"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

MÃE É MÃE... VACA É VACA...

Depois de terem enlouquecido suas vacas (lembram das vacas loucas?) agora os ingleses inauguram uma sorveteria a base de leite materno. Como aqui no Brasil onde lá pelos anos 70/80 os mendigos faziam fila diante dos bancos de sangue para trocarem um ou dois litros de plasma por cachaça, muitas mulheres de lá, para ganhar uns trocados, estão esvaziando suas tetas nas geladeiras do The Icecreamists ali pelos lados do Covent Garden. É natural que os moralistas fiquem chocados com esse tipo de negócio, mas é só até lembrarem que os miseráveis sempre venderam e os mercenários sempre compraram de tudo por aí e a preços módicos: córneas, himens, rins, sêmen, cabelos, óvulos, órgãos, corações, medula, ossos, habeas corpus, cordão umbilical, crianças e até mesmo a "alma". Você que não foi amamentado na infância e que costuma passear por lá, tem agora a chance de compensar e até mesmo de ressignificar essa falta. Por umas dez Libras uma garçonete fantasiada de Lady Gaga lhe servirá uma taça na cor e no sabor desejado. Veja o video abaixo produzido pelos sempre melodramáticos descendentes de Dante...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OS ÁRABES, OS CARIOCAS E NÓS...

Acabo de receber de meus correspondentes do Mato Grosso um video e uma mensagem em apenas três parágrafos, mas que tirará o fôlego de muitos malandros, ufanistas e alienados. Diz:

1. Milhões de pessoas viram uma maçã podre cair, mas Newton foi o único que questionou o por quê...

Milhões de brasileiros, sob os efeitos devastadores da mídia, estão "consternados" com a opressão vivida pelos povos árabes, mas pouquíssimos perceberam a nossa própria realidade...

2. Nós também vivemos sob tirania de rábulas - essa massa pestilenta de dejetos, vulgarmente conhecida como DOUTORES, ADVOGADOS, e seus "derivados"; expelidos pelas cloacas morais das "faculdades de direito" deste país que, dissimulada e desapercebidamente substituiu a ditadura militar. Já habituado aos desmandos e injustiças imperantes neste esquema de autoritarismo "burocrático" desfaçatado, você "acha" tudo "normal"... Você acha que esta imundície, realmente, é uma "DEMOCRACIA" porque você nasceu neste ambiente... 

3. Hoje, movimentos em apoio aos povos árabes, surgem por toda a parte, mas, no Brasil, nem sequer percebem que,  também vivemos numa tirania asfixiante do poder JUDICIÁRIO-JURÍDICO-POLICIAL, tão corrupto, violento e avassalador como poucos, sob a batuta do crucifixo... Pior que qualquer ditadura autocrática ou teocrática muçulmana, é a TIRANIA que aí está diante dos seus olhos...





sábado, 19 de fevereiro de 2011

POINCARÉ, O PROFESSOR DE SANTOS E A APOLOGIA DA MENTIRA...

Está causando o maior reboliço e os arautos da moralidade nacional estão pedindo a cabeça do professor de matemática de Santos (SP) aquele que numa de suas provas  utilizou elementos mais do que conhecidos de nossa realidade, mas que, para os “papais” para as “titias”, para os educadores e inclusive para a polícia estão sendo considerados inadequados e até apologia do crime (drogas, prostituição, roubos de carros etc) evidenciando mais uma vez que tanto nas nossas escolas como nas nossas casas ainda rege a filosofia do avestruz e ainda se faz, conscientemente ou não, a apologia da omissão e da mentira.  É evidente que no caso, não há apologia do crime coisa nenhuma,  uma vez que nem mais os referidos temas são tabus para os alunos – como podem pensar alguns de seus ingênuos genitores - e que praticamente todos, sejam da classe que for, já tiveram ou têm alguém de sua família ou da vizinhança mergulhado na prostituição, se debatendo no submundo das drogas e da loucura e que já teve seu carro furtado por várias vezes etc. E depois, sejamos sinceros, para os alunos e para seu porvir é muito mais útil e importante saber como funciona o crime organizado, a prostituição instituída, o Estado Paralelo e o mundo infame da política, da justiça e do dinheiro do que estar aprendendo bobagenzinhas beatas, idealizadas e carolas que só servirão para fazê-los adultos indefesos, bananas e mocorongos.

Obs: Poincaré deve ter se exaltado na tumba ao ver que pelo menos um de seus discípulos entendeu que matemática não é apenas cruzar e sobrepor abstratamente sete ou oito números sobre uma prancha...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A LEITURA ENTEDIA E DÁ SONO... OU A ARTE COM SEUS LACAIOS E COM SUA LACAICE...

Uma das tantas casas londrinas que promovem leilões de obras de arte conseguiu vender ontem ou antes de ontem uma pintura de Picasso por 25 milhões de libras. Repito: vinte e cinco milhões de libras ou, se você achar melhor, 40 milhões de dólares. Até a caveira do velho espanhol deve ter se enojado e se indignado diante de tamanha canalhice e de tamanho despropósito, uma vez que não há lei, lógica, sensibilidade, razão, técnica, sentido, estética, fama, mística, sabedoria, imbecilidade que justifique esse valor. A obra (A leitura, 1932) da qual você já deve ter visto alguma reprodução por aí, retrata uma menina, - uma relação pedófila do pintor -  dormindo sentada e com um livro aberto no colo. É curioso que os que têm alergia e ojeriza às letras e os que odeiam livros ainda não tenham se dado conta de que podem muito bem usá-la contra ou em detrimento da leitura. 
Sinceramente, aqui entre nós, sem necessidade de nenhum cabotinismo: não é grande coisa! Conheço um pintor lá do interior de Goiás que tem telas até mais interessantes e que não consegue vendê-las nem mesmo por mixarias. Mas Picasso é Picasso!!! murmura em coro a ovelharada. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MY BROTHER RAONI...

Não são todos os finais de tarde que se pode encontrar o Monsieur Raoni (líder Caiapó) aqui pelo campus da Unb. Veio com sua trupe e trupes de outras tribos, todos camuflados de guerra, para decretar a interdição do projeto da usina em Belo Monte, lá no coração do Xingu que, segundo eles (e está na cara) causará um estrago fenomenal na floresta, em seus rios, animais e mistérios. O evento formal aconteceu na Fundação Darcy Ribeiro e foi um show de acusações contra a Dilma e o Lula (este, aliás, que depois da presidência virou professor e está dando umas conferências lá no continente africano). A mata, os córregos e a terra são nossas vidas! Dizia o representante de uma etnia. Foi seguido por outros que demonstraram a falácia que essa usina representaria, a ineficiência já comprovada em experiências semelhantes e as intenções subterrâneas desse projeto megalomaníaco e a serviço de organizações mafiosas. Classificaram os igarapés como as artérias da mata; mencionaram as mais de 300 pequenas ilhas que serão submersas; alertaram para o risco que a bestialidade sexual dos peões representaria para suas mulheres, seus filhos e filhas; profetizaram que o destino de milhares de indígenas e de ribeirinhos seria a miserabilização e a migração para as periferias e favelas urbanas etc., e em coro cuspiram sobre a sesta básica. Não somos gente que vive de sesta básica – esbravejou uma senhora índia. Houve até uma mulher encolerizada que apresentou-se como xamã guarani e que no meio de seu discurso feroz lançou maldições explicitas contra o engravatado representante do governo que estava lá e contra seus descendentes. A plateia delirava. Quando o clima ficava propício para um grande massacre ou pelo menos para um ato incendiário de imensas dimensões se ouvia no alto das arquibancadas aquele canto meio gregoriano e meio  xavantino de guerra: hohohu hohohu gogugiuuuugghofooo produzido por vinte ou trinta índios que com seus tacapes levantados pisoteavam o concreto empoeirado. Admito que sou emocionalmente vulnerável a esse tipo de coisas e que por pouco não me senti mais engajado que muitos dos próprios envolvidos... 

NB: Onde está escrito sesta leiam cesta. O lapso pode ter sido genuinamente inconsciente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Humberto Eco (autor do livro O nome da rosa) discursando numa manifestação contra Berlusconi em Milão...

Estes poucos segundos da fala e da figura de Humberto Eco são 
mais do que suficientes para provar a tese de que não conhecer os autores das obras que admiramos é uma precaução necessária.


A ARTE DE PEIDAR ou os "gases" como um dos grandes problemas filosóficos...


Um dos nossos primeiros aprendizados ao chegarmos no mundo, todo mundo deve lembrar-se, é o de como administrar os esfíncteres e de como disciplinar a expulsão dos gases, em outras palavras, a arte de saber peidar silenciosamente e sem ser identificado. Claro que cada povo e que cada cultura lida com seus peidos, seus cheiros e com seu universo escatológico de uma forma própria, mas no geral, o ato de peidar em público é sempre considerado um ateísmo, um pobretismo e uma indecência. A propósito, num pequeno país africano chamado Malawi está acontecendo algo curioso e até cômico  a respeito deste assunto: sob a batuta do próprio Ministro da Justiça daquele país (George Chaponda) tramita uma lei que proíbe e interdita esse ato em público. Sair peidando por aí – argumenta o Ilustríssimo – é demonstração de irresponsabilidade e de indisciplina! Pelo contrário, ir soltar suas flatulências na solidão de uma privada ou lá na beira do lago é uma questão de respeito e, principalmente, de Ordem. Mas e o efeito estufa? Mas e a camada de ozônio?  Se perguntam os ecologistas.
Claro que a verdadeira angústia e que a verdadeira preocupação do senhor Chaponda, apesar de parecer de ordem social é mais bem de ordem metafísica. Não apenas peidar é uma indecência, mas ter sete ou oito metros de intestinos e mais, ter que comer quatro ou cinco vezes por dia, fazendo esse papel mecânico e bestial de biodigestor...  para nada. A existência dos intestinos e a necessidade de peidar (e de cagar, claro) é a prova mais evidente da inexistência de um “criador” inteligente, pois qualquer demiurgo com um QI/80 teria naturalmente engendrado criaturas que funcionassem com energia solar, lunar etc.  Ao nascer a criança seria exposta por cinco minutos ao sol e pronto, estaria abastecida para os próximos oitenta anos, livre da ruminação, do fedor das fraldas, das toaletes e inclusive da maldição do trabalho. Não acham? Agora, com licença que tenho que ir à varanda...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONGRESSO ESPETÁCULO...

Se você não teve tempo de ir ao Congresso Nacional assistir a posse dos "novos" parlamentares perdeu em definitivo o bonde da história. Havia de tudo lá, e todo mundo perfumadinho, com as melhores grifes, sapatos de jacaré, calcinhas marcadas sobre as ancas, lutadores de box, palhaços, estelionatários, policiais, pastores, mães de santo, feministas, adolescentes e militantes pela causa gay, pela causa dos negros, pela causa dos índios e pela irmandade planetária.
Latifundiários, lobistas e sem-terras, padres, escritorzinhos, futebolistas, açougueiros, ex presidentes, ex governadores, ex prefeitos, ex direitistas, ex esquerdistas, ex anarquistas, ex ministros, ex soldados, ex presidiários, ex amantes, ex cassados, ex cabo eleitorais, os gaviões da midia, os fotógrafos, as matronas da casa e as estagiárias com seus caderninhos cheios de rabiscos e de segredos.... Inacreditável tanto a diversidade como a aparente coesão dessa fauna articulada por um mesmo "ideal"... Nas lixeiras, cartelas e mais cartelas de rivotril... E todo mundo  feliz, todo mundo zen e boquiaberto, os dentes de classe média reluzentes para as câmeras. Sinceramente, podem dizer o que quiserem dessa gente, mas ninguém poderá negar que fazem parte de um povo cordial e  feliz. Tapinhas nas costas, beijinhos nas orelhas, palavras de ordem, juramentos, intimidades. Nunca a pátria e a nação ouviram tantas juras de amor, de sacrificio e de fidelidade. Para os que ainda conseguem pensar com o próprio cérebro só lhes resta voltar os olhos para o Cairo e contentar-se com o velho e chato Bolero de Ravel...