"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Férias & desejos indigentes...

O mendigo de sempre ao ver-me atravessando a pista do aeroporto:

- Dr., estarei rezando para que seu avião não entre no meio de um  daqueles furacões endemoniados e não seja despedaçado contra uma estrela...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A VONTADE DE EXTERMÍNIO...

Recebi no sábado passado do Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária da Pós-Graduação de Ciências Sociais da PUC-SP) o texto abaixo, ainda sobre o Wellington Menezes de Oliveira, cujo corpo continuava apodrecendo no necrotério carioca, mais um sintoma de que a sociedade inteira é extremamente cruel e vingativa. Leiam-no com calma, (apesar da PUC) o texto é lúcido e conclusivo.



{No dia 7 de abril, um jovem de 23 anos entrou na escola onde cursara o ensino fundamental e metralhou crianças entre 9 e 14 anos, preferencialmente meninas. Wellington Menezes de Oliveira foi interceptado por um policial e suicidou-se com um tiro na cabeça. Após a tragédia, começaram as incessantes buscas dramáticas pela descoberta dos motivos. Reviraram-se cartas, laudos médicos, sua história de vida, anotações pessoais, instant messengers, vídeo, opiniões de conhecidos, para tentarem chegar próximo a uma conclusão sobre o novo monstro.

perdedor radical ensimesmado, emudecido e recluso, ruminou a espera da hora derradeira de agir. Extravasou seu ressentimento e vontade de morte, seu ódio pelas meninas, sua repugnância ao que não fosse o mundo de pureza e castidade que havia empreendido para si. Em nome desse mundinho, matou e se ofereceu em martírio. Deixou uma carta, incluindo instruções sobre seu embalsamento como homem santo que acreditava ser. Sabia que ela estaria publicada nos jornais, lida na televisão, compartilhada na internet. Construiu, cuidadosamente, seu momento de celebridade e vingança; atingiu seu objetivo, sua meta, e difundiu um momento de conversão e redenção.

Foram enumerados variados elementos explicativos para a morte destas crianças em uma escola no Rio de Janeiro: internet, pureza, Jesus, virgindade, escola, religião, armas ilegais, compras legais on line, videogames de guerra, televisão, solidão, desespero, ódio, bullying, expectativas e falta de expectativas, frustrações, édipos, irmandades, fundamentalismos...

Wellignton, dizem que também conhecido como Al Qaeda, pagou duzentos e cinquenta reais por uma das armas, comprou o recarregador de pistolas por cinco dólares na internet, e gravou um vídeo para sua efêmera posteridade. Em sua cruzada pela pureza redentora, realizou a vontade de extermínio dos demais covardes dissimulados. Junto a outros perdedores radicais que já morreram e aos que virão, ele conforma e atualiza o inacabado programa desta irmandade de mártires.

No necrotério, seu corpo aguarda, como futuro indigente, alguém para reclamá-lo.

 Orquestra-se a algaravia com comoções e perplexidades, choros, heróis midiáticos, racionalizadas explicações, turbas de vingadores, e clamores por segurança. Estampa-se o medo ao próximo justiceiro invisível, o inimigo imprevisto e jamais antecipado.

Entretanto, permanece um vazio. Não há o criminoso para a polícia e o tribunal, nem para a moral que o criou e o despreza como bastardo. Não há nada para amenizar o teatro de horrores transformado em notícias de televisão, rádio e jornais, postagens eletrônicas, diagnósticos de especialistas sobre transtornos psiquiátricos, causas socioeconômicas, equipamentos de ponta, sociologia da violência, educação para o futuro, assunto para enfadonhos jantares familiares, ladainhas no facebookorkuts e demais redes sociais digitais.

Este criminoso não está vivo para ser esmiuçado pelos saberes da consciência. Sua morte escancara a disseminação do medo no interior das famílias, da escola, dos ambientes de jovens, ONGs e anuncia a etérea esperança em polícias, penalizações, monitoramentos, medicalizações, enfim no governo das condutas.

Instala-se o inevitável: o assombroso desterro destinado às crianças condenadas às escolarizações forçadas e às suas famílias desesperadas e crentes na felicidade, empurrando-as ao sucesso a qualquer preço, agenciado pelo empreendedorismo de si. Educadas no secular sistema de recompensas e punições como futuro capital humano são presas das metas a serem perseguidas.

Enquanto isso, recomenda-se a administração da apatia com fé em mais segurança, cuidados especiais pedagógicos, psicológicos, psiquiátricos, sociais; e o pesadelo real, sob o regime das acentuadas atenções de pais e mães aos seus filhos, escancara o policiamento às amizades indesejadas, ao que devem ver na internet e na televisão, ao que devem fazer para satisfazê-los.


“A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram e eu morrerei não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem”.


            Wellington é uma criação da família, da escola, do bullying, das redes sociais digitais, da ciência dos transtornos, da mediocridade do empreendedorismo de si, da apatia dos jovens preparados para ser capital humano. Incapazes de insubmissões e revoltas, afeitos a parecerem vencedores por um instante, não suportam serem perdedores a priori. Por não suportarem a condição de losers, e sedentos por uma restauração moralizadora em uma sociedade de ventríloquos, embalsamada, maquiada e forçosamente moderada, atingem o estágio do insuportável e transbordam suas derrotas em extermínios relâmpagos.

Este perdedor radical reside na escola, ambiente favorável à produção do nerd e de seu autodegredo como futuro vencedor. Traz à tona seu análogo vexatório, o perdedor radical, isolado ou em dupla, enquanto se aguarda o momento em que seu ato de violência mostrará que não é fraco, covarde, estúpido, um bosta. E como tal, atira merda para todos os lados. Atinge as vítimas selecionadas, a sociedade que os produziu e não fica vivo para ser alvo da justiça. Contudo, ao mesmo tempo, transforma-se em fato inquestionável para a disseminação dos discursos punitivos e medicalizadores de jovens com sua posologia genérica para normalizar as condutas recomendáveis. Ampliam-se as práticas de contenção de supostos perigosos, refazendo o lote dos anormais e fortalecendo a prevenção geral em defesa da sociedade.

Os incapazes de se defenderem solidificam as covardias de cada um com suas ações de perdedores radicais. Cedo ou tarde, outros irmãos como estes virão para explicitarem, mais uma vez, a fraqueza da fraternidade e a necessidade de sangue assinando o escândalo de sua obstinação.

Cada perdedor radical expressa a vontade de extermínio própria do racismo entranhado nas tecnologias modernas de poder, que celebra a morte de  uma parte impura em nome da pureza de todos. A proximidade entre este perdedor radical e os terroristas islâmicos, se houver, está na disposição para morte como meio para atingir a sua meta de cruzado contra o mal.

Wellington não era um terrorista, nem um doente. Ele é a expressão macabra da cultura do castigo, que tem na escola e na família seus lugares privilegiados. Assujeitado na condição de vítima não vê outra saída senão matar e morrer; expressa em atos de violência o que o seu duplo, o vencedor à mercê das metas exigidas, realiza, lentamente, em busca por sucesso, dinheiro e reconhecimento. Se a imagem do vencedor é a daquele capaz de trucidar seus adversários num emaranhado supostamente ético, é no extermínio dos inimigos escolhidos que o perdedor radical encontra-se com a vitória do fraco, bom e inocente.

Enquanto os jovens de hoje nas escolas, empregos e universidades não descobrirem e demolirem o que estão sendo levados a servir, a iminência da matança estará cada vez mais presente; a suspeição, própria do regime das penas, se expandirá; a prisão e seus monitoramentos a céu aberto se elastificarão.

No necrotério, seu corpo aguarda, como futuro indigente, alguém para reclamá-lo. Quem?!}

quarta-feira, 20 de abril de 2011

IPVA? Que idiotice é essa??? Perguntou-me o mendigo.

Ao ver-me transpirando numa fila de banco para pagar impostos, o mendigo da rodoviária (já lhes falei dele várias vezes) aproximou-se rindo:

- Pensei que havias abandonado esta aldeia de farsantes...

Em seguida inclinou a cabeça para ver o documento que eu segurava na mão e ao identificá-lo explodiu numa gargalhada:

- IPVA, cara? Que merda e que idiotice é essa???

Passei-lhe o documento e ele, com expressão de nojo foi lendo:

- Seguro obrigatório... Licenciamento anual... IPVA primeira cota, segunda cota, terceira cota... Multas por atraso... multas por excesso de velocidade, multa por ter tomado biotônico antes de dirigir...

Gargalhou novamente, devolveu-me o DAR e falou em bom tom:

- Cambada de ovelhas e de idiotas!!! Além de pagarem mil vezes mais do que valem essas latarias velhas, ainda devem pagar por tudo isso? E mais, todos os anos, aos proxenetas do Estado. Não é possível! Isso é modernidade? Isso é liberdade? Se fosse uma vez na vida, ainda, ainda...

Bateu no vidro do balcão e falou para o caixa:

- Guarda o lugar desse "cidadão" aí na fila que vou levá-lo lá na calçada por um minuto. 

No meio fio da plataforma superior apontou para a Esplanada dos Ministérios entulhada de automóveis de todos os tamanhos e cores e praguejou com voz propositalmente esganiçada:

- Que tal? Veja que belo espetáculo de desdita! Já viste tantos imbecis juntos, encolerizados, estressados, buzinando, a bunda suada, os olhos cravados no relógio, nos semáforos, nos congestionamentos intermináveis??? Que idiotice é essa? E observe que quanto maior a idiotice maior o carro!!! Diga-me uma coisa doutor: essa anomalia é genética ou cultural? E saber que poderia estar todo mundo caminhando tranquilo por aí e à sombra, coçando o saco, cheirando rapé, andando de bicicleta, ou de carruagem...

Voltando  ao banco, depois de dar um tchau ao caixa riu cinicamente em minha direção e recitou esta frase de Aristóteles: 

[buena suerte? Buena suerte é quando a flecha mata ao companheiro que está junto a nós].

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O haraquiri e os limites de nossa permanência...

Meu correspondente no Japão enviou-me agora a tarde uma notícia de poucas linhas mencionando o caso do  homem de 102 anos que suicidou-se para não ter que sair de sua casinha situada no perímetro das usinas nucleares danificadas. Meu "informante" não sabia ainda qual o método usado pelo senhor para tirar-se a vida mas, por dedução e por tratar-se de um japonês daquela idade, achava que o harakiri (o suicídio ritual) teria sido o mais provável. 

Sempre que se fala em suicídio e em harakiri  vem logo a mente o famoso escritor Kimitake Hiratoka (conhecido por Yukio Mishima), autor de Cavalo Selvagem, O som das Ondas, O tempo do pavilhão dourado etc., etc., ele que em 1970 (nessa época o suicida de hoje estava com 61 anos), depois de invadir o Quartel General em Tóquio e ler um discurso em defesa do Imperador, do Japão e de suas tradições suicidou-se diante de uns mil homens.

Acompanhado por dois seguidores, Mishima terminou de ler seu manifesto patriótico, ajoelhou-se quase nu diante daquela "platéia" improvisada, gritou três vezes tenno heika banzai (longa vida ao imperador) e passou-se o punhal pela barriga como manda o código de honra dos samurais e, claro, foi para o beleléu. 

É curioso que o pretexto de seu suicídio há 41 anos atrás como o do velhinho de hoje, têm, na essência, não só as mesmas raízes, mas também as mesmas ramificações... Algo derivado do apego e do narcisismo, de um enraizamento exagerado, de uma paixão e de um amor fatal por um pedaço de terra, por um barraco e por um passado idilizado. Mishima reclamava a derrota na guerra, as bombas sobre Hiroshima e Nagazaki, o pisoteamento das tradições milenares e o risco da invasão da superficialidade ocidental em seu país. O suicida de hoje, ainda atordoado pelo tsunami, contrário e resistente às ordens do Estado, não quis abrir mão de seu lugar, preferiu a radiação e mesmo a morte a ter que recuar, abandonar sua aldeia, sua casa, suas raízes cravadas ali naquele terreno durante um século, terreno que, por fatalidade, como Hiroshima de outrora, agora também estava infectado pela futilidade radioativa... 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

OUTRO HOMEM QUASE APÁTRIDA & QUASE IMPATRIÓTICO...

Sacrifiquei minha sesta e meu ócio improdutivo para ir ver o homem de 38 anos que subiu ao mastro da bandeira ali em frente o STF, chamuscou o símbolo máximo da PÁTRIA, disse umas boas a alguns políticos, à polícia etc., ficou lá umas três horas e depois desceu cuidadosamente por aquelas vigas circulares de aço em meio a um aparato desnecessário, exagerado e cinematográfico de policiais, bombeiros, ambulâncias, camburões e jornalistas... Levava numa mochila de plástico amarela dois recipientes com gasolina, uma corda, uns pedaços de madeira e outras porcarias típicas de um andarilho. Tive seu rosto bem focado no interior de minha teleobjetiva mas como ele estava de braços levantados neguei-me a dar o clic. Nada é mais humilhante e indigno do que um homem subjugado e de braços levantados com outros o apalpando em busca de uma "arma secreta" de um canivete, de  uma caixa de fósforos, de uma ilegalidade qualquer, de um desejo impatriótico ou de um patuá envenenado... Quando foi levado do local, parece que uma depressão súbita se abateu sobre aquele exército de demi-funcionários que haviam saído de suas "agências" com a expectativa (e com a ordem) de gravar outra sinistrose, mais uma tragédia, outro escândalo para o noticiário febril da noite... 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Os chineses, os porcos e nós...

Oba! A China comprará nossos porcos! Negócio fechado. Trocas. Globalização. A urgência das tripas. Curioso! Foram eles que há 4900 A.c. domesticaram esse bicho. Quem trouxe os primeiros casais (sus surofa) para as Américas foi Cristovam Colombo… No passado a troca seria por ópio, agora, por porcarias de R$: 1,99 e por porquinhos de plástico lhes enviaremos nossos porcos de carne e osso, pulsantes e compactos, os mesmos das “unhas fendidas, do casco dividido que não ruminam e que são imundos” segundo as proibições do velho e camarada Moisés. Mas aquela legião de indigentes e de ignorantes que perambulava pelo deserto relaxou quando mais tarde Deus, arrependido e complacente com seus estômagos, teria ordenado: Levantem-se, peguem, matem e comam!!! A partir daí a chacina foi oficializada, a terra não se livrou mais da porcalhada, da fumaceira do toicinho, nem do torresmo e nem das feijoadas. Claro que surgiram as pestes suínas e que muita gente tentou em vão, deixar de jogar pérolas aos porcos. Em minha infância não passava um mês sem que aqueles vorazes imigrantes degolassem um Duroc ou um Landrace. Um caldeirão com água fervente, um balde para coletar o sangue, uma faca muito bem afiada e os gritos daqueles “inocentes”, eis aí minhas primeiras aulas de filosofia e de horror… As linguiças dependuradas. Baia dos Porcos! O porco, esse desconhecido! Moisés e Maomé cúmplices de uma mesma causa.  Graças a eles o Irã se livrou da Taenia solium! Apesar dos criadores desse animal terem sido sempre mal vistos pelas “elites”, nos banquetes grego-romanos estava sempre lá o leitão na baixela de ouro… Cabeça de porco! O porco filósofo e o filósofo porco! Um porco como cofre! Os três pouquinhos, na verdade, eram três cachaços. Um bilhão e tanto de chineses comendo nossos porcos! Um dia, quando nossos chiqueiros se esvaziarem, terão irremediavelmente que comerem-se uns aos outros. Normal! Humanística, suína e comercialmente falando talvez nem seja tão grave. Pior seria se já estivéssemos trocando nossas crianças por enfeites de natal e por outras porcarias recicladas. Um porco é apenas um porco, não é verdade? Milhares de porcos são apenas milhares de porcos, não é verdade? Apesar de dizerem que até Jupiter teria sido amamentado por uma porca…

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um jovem assassino que sonhou em deixar sua casa para os animais...

O massacre das crianças na escola de Realengo têm colocado em evidência também a precariedade epistemológica dos profissionais em geral, mas principalmente dos das áreas PSI. Um psiquiatra diz umas boas bobagens e dá o diagnóstico mais fácil: esquizofrenia!!! O governador fez um discurso chato e longo acusando equivocadamente o assassino de psicopata!!! Outro psiquiatra fala no clássico Transtorno BIPOLAR!!! Outro acha que pode ter sido apenas um surto passageiro, mas fulminante!!! Os psicólogos vão de Freud a Skinner com uma facilidade nunca vista enquanto os psicanalistas preferem o silêncio "de Lacan". Os porteiros de prédio falam em Desvio de caráter!!! Os mais antigos e gagás falam em SOCIOPATIA!!! Os pastores caem logo na lengalenga do demônio. Os jornalistas, então, fazem uma salada grega, confundindo conceitos e acabando por despencar num determinismo mais radical ainda que o dos organicistas e que o dos  geneticistas. Os espíritas cruzam os dedos nas costas, os sociólogos têm uma tendência em voltar à lengalenga marxista, os antropólogos comparam a violência daqui com a violência de uma determinada ilha da Malásia e suspiram por alguma utopia. O Papa manda um bispo dizer que foi a vontade de Deus enquanto os policiais, indiferentes, apenas assopram o cano de suas pistolas etc.,etc.,etc.,.... E assim se vai passando de uma tragédia a outra pisoteando saberes, cuspindo sobre a ciência e principalmente sobre o bom senso. 
Abaixo um comentário que fiz hoje ao texto de um jornalista numa das conhecidas revistas nacionais. Como vocês podem ver, foi feito as 15:23. Não foi publicado e está aguardando pelo moderador há quatro horas...


Meu nome é Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos. Matei 12 crianças e me suicidei no dia 07 de abril de 2011 numa escola de Realengo...

Antes de qualquer coisa é importante lembrar que é até estranho que o governo decrete luto oficial pelo massacre das 12 crianças no RJ e que os duzentos mortos/dia no trânsito não causem praticamente constrangimento nenhum a ninguém.

Pela frequência com que esse tipo de crime tem acontecido nas escolas aí pelo mundo a fora, já era tempo dos “especialistas” suspeitarem que a escola nos moldes em que está fundada, tem sido uma fonte inesgotável de transtornos neuróticos e psicóticos nas crianças e inclusive nos professores. E não é por acaso que muitos desses crimes tem acontecido lá, junto aos bancos escolares, aos ex-colegas e às “titias”, lugar onde quase sempre se instauram os maiores complexos e os maiores traumas, depois do núcleo familiar, evidentemente, e isto em todas as classes sociais, sem distinção.

O caso de Realengo/RJ coloca em evidência a fragilidade – para não dizer a esculhambação – nacional nas áreas de: 
1. SEGURANÇA (onde é que um garoto de 23 anos, subempregado, foi adquirir armas e munição quase de guerra, uma década depois do teatro do desarmamento?); 
2. EDUCAÇÃO (como é que o atirador conseguiu entrar na escola armado daquele jeito e sem nenhum obstáculo, mesmo com a edificação e a arquitetura de nossas escolas sendo idênticas às das penitenciárias?); 
3. SAÚDE (se o ex aluno, filho de uma “doente mental” tinha algum transtorno psíquico, teria buscado ajuda aonde, uma vez que os serviços de saúde mental no Brasil são de uma precariedade indescritível e quase inexistentes);
4. ÁREA SOCIAL (sabe-se que, com o pretexto de liberdade de crença religiosa - ou de não perder votos - se tem permitido que verdadeiros psicóticos fundem igrejas, grêmios e associações místico-esotéricas e delirantes por todos os lados e que com suas bobagens apocalípticas desorganizem mentalmente as pessoas mais vulneráveis) etc., etc., etc....

Ah, precisaremos de mais uns dois mil anos para chegarmos a um lugar razoável, e isto, bem entendido, se as coisas mudarem de rumo!!! 

Obs: não é novidade para ninguém que bíblia e revólver na mesma casa sempre foi uma combinação pra lá de temerária.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O horror secreto às palavras...

Ao invés de tentar a todo custo calar o Sr. Bolsonaro, as “minorias” deveriam preservá-lo, convidá-lo a fazer palestras por aí, incentivá-lo a revelar todas as suas fantasias e todos os seus conceitos, pois ele é (no meio da peleguice vaselina, instituída e generalizada) uma relíquia, um instrumento precioso para se saber qual é o imaginário dominante e o pensamento secreto (não apenas de seus eleitores), mas de praticamente 90% da população brasileira a respeito dos negros, das mulheres, dos albinos, do comunismo, dos gays, dos banqueiros, das cadeias, das cotas raciais, do fascismo, das lésbicas, das ditaduras, dos estrangeiros, do ensino, da corrupção, do judiciário, da tortura, etc., etc. Por mais “politicamente incorretas” que possam ser as declarações vindas da direita, da esquerda, do centro, do Wiki Leaks, etc., (sejam sobre a burocracia, sobre a bucetocracia ou sobre a falocracia) serão sempre mais interessantes e revolucionárias que a mordaça, que a ameaça dos Estatutos e de Leis feitas nas coxas. Sim, serão sempre mais libertadoras que a unanimidade falsificada e que o silêncio covarde ou o fóbico balançar de cabeça. E depois, nessas querelas histéricas, observem, como é sempre muito difícil saber quem está realmente sendo menos "intolerante"...

Alguém se lembra da inquisição? Dos enviados para a Sibéria? Do Macarthismo? Das fogueiras? Dos porões do DOPS? Do olhar patriarcal ou matriarcal proibindo os filhos de abrirem a boca? Dos veterinários que danificam as cordas vocais dos cães para que eles não incomodem os vizinhos? 

Enfim, apesar de toda essa basbaquice, beata por um lado e policialesca por outro, é sabido que emancipação é sempre uma conquista pessoal, algo que se constrói por si mesmo, e que ninguém será emancipado por Decreto e muito menos através de um pseudo, fajuto e epidêmico moralismo às avessas... 

 

sábado, 2 de abril de 2011

PALAVRAS FUTURISTAS...

Foto de JULIAN ROJAS 21-03-2011
Poco à poco la sonrisa cálida y brillante de la Luna dejóse ver entre deshechas nubes. Y como aparecíese al fin toda bañada en enervante leche, los locos sintieron que su corazón se escapaba del pecho y se perdia en la noche... (...) Y trescientas lunas eléctricas borraron con sus rayos de tiza deslumbrante á la antigua reina verde de los amores... (...) Apresurémonos, hermanos mios!... No querréis que las fieras se nos adelanten... Debemos sostenernos en primera fila, á pesar de nuestro paso tardo... Oh, nuestras manos miserables y nuestros pies que arrastran raíces!... No somos más que pobres árboles vagabundas!... Y nos hacen falta alas!... Construyamos, pues, los aeroplanos!...