"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Kant e as privadas da república...

Quando se quer falar lacônica e abreviadamente da incompetência, da malandragem e do bizantismo dos governos aqui no DF, se fala logo das Escadas Rolantes da rodoviária; dos Puxadinhos clandestinos; das Passarelas por debaixo dos eixos; do Tomógrafos encaixotados; do Café no primeiro andar da Torre de TV; da Ruína das escolas; das Filas nos hospitais e, claro, das Toaletes públicas (até hoje inexistentes). Desde que a cidade foi construída, cada novo vivaldino que abocanhou o poder prometeu que resolveria de imediato e sumariamente essas vergonhosas pendências. Nada! Absolutamente nada! E onde se meteram esses "filantropos", esses apaixonados pelo "bem estar social" e pelos fuzuês da pátria? A questão das toaletes, por ser a mais simbólica e grave de todas, curiosamente, é também a mais negligenciada. Impossível mijar por aí, e se a necessidade for mais complexa então, nem pensar. O que passaria pela cabeça desses energúmenos que, apesar dos ganidos irritantes, não resolvem uma questão tão elementar? - é o que todo mundo se pergunta. Problemas com os dejetos? Algo relacionado com a fase anal? A merda lhes remeteria a algumas de suas múltiplas, secretas e negadas neuroses diárias? Só pode ser. Assim como a qualidade de um restaurante se mede pelo cheiro e pelo estado de seus banheiros é evidente que pode-se usar os mesmos parâmetros para avaliar uma cidade. Qual seria a dificuldade? Dinheiro? Pelo valor dos estádios (esses coliseus de mentecaptos) que estão sendo construídos Brasil a fora e do montante das propinas que têm rolado por aí, todo mundo sabe que não é. Faltam engenheiros e arquitetos? Ora, qualquer pedreiro vesgo de periferia resolveria o assunto em semanas.

- Ah, doutor, é que estamos preocupadissimos apenas com as Olimpíadas e com a Copa de 2014!!!

Ah bom! Então está justificado!!! Somos uma sociedade que dá sua alma para garantir o lazer e o bem estar de seu povo, não é verdade? As últimas notícias sobre as máfias dos clubes de futebol e das Escolas de Samba justificam tudo, até mesmo o sucateamento da Estação brasileira lá na Antartida...
Um país aos pedaços, com mais da metade de sua população vivendo na mais abjeta ignorância fazer tanto teatro e dar tanta importância a uma estúpida e futura disputa de futebol é realmente inacreditável. Sabendo-se ou não fomenta-se a burrice nacional através dos esportes e inclusive se lubrifica uma máquina e um sistema de escravidão que envolve não apenas as plateias imbecilizadas mas também os jogadores, sem falar das milhares e milhares de crianças pobres que são iludidas de que poderão vir-a-ser como esses dois ou três pernas de pau que aqui e ali são bajulados e mistificados. A realidade tem provado que a grande maioria dessas pobres crianças não vão além da ilusão e que na maioria das vezes acabam tendo um destino até pior que o de seus miseráveis ancestrais. Talvez o velho Kant se referisse a absurdidades como essas quando afirmava que a "Providência era mefistofélica porque perseguia o "bem" da espécie através do "mal" do indivíduo".

Kant e as privadas da república...

Quando se quer falar lacônica e abreviadamente da incompetência, da malandragem e do bizantismo dos governos aqui no DF, se fala logo das Escadas Rolantes da rodoviária; dos Puxadinhos clandestinos; das Passarelas por debaixo dos eixos; do Tomógrafos encaixotados; do Café no primeiro andar da Torre de TV; da Ruína das escolas; das Filas nos hospitais e, claro, das Toaletes públicas (até hoje inexistentes). Desde que a cidade foi construída, cada novo vivaldino que abocanhou o poder prometeu que resolveria de imediato e sumariamente essas vergonhosas pendências. Nada! Absolutamente nada! E onde se meteram esses "filantropos", esses apaixonados pelo "bem estar social" e pelos fuzuês da pátria? A questão das toaletes, por ser a mais simbólica e grave de todas, curiosamente, é também a mais negligenciada. Impossível mijar por aí, e se a necessidade for mais complexa então, nem pensar. O que passaria pela cabeça desses energúmenos que, apesar dos ganidos irritantes, não resolvem uma questão tão elementar? - é o que todo mundo se pergunta. Problemas com os dejetos? Algo relacionado com a fase anal? A merda lhes remeteria a algumas de suas múltiplas, secretas e negadas neuroses diárias? Só pode ser. Assim como a qualidade de um restaurante se mede pelo cheiro e pelo estado de seus banheiros é evidente que pode-se usar os mesmos parâmetros para avaliar uma cidade. Qual seria a dificuldade? Dinheiro? Pelo valor dos estádios (esses coliseus de mentecaptos) que estão sendo construídos Brasil a fora e do montante das propinas que têm rolado por aí, todo mundo sabe que não é. Faltam engenheiros e arquitetos? Ora, qualquer pedreiro vesgo de periferia resolveria o assunto em semanas.

- Ah, doutor, é que estamos preocupadissimos apenas com as Olimpíadas e com a Copa de 2014!!!

Ah bom! Então está justificado!!! Somos uma sociedade que dá sua alma para garantir o lazer e o bem estar de seu povo, não é verdade? As últimas notícias sobre as máfias dos clubes de futebol e das Escolas de Samba justificam tudo, até mesmo o sucateamento da Estação brasileira lá na Antartida...
Um país aos pedaços, com mais da metade de sua população vivendo na mais abjeta ignorância fazer tanto teatro e dar tanta importância a uma estúpida e futura disputa de futebol é realmente inacreditável. Sabendo-se ou não fomenta-se a burrice nacional através dos esportes e inclusive se lubrifica uma máquina e um sistema de escravidão que envolve não apenas as plateias imbecilizadas mas também os jogadores, sem falar das milhares e milhares de crianças pobres que são iludidas de que poderão vir-a-ser como esses dois ou três pernas de pau que aqui e ali são bajulados e mistificados. A realidade tem provado que a grande maioria dessas pobres crianças não vão além da ilusão e que na maioria das vezes acabam tendo um destino até pior que o de seus miseráveis ancestrais. Talvez o velho Kant se referisse a absurdidades como essas quando afirmava que a "Providência era mefistofélica porque perseguia o "bem" da espécie através do "mal" do indivíduo".

Edward Munch: (pinceladas de melancolia...)









Edward Munch: (pinceladas de melancolia...)









sábado, 25 de fevereiro de 2012

A CARAVANA DOS ALEIJADOS... OU: 500 anos de solidão...








Lembram da Caravana dos Deficientes Físicos bolivianos que durante mais de três meses veio se "arrastando" desde a província de Trinidad até La Paz? Chegou ontem a seu destino e ao tentar entrar na Plaza Murillo foi recebida pela polícia sem grandes delicadezas. Reivindicam uma pensão de três mil Bolívares, contra a proposta do governo que é de mil. Os jornais da região dizem que a polícia foi dura, que usou gás, choques elétricos e até cachorros contra eles. Quem é que não fica com os cabelos em pé só em ouvir falar em polícia latino-americana? Alguns foram esbofeteados e presos, inclusive o guapeca de um cadeirante que, em defesa de seu dono se atracou com um policial. Impotentes, os homens tiraram a roupa em protesto e decretaram greve de fome. Sinceramente, alguém no mundo estaria minimamente preocupado com o estômago dessa gente? Gente que já nem se dá mais conta que está em greve de fome há mais de 500 anos! E quantas vezes esse ato já foi encenado em vão por outros atores!!! É quase inacreditável que a América Latina não avance... Prestem atenção e não é psicologismo: há um elemento sadomasoquista muito poderoso neste lado do continente. O acidente ferroviário da semana passada em Buenos Aires é a mais recente amostra dessa solidão e dessa desgraceira interminável. Como diria Vargas Vila, o mais lúcido de todos os escritores latino-americanos: "De minha pátria não sinto senão uma nostalgia: de suas montanhas virgens, suas selvas profundas, seus rios misteriosos, inviolados... É ali que eu queria viver e morrer, porque é ali a única parte livre de minha pátria. Livre? mentira. Ali também os missionários da religião levantaram a cruz sobre o alto das montanhas, e não há homem livre sob a sombra de um deus. (...) Pobres povos, que em marcha dentro da noite se detêm para amaldiçoar o sol ao qual deram miseravelmente as costas!!!"











A CARAVANA DOS ALEIJADOS... OU: 500 anos de solidão...








Lembram da Caravana dos Deficientes Físicos bolivianos que durante mais de três meses veio se "arrastando" desde a província de Trinidad até La Paz? Chegou ontem a seu destino e ao tentar entrar na Plaza Murillo foi recebida pela polícia sem grandes delicadezas. Reivindicam uma pensão de três mil Bolívares, contra a proposta do governo que é de mil. Os jornais da região dizem que a polícia foi dura, que usou gás, choques elétricos e até cachorros contra eles. Quem é que não fica com os cabelos em pé só em ouvir falar em polícia latino-americana? Alguns foram esbofeteados e presos, inclusive o guapeca de um cadeirante que, em defesa de seu dono se atracou com um policial. Impotentes, os homens tiraram a roupa em protesto e decretaram greve de fome. Sinceramente, alguém no mundo estaria minimamente preocupado com o estômago dessa gente? Gente que já nem se dá mais conta que está em greve de fome há mais de 500 anos! E quantas vezes esse ato já foi encenado em vão por outros atores!!! É quase inacreditável que a América Latina não avance... Prestem atenção e não é psicologismo: há um elemento sadomasoquista muito poderoso neste lado do continente. O acidente ferroviário da semana passada em Buenos Aires é a mais recente amostra dessa solidão e dessa desgraceira interminável. Como diria Vargas Vila, o mais lúcido de todos os escritores latino-americanos: "De minha pátria não sinto senão uma nostalgia: de suas montanhas virgens, suas selvas profundas, seus rios misteriosos, inviolados... É ali que eu queria viver e morrer, porque é ali a única parte livre de minha pátria. Livre? mentira. Ali também os missionários da religião levantaram a cruz sobre o alto das montanhas, e não há homem livre sob a sombra de um deus. (...) Pobres povos, que em marcha dentro da noite se detêm para amaldiçoar o sol ao qual deram miseravelmente as costas!!!"











sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mal-entendidos e cinzas... nada mais!

Finalmente o Princípio da Realidade e as cinzas se abateram sobre os foliões e sobre a folia. Agora, enquanto os "intelectuais" fazem suas análises fajutas sobre o evento e a ralé se ocupa em recuperar as canelas, os quadris, o fígado e as pregas, os chefões dos "blocos" e dos "trios-elétricos" discutem na surdina com os gerentes de bancos a melhor maneira de investir as fortunas que anualmente, sob o pretexto da "cultura" e da "alegria popular", surrupiam dos Ministérios. Aliás, o Ministério da Saúde diz ter distribuido para estes dias "carnavalescos", só aqui no DF, 1 milhão e 500 mil camisinhas, principalmente para os homossexuais adolescentes (recém iniciados) evitarem prematuramente os demônios da AIDS. Será que esses fedelhos estão trepando tanto assim? Ou será que existe aí alguma compulsão e alguma pré psicose confundida com desejo? Ouvi até uma senhora especialista orientando como deveria ser a penetração anal, as posições, os lubrificantes etc. E a senhora em questão chamava a atenção especialmente para a importância de se retirar o "pênis" ainda duro do rabo do outro para que os líquidos seminais não transbordassem dentro. Somos ou não somos a nação mais fútil e mais surrealista do planeta??? E aquela senhora, que seguramente não deve suportar nem o dedo mindinho, só faltou dizer aos pobres garotos que, se não tiverem cuidado com a enrabação mútua podem até ter uma gravidez involuntária... Ah, se minha bisavó ouvisse uma idiotice e uma leviandade dessas, provavelmente se trancaria no sótão com sua camisola de musseline e meio quilo de polenta e ficaria lá por uma quinzena recitando em voz alta o Eclesiastes. Quem poderia imaginar que o mundo (com o Brasil na primeira fila) chegasse tão rápido a esta ideologização e múltipla utilização do rabo? Mal-entendidos! Mal-entendidos e nada mais!
E morreu nesta sexta-feira de cinzas a moça milionária da DASLU. As pobrezinhas da DASPU ainda estão por aí sãs e salvas, prometendo alegrar ainda, e muito, as alcovas de outros carnavais.


Mal-entendidos e cinzas... nada mais!

Finalmente o Princípio da Realidade e as cinzas se abateram sobre os foliões e sobre a folia. Agora, enquanto os "intelectuais" fazem suas análises fajutas sobre o evento e a ralé se ocupa em recuperar as canelas, os quadris, o fígado e as pregas, os chefões dos "blocos" e dos "trios-elétricos" discutem na surdina com os gerentes de bancos a melhor maneira de investir as fortunas que anualmente, sob o pretexto da "cultura" e da "alegria popular", surrupiam dos Ministérios. Aliás, o Ministério da Saúde diz ter distribuido para estes dias "carnavalescos", só aqui no DF, 1 milhão e 500 mil camisinhas, principalmente para os homossexuais adolescentes (recém iniciados) evitarem prematuramente os demônios da AIDS. Será que esses fedelhos estão trepando tanto assim? Ou será que existe aí alguma compulsão e alguma pré psicose confundida com desejo? Ouvi até uma senhora especialista orientando como deveria ser a penetração anal, as posições, os lubrificantes etc. E a senhora em questão chamava a atenção especialmente para a importância de se retirar o "pênis" ainda duro do rabo do outro para que os líquidos seminais não transbordassem dentro. Somos ou não somos a nação mais fútil e mais surrealista do planeta??? E aquela senhora, que seguramente não deve suportar nem o dedo mindinho, só faltou dizer aos pobres garotos que, se não tiverem cuidado com a enrabação mútua podem até ter uma gravidez involuntária... Ah, se minha bisavó ouvisse uma idiotice e uma leviandade dessas, provavelmente se trancaria no sótão com sua camisola de musseline e meio quilo de polenta e ficaria lá por uma quinzena recitando em voz alta o Eclesiastes. Quem poderia imaginar que o mundo (com o Brasil na primeira fila) chegasse tão rápido a esta ideologização e múltipla utilização do rabo? Mal-entendidos! Mal-entendidos e nada mais!
E morreu nesta sexta-feira de cinzas a moça milionária da DASLU. As pobrezinhas da DASPU ainda estão por aí sãs e salvas, prometendo alegrar ainda, e muito, as alcovas de outros carnavais.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A câmera fotográfica: um instrumento para ociosos! (Le Corbusier)


Quase impossível passar diariamente ali pelo Complexo Cultural da República e não ser tentado a pensar que o Niemeyer, consciente ou inconscientemente pirateou essa arquitetura sombria, sem janelas, com pouco oxigênio, em formato de glande e de bunker das primeiras paixões arquitetônicas de Le Corbusier pelas construções arredondadas e brancas das ilhas gregas. E por falar em Le Corbusier e Niemeyer, coincidentemente, os dois, não sei por qual motivo, maquiaram seus nomes. O nome civil de Le Corbusier era: Charles-Edouard Jeanneret, e o de Niemeyer: Oscar Ribeiro Almeida de Niemeyer Soares. Também o Brizola, que dá nome a esse monumento mudou o seu de Itajiba de Moura Brizola para Leonel Brizola. O Sarney, idem. De José Ribamar Ferreira de Araújo para José Sarney. O próprio J. Derrida, o tal das "desconstruções", desconstruiu o dele. Bobagens! Entrei neste assunto depois de transitar pela biografia de Le Corbusier. Só o fato de ter sido autodidata já lhe garantiu um lugar no paraíso. Além disso, ter percorrido já em sua época grande parte da Europa e do Oriente Médio a pé, foi uma façanha incomparável. As casinhas em madeira da Bulgária e da Turquia, bem como a caiação da arquitetura das ilhas gregas povoaram seu imaginário para sempre. Como registrava os detalhes arquitetônicos com grafite ou simplesmente na memória, dizia com ironia que a máquina fotográfica era um instrumento para ociosos. Planejou diversas cidades, mas nenhuma foi construída. Se tivesse arrumado um padrinho como JK tudo teria se resolvido. Teve seu auge e depois descambou para a melancolia. Morreu com 77 anos, enquanto dava uns mergulhos no mediterrâneo.

A câmera fotográfica: um instrumento para ociosos! (Le Corbusier)


Quase impossível passar diariamente ali pelo Complexo Cultural da República e não ser tentado a pensar que o Niemeyer, consciente ou inconscientemente pirateou essa arquitetura sombria, sem janelas, com pouco oxigênio, em formato de glande e de bunker das primeiras paixões arquitetônicas de Le Corbusier pelas construções arredondadas e brancas das ilhas gregas. E por falar em Le Corbusier e Niemeyer, coincidentemente, os dois, não sei por qual motivo, maquiaram seus nomes. O nome civil de Le Corbusier era: Charles-Edouard Jeanneret, e o de Niemeyer: Oscar Ribeiro Almeida de Niemeyer Soares. Também o Brizola, que dá nome a esse monumento mudou o seu de Itajiba de Moura Brizola para Leonel Brizola. O Sarney, idem. De José Ribamar Ferreira de Araújo para José Sarney. O próprio J. Derrida, o tal das "desconstruções", desconstruiu o dele. Bobagens! Entrei neste assunto depois de transitar pela biografia de Le Corbusier. Só o fato de ter sido autodidata já lhe garantiu um lugar no paraíso. Além disso, ter percorrido já em sua época grande parte da Europa e do Oriente Médio a pé, foi uma façanha incomparável. As casinhas em madeira da Bulgária e da Turquia, bem como a caiação da arquitetura das ilhas gregas povoaram seu imaginário para sempre. Como registrava os detalhes arquitetônicos com grafite ou simplesmente na memória, dizia com ironia que a máquina fotográfica era um instrumento para ociosos. Planejou diversas cidades, mas nenhuma foi construída. Se tivesse arrumado um padrinho como JK tudo teria se resolvido. Teve seu auge e depois descambou para a melancolia. Morreu com 77 anos, enquanto dava uns mergulhos no mediterrâneo.