"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 29 de abril de 2012

Sapere aude! Ou, um sábado como todos os outros...

O cortador de grama acionou a parafernália de seu maquinário às sete da manhã em ponto. Às 8:15 ligou-me uma senhora da LBV querendo que eu "adotasse" uma criança. Em seguida recebi outras duas ligações onde um anônimo perguntava: aí é da POLIMAQ? POLIMAQ um caralho, meu amigo! – Lhe respondi. Um capuchino frio + um pão com manteiga + um mini austríaco na tal boulangerie dos vivaldinos na Asa Sul = 17 reais (=Dez dólares!). No semáforo em frente à Federação Espírita uma velhinha tísica e demente vem entregar-me um folheto com uma inscrição em negrito: Jesus te ama & Xico Xavier voltará!!! O livreiro que ficou de efetuar-me um pagamento às dez horas, não apareceu. Na livraria onde procurei por um autor arquiconhecido, o vendedor nunca havia sequer ouvido falar seu nome. Cruzei com a doméstica do andar de baixo que estava indo apressada buscar seu bebê no HRAS, porque o setor da maternidade estava sendo invadido por formigas. O site de partituras que o jornal daquela manhã divulgava e elogiava (SESC partituras) não disponibilizava partitura nenhuma. O moço que foi consertar minha geladeira – pela terceira vez -, esqueceu de levar a peça principal, voltará na segunda-feira, se deus quiser, claro. Como era sábado, mandei lavar o carro. Deram um sumiço nas sete ou oito moedas gregas que estavam no cinzeiro. No restaurante da esquina onde fui aplacar minha cólera devorando um contrafilé argentino, a pia estava entupida e o dispositivo do álcool gel vazio... Quer mais??? Como diria meu amigo baiano: Vá fuder otro!!! Estes são apenas alguns dos transtornos de personalidade e dos dissabores de todos os dias... variantes do inferno que são os países “em desenvolvimento” e que deveriam servir para que os populistas, os patrimonialistas e os demagogos entendessem que é uma idiotice dar papel higiênico ao populacho sem antes ensiná-lo a limpar-se o cu.


Observação: De prazeroso mesmo, só a música cigana e o excelente documentário feito em Cuba pela cineasta Ludmila Curi, que pode ser visto no endereço abaixo:
 E, mais tarde, a leitura de um livretinho de Kant (1783) de umas trinta páginas, intitulado: O que é o esclarecimento? O texto trata basicamente da passagem da minoridade para a maioridade. Isto é, da mentalidade de rebanho, da burrice, da ignorância, da preguiça e do falso conforto das ideias prontas, para a coragem de pensar com o próprio cérebro e por conta própria. A seguir alguns fragmentos do sábio de Konigsberg:

1. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma parte tão grande dos homens, libertos há muito pela natureza de toda tutela alheia, comprazem-se em permanecer por toda sua vida menores; e é por isso que é tão fácil a outros instituirem-se seus tutores...

2. Após ter começado a emburrecer seus animais domésticos e cuidadosamente impedir que essas criaturas tranquilas sejam autorizadas a arriscar o menor passo sem o andador que as sustenta, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça se tentam andar sozinhas...

3. Ouço clamar de todas as partes: não raciocinai! O oficial diz: não raciocinai, mas fazei o exercício! O conselheiro de finanças: não raciocinai, mas pagai! O padre: não raciocinai, mas crede! Só existe um senhor no mundo que diz: raciocinai o quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!

4. Um homem pode, a rigor, pessoalmente e, mesmo então, somente por algum tempo, retardar o Esclarecimento em relação ao que ele tem a obrigação de saber; mas renunciar a ele, seja em caráter pessoal, seja ainda mais para a posteridade, significa lesar os direitos sagrados da humanidade, e pisar-lhe em cima...  

5. Situei o alvo principal do Esclarecimento, a saída do homem da minoridade da qual ele próprio é culpado, principalmente no domínio da religião: pois, em relação às ciências e às artes, nossos soberanos não se interessaram em desempenhar o papel de tutores de seus súditos...
(Traduzido do alemão por Floriano de Souza Fernandes e cotejado com o texto original por Luiz Paulo Rouanet)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Reflexões do mendigo K...


No último domingo encontrei o mendigo K.; na fila para visitar a nova Torre de Tevê Digitalrecém inaugurada aqui na urbe. Pelo mau gosto qualquer um adivinha logo que o projeto é do Niemeyer, mas ninguém, por mais astuto e suspicaz que fosse, poderia imaginar que aquilo tivesse custado mais de 80 milhões. Oitenta milhões! Você aí que mora numa das inúmeras bibocas medievais com esgotos transbordantes, água salobra, escorpiões no fundo das botas e homicídios diários etc., pegue um lápis e tente imaginar que outro destino se poderia ter dado a toda essa fortuna... Antes de entrarmos num dos três elevadores, apontando para a fila com um desprezo sutil, K.: resmungou: percebes como é urgente o controle da natalidade???  Subimos os 120 metros até o mirante ou belvedere, - como dizia minha tataravó - de onde se pode ver ao redor os vilarejos paupérrimos, cheios de cruzes, violentos e empoeirados e no centro a cidade inteira onde hiberna a desgraçada classe média com seus prédios brancos e simétricos que, vistos aqui das alturas parecem a fachada de um imenso presídio ou as tumbas de um cemitério. Dizem que entre os objetivos desta obra está o de servir de antena para transmissão digital de todas as emissoras privadas. Tudo bem, mas enquanto as emissoras só transmitirem merda e programas humorísticos, que vantagem terão os pobres candangos? O mendigo misturou-se sem cerimônia aos simplórios e deslumbrados visitantes, fez uma caminhada por todo o espaço daquela plataforma, olhou para o norte, para o sul, para o leste, ignorou completamente o lado oeste, voltou para o lado sul, correu os olhos pela geografia do lago e suspirou fundo, como se lhe faltasse o ar. Em seguida apontou-me a direção onde há muito tempo teve um pequeno barraco, onde viveu com sua mulher, filhos e um cachorro que se chamava Azorka, o mesmo nome do cão do velho Smith no romance Humilhados eOfendidos do epiléptico Dostoievski... A mulher, morreu com tuberculose, os filhos por causas não identificadas e Azorka por um atropelamento. Ficou pensativo por um bom tempo. Depois, como num surto de nostalgia foi relatando como converteu-se ao ceticismo. Ainda criança, me decepcionei com os amores maternos e paternos. Ela que me parecia uma santa foi se revelando um espírito confuso, chato e violento, ele, do gigante que aparentava ser, foi convertendo-se no mais autentico dos bananas e dos anti-heróis. Meus irmãos, entre brigas, invejas e traições foram ingressando quase que naturalmente na bandidagem. As tias da escola, eram verdadeiras bobalhonas. As tias da igreja, no mínimo insensatas. A linguagem, apenas um instrumento ferino. Os negócios, puras trapaças. O Estado, uma tirania; as amizades, uma pantomima; o trabalho, uma escravidão; o capital, um roubo; a justiça, um poço de injustiças. O amor, uma pretensiosa ilusão; a fé, uma doença; o Salvador, um gigolô; a universidade, uma máquina de bacharéis; a cidadania, uma seita; os partidos, máfias; a honra, uma crendice; o corpo, uma usina de dores e um liquidificador sem nenhuma confiabilidade... Olhou-me de soslaio para ver se eu realmente o estava ouvindo e fez outro longo silêncio... Sabes por que isto aqui é fechado? – perguntou e logo concluiu: para reprimir o suicídio. Ora, contestei-lhe! Veja como todos estão satisfeitos e felizes, quem iria suicidar-se? Esses aí – cochichou – representam a desprezível tropa da servidão voluntária... dominarão absolutamente tudo e acabarão de rebaixar a terra a um subúrbio de indigência e de pior qualidade... Em seguida, olhando para as nuvens escuras que prenunciavam uma tormenta concluiu: atualmente só me interesso mesmo é pelos mistérios do universo e pelo funcionamento fascinante de todas as suas engrenagens...

Reflexões do mendigo K...


No último domingo encontrei o mendigo K.; na fila para visitar a nova Torre de Tevê Digital recém inaugurada aqui na urbe. Pelo mau gosto qualquer um adivinha logo que o projeto é do Niemeyer, mas ninguém, por mais astuto e suspicaz que fosse, poderia imaginar que aquilo tivesse custado mais de 80 milhões. Oitenta milhões! Você aí que mora numa das inúmeras bibocas medievais com esgotos transbordantes, água salobra, escorpiões no fundo das botas e homicídios diários etc., pegue um lápis e tente imaginar que outro destino se poderia ter dado a toda essa fortuna... Antes de entrarmos num dos três elevadores, apontando para a fila com um desprezo sutil, K.: resmungou: percebes como é urgente o controle da natalidade???  Subimos os 120 metros até o mirante ou belvedere, - como dizia minha tataravó - de onde se pode ver ao redor os vilarejos paupérrimos, cheios de cruzes, violentos e empoeirados e no centro a cidade inteira onde hiberna a desgraçada classe média com seus prédios brancos e simétricos que, vistos aqui das alturas parecem a fachada de um imenso presídio ou as tumbas de um cemitério. Dizem que entre os objetivos desta obra está o de servir de antena para transmissão digital de todas as emissoras privadas. Tudo bem, mas enquanto as emissoras só transmitirem merda e programas humorísticos, que vantagem terão os pobres candangos? O mendigo misturou-se sem cerimônia aos simplórios e deslumbrados visitantes, fez uma caminhada por todo o espaço daquela plataforma, olhou para o norte, para o sul, para o leste, ignorou completamente o lado oeste, voltou para o lado sul, correu os olhos pela geografia do lago e suspirou fundo, como se lhe faltasse o ar. Em seguida apontou-me a direção onde há muito tempo teve um pequeno barraco, onde viveu com sua mulher, filhos e um cachorro que se chamava Azorka, o mesmo nome do cão do velho Smith no romance Humilhados e Ofendidos do epiléptico Dostoievski... A mulher, morreu com tuberculose, os filhos por causas não identificadas e Azorka por um atropelamento. Ficou pensativo por um bom tempo. Depois, como num surto de nostalgia foi relatando como converteu-se ao ceticismo. Ainda criança, me decepcionei com os amores maternos e paternos. Ela que me parecia uma santa foi se revelando um espírito confuso, chato e violento, ele, do gigante que aparentava ser, foi convertendo-se no mais autentico dos bananas e dos anti-heróis. Meus irmãos, entre brigas, invejas e traições foram ingressando quase que naturalmente na bandidagem. As tias da escola, eram verdadeiras bobalhonas. As tias da igreja, no mínimo insensatas. A linguagem, apenas um instrumento ferino. Os negócios, puras trapaças. O Estado, uma tirania; as amizades, uma pantomima; o trabalho, uma escravidão; o capital, um roubo; a justiça, um poço de injustiças. O amor, uma pretensiosa ilusão; a fé, uma doença; o Salvador, um gigolô; a universidade, uma máquina de bacharéis; a cidadania, uma seita; os partidos, máfias; a honra, uma crendice; o corpo, uma usina de dores e um liquidificador sem nenhuma confiabilidade... Olhou-me de soslaio para ver se eu realmente o estava ouvindo e fez outro longo silêncio... Sabes por que isto aqui é fechado? – perguntou e logo concluiu: para reprimir o suicídio. Ora, contestei-lhe! Veja como todos estão satisfeitos e felizes, quem iria suicidar-se? Esses aí – cochichou – representam a desprezível tropa da servidão voluntária... dominarão absolutamente tudo e acabarão de rebaixar a terra a um subúrbio de indigência e de pior qualidade... Em seguida, olhando para as nuvens escuras que prenunciavam uma tormenta concluiu: atualmente só me interesso mesmo é pelos mistérios do universo e pelo funcionamento fascinante de todas as suas engrenagens...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O senhor Justo Tobares, o viagra e sua cadela...

No mês passado os jornais argentinos noticiaram com um cinismo especial (e com razão) o horror e as peripécias de nossos canibais pernambucanos, aquele trio que matou algumas mulheres e churrasqueou suas carnes... Lembram? Uma semana depois, nossos vizinhos porteños tiveram que, desconfortavelmente, noticiar  também a descoberta das ossadas de uma brasileira morta por seu marido argentino e enterrada no interior da própria casa... Ontem foi notícia o caso do velhinho Justo Tobares, com 77 anos, que lá na província de La Pampa estuprou sua cadela de estimação. Prestem atenção como os países latino-americanos competem entre sí até em mentiras, em falcatruas e em horrores. A respeito das ereções tardias, elas são perigosas tanto para o sujeito que as tem, pois pode se errebentar os ossos, ter uma distensão muscular, uma bursite irreversível ou um infarto etc... como para os seres vivos de seu redor que possuam algum buraco. Aliás, são frequentes as queixas das velhinhas que já haviam se livrado dos assédios sexuais domésticos, mas que agora, com a invenção do viagra, estão tendo que, em desespero e religiosamente voltar a abrir as pernas para seus velhos. Sempre que falo de velhos, religião e de animais recordo esta frase de Hegel: "se realmente a religião se fundamenta sobre o sentimento, o cachorro é o cristão mais autêntico..."



O senhor Justo Tobares, o viagra e sua cadela...

No mês passado os jornais argentinos noticiaram com um cinismo especial (e com razão) o horror e as peripécias de nossos canibais pernambucanos, aquele trio que matou algumas mulheres e churrasqueou suas carnes... Lembram? Uma semana depois, nossos vizinhos porteños tiveram que, desconfortavelmente, noticiar  também a descoberta das ossadas de uma brasileira morta por seu marido argentino e enterrada no interior da própria casa... Ontem foi notícia o caso do velhinho Justo Tobares, com 77 anos, que lá na província de La Pampa estuprou sua cadela de estimação. Prestem atenção como os países latino-americanos competem entre sí até em mentiras, em falcatruas e em horrores. A respeito das ereções tardias, elas são perigosas tanto para o sujeito que as tem, pois pode se errebentar os ossos, ter uma distensão muscular, uma bursite irreversível ou um infarto etc... como para os seres vivos de seu redor que possuam algum buraco. Aliás, são frequentes as queixas das velhinhas que já haviam se livrado dos assédios sexuais domésticos, mas que agora, com a invenção do viagra, estão tendo que, em desespero e religiosamente voltar a abrir as pernas para seus velhos. Sempre que falo de velhos, religião e de animais recordo esta frase de Hegel: "se realmente a religião se fundamenta sobre o sentimento, o cachorro é o cristão mais autêntico..."



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Afinal, o que é considerado anormal neste chiqueiro???

Estupro passa em horário nobre em cadeia nacional, ninguém acha estranho.
Presidiário aluga espaço dentro da cadeia, ninguém acha estranho.
Sarney preside o Congresso Nacional, ninguém acha estranho.
O cidadão passa 5 meses por ano trabalhando para pagar imposto, ninguém acha estranho.
O Secretário dos Transportes é pego bêbado na blitz do bafômetro, ninguém acha estranho.
De 10 licitações no país, 9 são fraudadas, ninguém acha estranho.
Aluno fuma crack, faz sexo dentro de sala, filma tudo com o uniforme do colégio e coloca na internet, ninguém acha estranho.
Polícia corrupta envolvida com pirataria, ninguém acha estranho.
Traficante determina toque de recolher em favela, ninguém acha estranho.
Gente morre nos corredores do SUS por puro descaso, ninguém acha estranho.
Bandido controla tráfico de dentro de presídio de segurança máxima, ninguém acha estranho.
Bandido usa celular dentro de presídio, ninguém acha estranho
A família do presidiário recebe polpuda ajuda mensal, enquanto a família
da vítima assasinada pelo presidiário nada recebe, ninguém acha estranho.
O Brasil ter a maior taxa real de juros do mundo, ninguém acha estranho.
Um país que vai sediar copa do mundo e não tem a mínima estrutura de transporte e os flanelinhas mandam nas ruas e ameaçam violentamente os motoristas, ninguém acha estranho.
Um país onde policial, bombeiro e professor passam fome e jogador de futebol gasta R$ 50 mil numa noite, ninguém acha estranho.
Um país onde criminalidade e bandidagem são premiadas com impunidade, onde se pega 30 anos de cadeia, mas cumpre-se 2 anos de fato, ninguém acha estranho.
Um país que perde, por ano, R$ 82 bilhões somente com corrupção nas três esferas de poder, ninguém acha estranho.
Um país onde vigora o jeitinho, onde furar fila e falsificar atestado são o ápice da esperteza, ninguém acha estranho.
Um país onde presidente de Assembléia Legislativa ri da cara do povo, ninguém acha estranho.
Um país que, segundo a Unicef, tem 250 mil crianças prostituídas, já estaria alcançando a Tailândia como o principal destino mundial do turismo sexual e já foi até tema do programa “Our World: Brazil’s Child Prostitutes” (“Nosso Mundo: As Crianças Prostitutas do Brasil”) da BBC, ninguém acha estranho.
Um país onde o cara que é exemplo de empreendedorismo fez fortuna com petróleo, doou milhões para campanhas presidenciais e o pai foi ministro das minas e energia, ninguém acha estranho.
Um país que recebe e trata bem terroristas acusados de homicídios e assaltos a bancos, ninguém acha estranho.
Um país que sustenta 513 deputados, 81 senadores, quase 60 mil vereadores, centenas de milhares de cargos comissionados e um mundaréu inacabavél de servidores, o que consome da sociedade a “bagatela” de R$ 18 bilhões, ninguém acha estranho.
Um país que para por causa de bunda na TV, carnaval e futebol, ninguém acha estranho.
Um país onde é rotina guarda levar toco, ninguém acha estranho.
Um país que tem órgãos de controle e fiscalização só de fachada, ninguém acha estranho.
Um país onde barnabés recebem auxílios imorais, ninguém acha estranho.
Um país onde as fronteiras são mais furadas do que peneira e pelas quais passam drogas e os armamentos mais potentes e as autoridades fazem de conta que não sabem, ninguém acha estranho.
Um país onde o ensino da matemática apresenta um dos mais baixos níveis e que fica atrás da Jordânia e de Trinidad e Tobago na maior avaliação de educação do mundo, ninguém acha estranho.
Um país onde bandidos explodem caixas eletrônicos em bancos e fogem impunemente, ninguém acha estranho.
Um país onde se compra um carro e se paga três, ninguém acha estranho.
Um país em cujo território está situada a maior floresta tropical do mundo, mas quem manda nela são forasteiros, ninguém acha estranho.
Um país onde concurso público vive sendo fraudado, mas não se fala no assunto e tudo termina como se o sistema fosse altamente meritocrático, ninguém acha estranho.
Um país onde peixadas políticas mandam e desmandam dentro de órgãos públicos, ninguém acha estranho.
Um país onde o bandido fica com as chaves da cela, ninguém acha estranho.
Um país onde é normal ter arrastão dentro de shopping, ninguém acha estranho.
Um país onde um fundador de igreja fica milionário abusando da ignorância do povo, ninguém acha estranho.
Um país onde ter um celular com câmera é mais importante do que investir na formação, aprendizado e educação, ninguém acha estranho.
Um país que tem várias cracolândias espalhadas pelas cidades, ninguém acha estranho.
Um país onde o povo acha bonito fazer gato de TV a cabo, roubar fio elétrico, árvore de praça e tampa de bueiro, pichar muro e destruir telefone público, ninguém acha estranho.
Um país onde marajá do governo ganha R$ 25 mil, acha pouco e quer fazer greve, ninguém acha estranho.
Um país onde professor em regime de dedicação exclusiva não pisa na Universidade, ninguém acha estranho.
Um país onde quem é honesto é ridicularizado, ninguém acha estranho.
 E aí? O que, afinal, é considerado anormal neste chiqueiro??? (Autor anônimo)

Afinal, o que é considerado anormal neste chiqueiro???

Estupro passa em horário nobre em cadeia nacional, ninguém acha estranho.
Presidiário aluga espaço dentro da cadeia, ninguém acha estranho.
Sarney preside o Congresso Nacional, ninguém acha estranho.
O cidadão passa 5 meses por ano trabalhando para pagar imposto, ninguém acha estranho.
O Secretário dos Transportes é pego bêbado na blitz do bafômetro, ninguém acha estranho.
De 10 licitações no país, 9 são fraudadas, ninguém acha estranho.
Aluno fuma crack, faz sexo dentro de sala, filma tudo com o uniforme do colégio e coloca na internet, ninguém acha estranho.
Polícia corrupta envolvida com pirataria, ninguém acha estranho.
Traficante determina toque de recolher em favela, ninguém acha estranho.
Gente morre nos corredores do SUS por puro descaso, ninguém acha estranho.
Bandido controla tráfico de dentro de presídio de segurança máxima, ninguém acha estranho.
Bandido usa celular dentro de presídio, ninguém acha estranho
A família do presidiário recebe polpuda ajuda mensal, enquanto a família
da vítima assasinada pelo presidiário nada recebe, ninguém acha estranho.
O Brasil ter a maior taxa real de juros do mundo, ninguém acha estranho.
Um país que vai sediar copa do mundo e não tem a mínima estrutura de transporte e os flanelinhas mandam nas ruas e ameaçam violentamente os motoristas, ninguém acha estranho.
Um país onde policial, bombeiro e professor passam fome e jogador de futebol gasta R$ 50 mil numa noite, ninguém acha estranho.
Um país onde criminalidade e bandidagem são premiadas com impunidade, onde se pega 30 anos de cadeia, mas cumpre-se 2 anos de fato, ninguém acha estranho.
Um país que perde, por ano, R$ 82 bilhões somente com corrupção nas três esferas de poder, ninguém acha estranho.
Um país onde vigora o jeitinho, onde furar fila e falsificar atestado são o ápice da esperteza, ninguém acha estranho.
Um país onde presidente de Assembléia Legislativa ri da cara do povo, ninguém acha estranho.
Um país que, segundo a Unicef, tem 250 mil crianças prostituídas, já estaria alcançando a Tailândia como o principal destino mundial do turismo sexual e já foi até tema do programa “Our World: Brazil’s Child Prostitutes” (“Nosso Mundo: As Crianças Prostitutas do Brasil”) da BBC, ninguém acha estranho.
Um país onde o cara que é exemplo de empreendedorismo fez fortuna com petróleo, doou milhões para campanhas presidenciais e o pai foi ministro das minas e energia, ninguém acha estranho.
Um país que recebe e trata bem terroristas acusados de homicídios e assaltos a bancos, ninguém acha estranho.
Um país que sustenta 513 deputados, 81 senadores, quase 60 mil vereadores, centenas de milhares de cargos comissionados e um mundaréu inacabavél de servidores, o que consome da sociedade a “bagatela” de R$ 18 bilhões, ninguém acha estranho.
Um país que para por causa de bunda na TV, carnaval e futebol, ninguém acha estranho.
Um país onde é rotina guarda levar toco, ninguém acha estranho.
Um país que tem órgãos de controle e fiscalização só de fachada, ninguém acha estranho.
Um país onde barnabés recebem auxílios imorais, ninguém acha estranho.
Um país onde as fronteiras são mais furadas do que peneira e pelas quais passam drogas e os armamentos mais potentes e as autoridades fazem de conta que não sabem, ninguém acha estranho.
Um país onde o ensino da matemática apresenta um dos mais baixos níveis e que fica atrás da Jordânia e de Trinidad e Tobago na maior avaliação de educação do mundo, ninguém acha estranho.
Um país onde bandidos explodem caixas eletrônicos em bancos e fogem impunemente, ninguém acha estranho.
Um país onde se compra um carro e se paga três, ninguém acha estranho.
Um país em cujo território está situada a maior floresta tropical do mundo, mas quem manda nela são forasteiros, ninguém acha estranho.
Um país onde concurso público vive sendo fraudado, mas não se fala no assunto e tudo termina como se o sistema fosse altamente meritocrático, ninguém acha estranho.
Um país onde peixadas políticas mandam e desmandam dentro de órgãos públicos, ninguém acha estranho.
Um país onde o bandido fica com as chaves da cela, ninguém acha estranho.
Um país onde é normal ter arrastão dentro de shopping, ninguém acha estranho.
Um país onde um fundador de igreja fica milionário abusando da ignorância do povo, ninguém acha estranho.
Um país onde ter um celular com câmera é mais importante do que investir na formação, aprendizado e educação, ninguém acha estranho.
Um país que tem várias cracolândias espalhadas pelas cidades, ninguém acha estranho.
Um país onde o povo acha bonito fazer gato de TV a cabo, roubar fio elétrico, árvore de praça e tampa de bueiro, pichar muro e destruir telefone público, ninguém acha estranho.
Um país onde marajá do governo ganha R$ 25 mil, acha pouco e quer fazer greve, ninguém acha estranho.
Um país onde professor em regime de dedicação exclusiva não pisa na Universidade, ninguém acha estranho.
Um país onde quem é honesto é ridicularizado, ninguém acha estranho.
 E aí? O que, afinal, é considerado anormal neste chiqueiro??? (Autor anônimo)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A República misógina ameaçada pela ginecocracia...


O matriarcado tupinambá avança! É mito vitoriano? Sim, mas avança. Nomearam mais uma! Agora a Presidente da FUNAI. Quem sabe a imago da Grande-Mãe não acalme nossos pobres nativos?... apesar de todo mundo saber que eles se interessam muito mais pelo ruído das moedas que pelos ritos de fertilidade! Há poucos dias nomearam também aqui no DF a uma senhora para gerenciar o CAJE, nosso lôbrego e tenebroso cadeião medieval para trancafiar crianças. Alice no país dos dissimulados! Terão mais sensibilidade que essa legião de bundões que durante séculos perverteu e envenenou a “pátria” e seus apêndices???  Ou, como dizia Demócrito, a mulher está muito mais inclinada à maldade que o homem? Referia-se às amazonas? Àquelas que assassinavam ritualisticamente a seus garanhões e que se deliciavam com carne humana? Bobagem! Apesar de seus tipos não serem o das sacerdotisas astecas, não inspiram grandes receios... Só sei que os misóginos estão de cabelos em pé, ávidos por adivinhar até onde pode chegar esse salto geométrico da ginecocracia. Misóginos? Sim! Muitos dos “comedores” vaidosos e gabolas são também misóginos. Muitas vezes  lhes repugna a fruta… Os mais eruditos, não por isso alheios à vulvofobia, temendo dissabores, não se cansam de lembrar que foi Lilith quem, por duas vezes, lançou sobre o mundo o flagelo das serpentes, a primeira – todo beato sabe - sobre o Egito e a segunda sobre os hebreus no deserto... Já, os antropólogos, mais cautelosos, cochicham entre eles nos departamentos sombrios das universidades que foi Hera, (a protetora das mulheres) quem enviou duas serpentes (novamente serpentes!) para o berço do pequeno Héracles para o sufocar. Outros, mais preconceituosos ainda, mesmo exibindo na sala de casa um pôster da Vênus Impudica não esquecem e desdenham as mulheres estéreis do sul da Índia, que para serem fecundadas vão se esfregar em símbolos femininos ao invés de em símbolos masculinos... E os que têm nostalgia pelo absolutismo patriarcal voltam a buscar argumentos nas rancorosas epistolas de São Paulo e mencionam à resistência feminina de Éfeso e as Górgones como um alerta de perigo... Ministra aqui, Senadora acolá! Secretária Geral daqui, Deputada fulana dali... Presidenta daqui.. Presidenta de acolá... (Confesso que tenho náuseas quando ouço alguém dizer Presidenta Dilma ao invés de Presidente Dilma!) Por todos os lados mulheres cada vez mais assertivas, ensoberbecidas e de vozeirões roucos e homens cada vez mais gentis, com a voz sufocada e pueril... os passinhos curtos e os trejeitos de quem teve uma mãe castradora e bárbara! Num polo mulheres construindo virilmente o golpe fatal contra o nefasto matrimônio, no outro, o novo gênero, delicado e febril esbravejando que não haverá Estado de Direito enquanto não se legalizar o casamento entre iguais... Que miséria!!! Que triste retrocesso! Quê triste atração pela simbiose e pelo sofrimento!!! Oxalá as mulheres, com seus calorões incontroláveis facilitem, de uma vez por todas, o incêndio total do mundo!!!

A República misógina ameaçada pela ginecocracia...


O matriarcado tupinambá avança! É mito vitoriano? Sim, mas avança. Nomearam mais uma! Agora a Presidente da FUNAI. Quem sabe a imago da Grande-Mãe não acalme nossos pobres nativos?... apesar de todo mundo saber que eles se interessam muito mais pelo ruído das moedas que pelos ritos de fertilidade! Há poucos dias nomearam também aqui no DF a uma senhora para gerenciar o CAJE, nosso lôbrego e tenebroso cadeião medieval para trancafiar crianças. Alice no país dos dissimulados! Terão mais sensibilidade que essa legião de bundões que durante séculos perverteu e envenenou a “pátria” e seus apêndices???  Ou, como dizia Demócrito, a mulher está muito mais inclinada à maldade que o homem? Referia-se às amazonas? Àquelas que assassinavam ritualisticamente a seus garanhões e que se deliciavam com carne humana? Bobagem! Apesar de seus tipos não serem o das sacerdotisas astecas, não inspiram grandes receios... Só sei que os misóginos estão de cabelos em pé, ávidos por adivinhar até onde pode chegar esse salto geométrico da ginecocracia. Misóginos? Sim! Muitos dos “comedores” vaidosos e gabolas são também misóginos. Muitas vezes  lhes repugna a fruta… Os mais eruditos, não por isso alheios à vulvofobia, temendo dissabores, não se cansam de lembrar que foi Lilith quem, por duas vezes, lançou sobre o mundo o flagelo das serpentes, a primeira – todo beato sabe - sobre o Egito e a segunda sobre os hebreus no deserto... Já, os antropólogos, mais cautelosos, cochicham entre eles nos departamentos sombrios das universidades que foi Hera, (a protetora das mulheres) quem enviou duas serpentes (novamente serpentes!) para o berço do pequeno Héracles para o sufocar. Outros, mais preconceituosos ainda, mesmo exibindo na sala de casa um pôster da Vênus Impudica não esquecem e desdenham as mulheres estéreis do sul da Índia, que para serem fecundadas vão se esfregar em símbolos femininos ao invés de em símbolos masculinos... E os que têm nostalgia pelo absolutismo patriarcal voltam a buscar argumentos nas rancorosas epistolas de São Paulo e mencionam à resistência feminina de Éfeso e as Górgones como um alerta de perigo... Ministra aqui, Senadora acolá! Secretária Geral daqui, Deputada fulana dali... Presidenta daqui.. Presidenta de acolá... (Confesso que tenho náuseas quando ouço alguém dizer Presidenta Dilma ao invés de Presidente Dilma!) Por todos os lados mulheres cada vez mais assertivas, ensoberbecidas e de vozeirões roucos e homens cada vez mais gentis, com a voz sufocada e pueril... os passinhos curtos e os trejeitos de quem teve uma mãe castradora e bárbara! Num polo mulheres construindo virilmente o golpe fatal contra o nefasto matrimônio, no outro, o novo gênero, delicado e febril esbravejando que não haverá Estado de Direito enquanto não se legalizar o casamento entre iguais... Que miséria!!! Que triste retrocesso! Quê triste atração pela simbiose e pelo sofrimento!!! Oxalá as mulheres, com seus calorões incontroláveis facilitem, de uma vez por todas, o incêndio total do mundo!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pedofilia, ignorância e paranóia...


Você que tem de 10 a 80 anos ainda se atreveria a dar um abraço, pegar no colo ou a fazer um afago carinhoso na criança com quem cruza acidentalmente no zoo, num shopping ou numa feira? Duvido! O risco de ser acusado de pedófilo e de ser preso, mesmo sendo apenas um pré-adolescente assexuado ou apenas um velho solitário e brocha, é imenso. Ontem, inclusive,  expulsaram do país um diplomata iraniano sob a acusação de que estaria sendo inconveniente ou abusando lascivamente de oito ou nove meninas na piscina de um clube. O Itamaraty foi acionado (mas, logo o Itamaraty!) e a embaixada persa teve que explicar-se. Alegou ter havido um mal entendido, um choque de culturas etc., e apressou-se em despachar o leitmotiv das suspeitas para Teerã... Pode ser!? Os pais das crianças, entretanto, envenenados por ocorrências semelhantes no dia a dia de nosso manicômio urbano, se viram tomados pela paranoia.
Claro que não há nada de novo nesse particular. O que continua obvio, sem voltar a falar nas manjadas teorias freudianas da Sedução e da Fantasia, é que não apenas o abuso sexual de crianças mas a sexualidade em si tem vindo pelos milênios a fora como um nó górdio e, evidentemente, deixado atrás de si destroços de loucuras e de crimes um mais esdrúxulo que o outro.
Nesse momento, com as prisões quase lotadas desses bizarros “sedutores”, como fofoca e numa tentativa, talvez, de retardar um pouco a desintegração completa de nossos agrupamentos sociais, as perguntas que mais se ouvem por aí, desde os quarteirões da insensatez até os redutos da intelligentsiasão mais ou menos as mesmas:
O que se poderia fazer para provar que um determinado ato tem ou não tem intencionalidade perversa?
Como estabelecer uma fronteira, o mais distante possível da subjetividade e do rancor, para não tornar o cotidiano ainda mais sexo-paranóide?
Como deixar as crianças a salvo dos pedófilos sem contudo enclausurá-las numa teia de horror e de moralismos que virá a tornar sua futura sexualidade numa usina de recusas e de angustias patológicas?
Como não interditar pelo medo a transação lúdica e afetiva necessária entre o mundo adulto e o universo infantil, coisa que até mesmo entre os macacos é algo imprescindível?
Como não cair no atraso, na pieguice e na ignorância de sexualizar a sensualidade, de criminalizar um simples abraço, um olhar, uma palavra, um carinho?
Como não projetar nas crianças o medo, a malicia e a fobia, assim como a neurose sexual dos adultos e das instituições vigentes?
Como não sexualizaraquilo que não é sexual como fez a igreja católica durante séculos, engendrando milhões e milhões de desgraçados, reprimidos e infelizes?
Como não satanizar o “outro” mais do que já está satanizado?  E, por fim, como administrar os “viagras” e os tantos outros tipos de excitantes químicos, orais, auditivos e visuais que a “modernidade” tem oferecido gratuitamente a qualquer um, a qualquer  tempo e a qualquer hora e que, sem beneditismos, têm perturbado, adoecido e empurrado a tropa masculina de todas as idades para as clinicas ou para a cadeia?
Onde ir buscar respostas? Para os mais céticos, ao invés de um prêmio, como alguns bípedes continuam acreditando, a sexualidade se revelou um castigo e um sintoma. Com os dois bonecos já prontos, vendo que na expressão deles havia quase o distanciamento do autismo, o cínico demiurgo tomou mais um punhado de lama e agregou nela, junto à vulva, um clitóris, e nele, na parte superior das bolas, um pênis. Ide atormentar-vos mutuamente pela estupida solidão da terra – teria decretado com sarcasmo. De lá para cá, uns estão por aí até hoje estuprando-se e comendo-se mutuamente; outros mudaram o objeto da neurose e se esfolam do jeito que podem; outros deslocaram sua tara para as crianças; outros para os animais; outros para os velhos e outros, enojados de toda essa barbárie e dessa triste e interminável negociação de fluidos, inventaram o fervor onanista... Se consultado, Cioran nos lembraria: “Só os monstros podem se permitir ver as coisas como elas são...

Pedofilia, ignorância e paranóia...


Você que tem de 10 a 80 anos ainda se atreveria a dar um abraço, pegar no colo ou a fazer um afago carinhoso na criança com quem cruza acidentalmente no zoo, num shopping ou numa feira? Duvido! O risco de ser acusado de pedófilo e de ser preso, mesmo sendo apenas um pré-adolescente assexuado ou apenas um velho solitário e brocha, é imenso. Ontem, inclusive,  expulsaram do país um diplomata iraniano sob a acusação de que estaria sendo inconveniente ou abusando lascivamente de oito ou nove meninas na piscina de um clube. O Itamaraty foi acionado (mas, logo o Itamaraty!) e a embaixada persa teve que explicar-se. Alegou ter havido um mal entendido, um choque de culturas etc., e apressou-se em despachar o leitmotiv das suspeitas para Teerã... Pode ser!? Os pais das crianças, entretanto, envenenados por ocorrências semelhantes no dia a dia de nosso manicômio urbano, se viram tomados pela paranoia.
Claro que não há nada de novo nesse particular. O que continua obvio, sem voltar a falar nas manjadas teorias freudianas da Sedução e da Fantasia, é que não apenas o abuso sexual de crianças mas a sexualidade em si tem vindo pelos milênios a fora como um nó górdio e, evidentemente, deixado atrás de si destroços de loucuras e de crimes um mais esdrúxulo que o outro.
Nesse momento, com as prisões quase lotadas desses bizarros “sedutores”, como fofoca e numa tentativa, talvez, de retardar um pouco a desintegração completa de nossos agrupamentos sociais, as perguntas que mais se ouvem por aí, desde os quarteirões da insensatez até os redutos da intelligentsia são mais ou menos as mesmas:
O que se poderia fazer para provar que um determinado ato tem ou não tem intencionalidade perversa?
Como estabelecer uma fronteira, o mais distante possível da subjetividade e do rancor, para não tornar o cotidiano ainda mais sexo-paranóide?
Como deixar as crianças a salvo dos pedófilos sem contudo enclausurá-las numa teia de horror e de moralismos que virá a tornar sua futura sexualidade numa usina de recusas e de angustias patológicas?
Como não interditar pelo medo a transação lúdica e afetiva necessária entre o mundo adulto e o universo infantil, coisa que até mesmo entre os macacos é algo imprescindível?
Como não cair no atraso, na pieguice e na ignorância de sexualizar a sensualidade, de criminalizar um simples abraço, um olhar, uma palavra, um carinho?
Como não projetar nas crianças o medo, a malicia e a fobia, assim como a neurose sexual dos adultos e das instituições vigentes?
Como não sexualizar aquilo que não é sexual como fez a igreja católica durante séculos, engendrando milhões e milhões de desgraçados, reprimidos e infelizes?
Como não satanizar o “outro” mais do que já está satanizado?  E, por fim, como administrar os “viagras” e os tantos outros tipos de excitantes químicos, orais, auditivos e visuais que a “modernidade” tem oferecido gratuitamente a qualquer um, a qualquer  tempo e a qualquer hora e que, sem beneditismos, têm perturbado, adoecido e empurrado a tropa masculina de todas as idades para as clinicas ou para a cadeia?
Onde ir buscar respostas? Para os mais céticos, ao invés de um prêmio, como alguns bípedes continuam acreditando, a sexualidade se revelou um castigo e um sintoma. Com os dois bonecos já prontos, vendo que na expressão deles havia quase o distanciamento do autismo, o cínico demiurgo tomou mais um punhado de lama e agregou nela, junto à vulva, um clitóris, e nele, na parte superior das bolas, um pênis. Ide atormentar-vos mutuamente pela estupida solidão da terra – teria decretado com sarcasmo. De lá para cá, uns estão por aí até hoje estuprando-se e comendo-se mutuamente; outros mudaram o objeto da neurose e se esfolam do jeito que podem; outros deslocaram sua tara para as crianças; outros para os animais; outros para os velhos e outros, enojados de toda essa barbárie e dessa triste e interminável negociação de fluidos, inventaram o fervor onanista... Se consultado, Cioran nos lembraria: “Só os monstros podem se permitir ver as coisas como elas são...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

PERSONALIDADES: SE FOI A HILLARY... CHEGOU O CACHOEIRA..


Foi só a Hillary virar as costas e partir, para que chegasse o Cachoeira. Está ali na Papuda, com toda sua simpatia compartilhando a cela com alguns colegas de profissão e esperando a hora de valer-se do sagrado direito de ficar mudo. De não gerar provas contra-si-mesmo, ou então, de jurar que não sabe de nada, que não viu ninguém, que nem tem ideia do que é contravenção; que ama a pátria acima de tudo; que seus atos foram todos republicanos; que ganhou seu dinheirinho com o suor de seu rosto, já que sua vida tem sido mais dura que a de Sísifo; que por amor à verdade, libera espontaneamente o sigilo de suas contas bancárias (no Brasil); que na plateia só vê mulheres, homens e cidadãos honrados e de bem; que sempre temeu e fez de tudo para evitar na sociedade a metástase da imoralidade; que o fisco tem lhe comido o fígado com o mesmo apetite do abutre que diariamente mutilava as visceras de Prometeu; que está sendo injustiçado; que foi vítima de adversários políticos; que tem esposa, filhos, uma família imensa (todos católicos apostólicos romanos); que paga o dízimo em dia e que inclusive odeia jogos de azar, pois leu a Dostoievski e sabe o quanto é imenso o risco da desgraça advir  de dentro de um simples caça-níqueis enfim, que deus é brasileiro e que haverá de reestabelecer a verdade dos fatos... Como não acreditar nele e em Deus? Deus que, aliás, ultimamente, só tem “reestabelecido” a verdade dos fatos a favor dos contraventores, sempre quando estes são milionários, evidentemente... Quando são pobres e fodidos é o diabo que entra em cena com sua trupe de pequenos, moralistas e incompetentes bacharéis para deixá-los propositadamente à deriva, serem condenados e empurrados para a cadeia e de lá para o inferno... Independente de tudo isso, não lhes parece uma imensa injustiça prender o Cachoeira quando acabam de soltar o Cacciola???  Que esse senhor não abra a boca diante de seus inquisitores é previsível. Com aquele jeito de padre deve ter lido a Voltaire e saber que se “dizer um segredo dos outros é traição, dizer um segredo a respeito de si mesmo é uma imensa burrice”...
Enquanto isso...., no Congresso... com exceção de alguns que adoeceram misteriosamente, há filas inéditas e nunca vistas para aprovar a instalação da tal CPI.  Prova de quê? De que os velhos sábios do Senado e os jovens esperançosos e revolucionários da Câmara não se furtam quando a nação, em apuros, conta com eles. Quê demonstração de honestidade e de amor incondicional!!! E quem sempre acusou irresponsavelmente àquela casa de assemelhar-se a uma Bolsa de Valores terá agora que engolir a língua e admitir que ela se parece mais é a um claustro de carmelitas ou até mesmo a um mosteiro de santos... Claro que na intimidade da famiglia, com as cortinas fechadas, longe dos holofotes e das escutas da polícia, as madrugadas são longas e servem para, furtivamente, rasgar papéis, mudar de lugar os caixotes de joias e de Libras Esterlinas, transportar para outros esconderijos os lingotes de ouro, a relação de bens, aqueles pedregulhos de diamantes e, claro, dar um sumiço nas agendas e nos códigos das contas de Hongkong e etc. Tudo com a singela participação das matronas empetecadas e deslumbradas e, claro, da prole, que vem sendo treinada para, no porvir, ocupar lá no seio da esquizofrenia política o trono do patriarca.