biografias, outros a monografias, outros a romances, crônicas, diários, poemas, ensaios, cordéis... E os padres e os camelôs da literatura querem, a qualquer custo, enfiar livros e mais livros em todo e qualquer buraco. Até nas celas dos presídios, para que vejam, a Bíblia e os livros do Paulo Coelho estão em baixo de cada travesseiro, com aquelas legiões de condenados passando a vida lendo e fumando... a espera do Salvador ou pelo menos de algum advogado. Quê miséria! Os porões das Secretarias de Educação estão repletos de material que nunca foi distribuído e que de vez em quando é secretamente incinerado, tanto para justificar novas compras como para combater as ninhadas de ratos... Quanta bobagem! O que teria acontecido de tão grave com esta espécie? 
Enfim, tocar fogo na Biblioteca de Alexandria foi fácil. Bastou o califa Omar dar a ordem e pronto. Quero ver agora... como fazer algo parecido com todos esses blogs!!!???

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Enquanto isso... Lá pelos lados da velha Itália.....



O video acima lembra a histórinha do famoso mafioso Enrico De Padis, assassinado em 1990. Até aí, nada de novo. O mais fascinante e que os jornais da semana estão relembrando (veja abaixo), é que naquela data a viúva desse Chefão, negociando com meia dúzia de padres do Vaticano conseguiu,


com um bom punhado de liras, lógico, fazer com que o corpo crivado de balas do marido fosse enterrado na Basílica de São Apolinário (foto abaixo) onde até então só eram depositadas as ossadas e as carcaças sagradas dos Papas. Um sacrilégio elevado à quinta potência!!! Não é verdade??? Ou não!!??



O mais curioso dessa promiscuidade entre o sagrado e o profano, entre deus e o diabo, entre as liras e as hóstias é que você que quando vai à Roma passa religiosamente lá nesses sombrios mausoléus para fazer umas genuflexões e derramar umas vinte ou trinta lágrimas de crocodilo sobre as luxuosas lápides e os luxuosos ossos, sem o saber, está orando e chorando também pela santa alma del Signore Enrico... A Gang de Magliana, em nome de Deus, lhe agradece...

Além disso, quem passeava pelas ruas romanas nesses dias viu outra novidade de tirar o fôlego: o ônibus urbano da foto abaixo, circulando normalmente por aquelas estreitas ruelas com um letreiro declarando nada mais nada menos que amor a Mussolini... Viva Itália!!! Porco cane!!!