"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

EM DEFESA DOS MINARETES...


Mesmo sendo intelectual e hormonalmente contra qualquer tipo de religiosidade e trazendo em mim a disposição de – se pudesse – decretar 33 chicotadas/dia aos praticantes de alguma fé, acho uma babaquice a recente lei suíça que condena e proíbe os minaretes naquele país. Ora, nada se iguala em beleza e em significado aos minaretes, e o mundo árabe deve todo o esplendor e o exotismo de sua história a eles. Não sei o que verdadeiramente representam para os muçulmanos, mas não esqueço os do Cairo, nem os de Tanger e muito menos os de Marrakech. Em Istambul, paguei o dobro para hospedar-me praticamente no telhado de uma espelunca porque de lá podia admirar os da Mesquita Azul. Os da Índia – da Aasfi Masjid, da Jama ou os do Santuário de Hazratbal - são imbatíveis! Dos 500 dias de Paris, muitos foram passados no café da Grande Mosquée de Paris, com o pretexto do chá de hortelã e dos “cornes de gazelle”, mas que na verdade era apenas pelo prazer de ficar lá diante daquela maravilha, de onde, a qualquer momento, poderia ecoar a voz de um louco convocando os fiéis para jogarem-se no chão e rezar ou para iniciarem uma nova guerra santa, como o fez Kadafi antes de ontem. E Brasília, apesar de ser um covil, também tem o seu precioso minarete (foto). Acho incrível que dos duzentos poetas delirantes que andam levitando por aí, nenhum, até agora, tenha lhe dedicado uma elegia, uma ópera ou pelo menos um canto.

Ezio Flavio Bazzo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

BRASÍLIA - CINQUENTA ANOS DE PODRIDÃO...

A luta generalizada dos políticos, dos empresários e das instituições afins para que não seja decretada uma intervenção no GDF, apesar dos argumentos democratóides, é pura e simplesmente - porque temem que o interventor, como Pandora, volte a abrir o caixote e deixe escapulir o último e mais temido de todos os males que não tem nada a ver com "esperança", mas sim com o mapa completo, colorido e detalhado da bandidagem, podridão que vai muito além do que o populacho otimista e votante pensa. Mas não tenham ilusão! Não há solução. Com interventor ou sem interventor, não haverá solução. A “metastase” – mencionada por um dos ministros de plantão – chegou a tal ponto que só a morte do paciente pode eliminar o mal. E você aí, que passou esse meio século mamando, palitando os dentes e coçando o rabo na varanda, não adianta vir agora querer fazer-se de "indignado", de "vítima" ou mesmo de "guardião da dignidade"...

Ezio Flavio Bazzo

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

FUMER C'EST ÊTRE L'ESCLAVE DU TABAC...

Não apenas as famílias tradicionais francesas, mas muitas outras confrarias daquele país estão escandalizadas com os cartazes anti-tabaco que a campanha da Associação Direitos dos não Fumantes está distribuindo por Paris, principalmente em lugares freqüentados por jovens. Os cartazes trazem imagens de adolescentes com um cigarro na boca  ajoelhados diante da braguilha de um adulto, fazendo analogia entre a submissão ao tabaco e a submissão na relação de sexo oral forçado. Segundo o responsável pela agência que administra a campanha, “a felação é o símbolo perfeito da submissão”.

Ezio Flavio Bazzo

Nós temos de ser maus, pois sabemos que morreremos. Nós seríamos ainda piores se soubéssemos, desde o início, quando”.

Apesar dos delírios de “desenvolvimento” de nossos DAS6, as filas nos hospitais estão cada vez maiores. A dengue cresceu 400% aqui nas barbas do Ministério da Saúde; as escolas, ali ao lado das Super Quadras do Niemayer continuam tão iatrogênicas como as cadeias; a tuberculose, a lepra, a obesidade, as doenças mentais, o trânsito e a criminalidade destroçam as populações dos bairros periféricos. Por mais que se tente diversificar nosso olhar, ele sempre acaba por reincidir sobre os maiores de nossos conflitos: a miséria e a morte. Eles que rondam todos os ambientes, envenenam todos os noticiários e aterrorizam igualmente a uns e a outros. Hoje mesmo, amanhã ou qualquer dias desses qualquer um pode morrer tanto por uma bala de 45 como por uma picada de mosquito ou de morcego, tanto por um vírus como por um fusca desgovernado, por uma febre, um infarto ou uma salsicha envenenada. E não adianta fazer de conta que se “durará para sempre”. Negar. Jogar-se nos braços da alienação ou da idéia pueril de eternidade. Canetti, que passou a vida inteira obcecado por este assunto insistia que era necessário não esquecer, mas resistir à morte. “Eu não posso explicar – dizia - porque, em mim a nítida consciência da malignidade dessa vida vai de mãos dadas com uma paixão profunda pela mesma. Talvez eu sinta que ela seria menos ruim se não fosse rompida e cortada arbitrariamente. Talvez eu tenha sucumbido à antiga idéia de que os ocupantes fixos do paraíso sejam bons. A morte não seria tão injusta se não houvesse sido decretada de antemão. Resta para cada um de nós, mesmo para os piores, a desculpa: nada que alguém faça pode igualar a maldade desse julgamento pré-estabelecido. Nós temos de ser maus, pois sabemos que morreremos. Nós seríamos ainda piores se soubéssemos, desde o início, quando”.

Ezio Flavio Bazzo



domingo, 21 de fevereiro de 2010

DEPOIS DA EFICIENTE LEI MARIA DA PENHA, QUE TAL CRIAR A LEI ZÉ DA BANANA?

A Lei Maria da Penha criada em 2006 para proteger mulheres de agressão no âmbito doméstico, está naturalmente evoluindo, aumentando seu raio de ação, reprimindo o punho violento dos brutamontes dentro de casa e, para surpresa, servindo inclusive para punir aquelas mulheres (e não são poucas) que agridem sistematicamente seus filhos e/ou seus companheiros. Ótimo! Assim imparciais devem ser todas as leis. Segundo notícias deste final de semana, umas vinte já foram trancafiadas pelo Brasil a fora. Não é novidade que de todas as desgraças humanas, talvez a pior seja a que se configura e se estabelece no momento da briga e da agressividade entre os casais, já que a passagem da condição de amantes para a de inimigos é sempre turbinada pelo pior dos ódios! E agressão – é importante lembrar - não é apenas física. Ninguém é santo numa relação. Ir à Delegacia mais próxima exibir hematomas ou um braço quebrado é muito mais fácil que ir lá mostrar os estragos do Bullying cotidiano, de décadas, por exemplo. Apesar de existir um preconceito tendencioso em defesa das mulheres, muitas vezes o massacre que elas (de todas as classes sociais) administram sobre seus maridos, amantes, namorados, filhos etc., é verdadeiramente poderoso e destrutivo. Quem é que não conhece, convive ou tem notícias de homens que são verdadeiros “bananas” nas mãos de suas companheiras? Homens que são maltratados, chantageados, caluniados, subjugados, humilhados, desqualificados, explorados e até mesmo espancados por suas megeras, e que não as denunciam por vergonha social ou por medo tanto delas como da própria justiça? Se a Lei Maria da Penha não deve ser usada para proteger também homens e muito menos para punir mulheres – como querem algumas das mais engajadas – então que se crie a Lei Zé da Banana. 
http://www.youtube.com/watch?v=7tqtVKL-XQk&feature=related

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ESCADARIA PARA O PARAÍSO...

É mais do que sabido que a história (e mesmo a atualidade) do mundo e dos povos é um rosário de chacinas, de delírios e de guerras entre fanáticos, na maioria das vezes sob o pretexto dos códigos de uma religião ou em nome de uma divindade imaginária.

A polêmica que a escultura de Eugenio Merino exposta na Feira de Arte Contemporânea de Madri (foto) está causando é uma dessas miseráveis manifestações.

Considerada uma blasfêmia, a obra intitulada Escadaria para o paraíso, retrata três homens em posição de reza, um sobre o outro: um padre católico sobre as costas de um muçulmano e sobre os ombros do padre, um rabino, sendo que cada um deles leva nas mãos o livro sagrado (a Bíblia, o Torá e o Corão) da religião do outro. Um trabalho excelente! Tanto é que foi vendido de imediato. Independente das verdadeiras intenções do artista o que importa é que ele está, de certa maneira, lembrando, à sua maneira, o que já disse Milorad Pavitch: “Só se pode ser um grande cientista ou um grande violinista quando se é apoiado por uma das grandes internacionais do nosso mundo. Internacional judáica, islâmica ou católica. Eu, como não pertenço a nenhuma, não estou em lugar nenhum. Entre meus dedos, todos os peixes escorregaram, há muito tempo”.

Veja o video:
http://www.youtube.com/watch?v=J6x0tUN_n6U


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNELEVARIUM... OU O MARCHAND DA MELANCOLIA... (2)

Enquanto espera pelo milhão de reais que seus advogados estão tentando surrupiar da universidade, sob o argumento de “acosso moral”, ela desfila toda sorridente e arreganhada numa escola de samba, com as carnes modificadas e com um vestidinho mais curto ainda que quase lhe deixa os grandes lábios a mostra.
Madona encheu o saco de tanta mesmice, de tantos berros e desapareceu. Outras duas nulidades americanas também estiveram pelo Rio nesses dias exibindo as banhas e as bundas nos morros, com a mesma desfaçatez que teriam se estivessem num safári... e com a cariocada toda atrás, transbordando cordialidades!!!
A legendária Cleópatra deve ter se arrepiado na cova com o figurante que colocaram para representá-la num dos carros alegóricos.
Apesar de ser uma das  ditas Terças-Feiras Gordas, nosso ilustríssimo governador continua atrás das grades, claro que numa prisão maior que meu apartamento. Alguns eunucos foram até lá oferecer-lhe livros de auto-ajuda, bíblias, escapulários e outros apetrechos da magia negra, mas os carcereiros os interditaram porque sabem que ele só se interessa pelas coisas legitimamente maquiavélicas. Os mais niilistas apostam que será solto logo depois da quarta-feira de cinzas, por isso este seria o momento ideal para se instalar “escutas” entre os “doutores” e entre as “instâncias”.
Para fazer um contraponto com os filhos de Caím que se esbaldam e se arrastam em farrapos pelo carnaval a fora, os padres aqui do DF inventaram o Rebanhão. O nome já diz tudo. Três ou quatro dias de retiro espiritual para que as ovelhas ávidas por eternidade tenham tempo de sonegar mais emoções e mais pensamentos ainda, bem como de fazer germinar mais e mais ilusões metafísicas dentro de si. O que, convenhamos, não deixa de ser, também, como o carnaval, uma tentativa malsucedida de regressão a um “estado orgíaco”.

http://www.youtube.com/watch?v=DLbJde-ftOw&feature=related

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

CARNELEVARIUM... OU O MARCHAND DA MELANCOLIA... (1)


Se o primeiro carnaval no Brasil (1641) já foi uma homenagem reacionária ao Rei Dom João IV e ao catolicismo, o deste ano está sendo dedicado ao detento governador Arruda. Transformadas em instituições burocráticas, inclusive com subsídios de governos, deputados jacobinos, igrejas e do Estado, as troupes carnavalescas estão bem mais para circo e catequese de que para as anárquicas orgias gregas ou para as descaradas saturnais romanas. E o Ministério da Saúde que fica se papagueando de “doar” milhões de “camisinhas” para os “foliões”, deveria saber que se não distribuir também Viagra, aquela borracha vagabunda e mal cheirosa ficará sem uso. Se nas festas do passado Baco era referendado como o Deus do vinho, hoje, temos que admitir, é às multinacionais do Viagra e do silicone que nos rendemos! Alguns ainda sentem melancolia e saudades daquela idiotice portuguesa chamada estrudo, onde, sob os olhares perversos dos monarcas os foliões saltitavam e atiravam-se jacas e até merda uns nos outros. Era o carnaval lusitano. E foram-se também os momos, o lança-perfume, as serpentinas, os confetes, os pierrôs, as colombinas de antigamente... De um lado da W3 a turba fantasiada que cantarola e que tenta reinventar e se enganar com o Principio do Prazer, no outro lado, a Tropa de Choque armada até os dentes e robotizada lembrando aos mais eufóricos que o que vale mesmo é apenas o Principio da Realidade. Carnelevarium. Era assim que os padres, com seu latim enrustido e nauseabundo denominavam os dias que antecediam a sinistra QUARESMA e o SÁBADO NEGRO DE ALELUIA! Quarenta dias sem comer carne! Sarava!!!

http://www.youtube.com/watch?v=Yw5L5exltgU&feature=related

sábado, 13 de fevereiro de 2010

PRONTO PARA O "REBOLEICHOM"?


E o rebolation? O rebolado? O reboleichom? Anatomia da picaretagem! Parece mais uma prova de que o projeto demiurgo de ir transformando-nos cada vez mais soturnos, desgraçados e piores está dando certo. É no mínimo estranha a coreografia dominante das últimas décadas de ir rebolando, rebolando, abrindo os esfíncteres e se agachando sobre o gargalo de uma garrafa. Coprofagia! Que porra é essa, mon frére? E eis que a cloaca arrombada se torna status ou até mesmo a essência
da humanidade! Póvera gente!!!
As cuícas e os tamborins já estão aquecidos.
O governador continua em cana, Lula declara que o Brasil é o que tem melhores condições para encontrar o Ponto G. Mas tudo é carnaval!!! E lá nave vá! – igualmente arrombada –.
Foi através do livro de James Geary que conheci a obra do lituano Samuel Hoffenstein. Nela nos deparamos com
aforismos tão oportunos como estes:

 

1. O poder nunca cumpre um mandato breve demais.

2. Onde há amos voluntários, há escravos voluntários.

3. Onde há homens em massa, há túmulos em massa.

4. Os bebês não têm cabelo; a cabeça dos velhos é igualmente lisa, entre o berço e o túmulo há um corte de cabelo e um barbear.

5. Não tema o átomo em fissão: o berço será mais esperto que o carro fúnebre; o homem nesta terra tem uma missão: sobreviver e continuar piorando.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

DE CARANDIRÚ À BIBLIOTECA DE SÃO PAULO...

Recentemente foi inaugurada a chamada Biblioteca  de São Paulo, construída sobre os escombros do antigo Presídio do Carandiru. Em minha opinião, foi uma imensa burrice histórica terem dinamitado e derrubado aqueles monstruosos pavilhões. Poderiam ter sido conservados como os de auschwitz ou como os de dachau. No pátio central – inclusive - poderiam ter edificado em cera as réplicas dos 110 presos que foram fuzilados lá dentro, bem como as dos carcereiros, as dos policiais que promoveram a matança e as dos governadores do Estado. Mas, essa gente insiste em dizer que a sociedade só será "outra" quando estiver infestada de bibliotecas e quando todas as crianças estiverem nas escolas. Balelas! A escola, do jeito que está, é uma réplica das prisões e a sociedade só será outra quando não houverem mais prisões.

Mesmo sabendo que a “civilização” foi construída à custa de chicote, espadas, calabouços e repressão, a existência de presídios ou de cadeias é a antítese do tesão, da soberania pessoal e da própria vida. A idéia de um SER preso (seja homem ou animal) é odiosa e inadmissível. Diga-me quantas prisões e quantos presos há em tua cidade, que te direi, em segundos, quem és e como governas.

Ezio Flavio Bazzo

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Nem tudo está perdido, Brasília ainda engendrará o seu Nero...

Alguém tocou fogo no cronômetro (foto) que marcava os dias faltantes para Brasília completar cinqüenta anos. O incendiário deixou um pneu queimando na base do negócio e as labaredas fizeram a geringonça entrar em pane. Não apenas a polícia, mas também os “gestores” de turno estão curiosos para saber que mensagens metafísicas e misteriosas podem estar contidas nesse simples gesto... Mas ninguém precisa ficar angustiado por isso, pois a festa estará garantida. Já se gastou uma fortuna com esse propósito, e no dia vinte e um de abril, chova ou faça sol, haverá entretenimentos, pipocas, cantores, metrô gratuito, fogos, desfiles, aviões dando rasantes sobre o lago, orquestras, filmes, exposições, alegrias e teatros para todos os gostos.

Mesmo que alguns “transviados” sigam achando uma bobagem e uma hipocrisia todo esse teatro festivo, é compreensível que aqueles que vieram para cá no princípio, aqueles que até foram lacaios do JK, do Jânio, dos Generais etc., se emocionem com o aniversário da cidade, com os pisca-piscas do palácio, com os sinos da catedral, com o exibicionismo espúrio das elites, com os prédios que cutucam as nuvens, com os paredões de vidro que ofuscam a canalha e com os chapadões estonteantes e imensos de concreto com os quais Niemayer sufocou a terra vermelha do cerrado.

E é sabido que os novos ricos não trocam a cidade por nada, até se ofendem quando alguém a desqualifica, e com razão, pois foi aqui, em tempo recorde, que saltaram da indigência para os bilhões de dólares e do analfabetismo para o pedantismo.

Ah, mas é uma ingenuidade achar que a corrupção é a maior das desgraças desta urbe. Existem outras. O dinheiro é apenas um papel sujo e nojento que burila e infecta os bolsos e as mentes da manada insana. Ainda virão outras, cada uma mais violenta e degradante que a anterior e afetarão mesmo aqueles que não enxergam nada além do garfo.

Ezio Flavio Bazzo



sábado, 6 de fevereiro de 2010

BRASILEIRA DÁ SHOW GENITAL NO III SALÃO ERÓTICO DO PORTO...

Meu correspondente em Portugal acaba de enviar-me uma matéria transcendente intitulada: a xota continua a máquina mais poderosa e infernal, referente ao EROS PORNÔ 10, que acontece de 4-7 de fevereiro lá no Pavilhão Multiusos de Gondomar.
 
Trata-se de uma brasileira de 35 anos que mora na cidade do Porto e que teria batido o recorde ao fazer sexo com mais de 700 homens em dois dias. Em entrevista a um jornal local, a fulana teria garantido aos repórteres que adora sexo e que sua pretensão é chegar a trepar com dois mil devoradores de sardinhas, num período semelhante. Que tal o desempenho de nossa representante tupiniquim entre os bravos lusitanos? 

Apesar de bravuras como esta, nossos sociólogos ainda continuam mergulhados em suas complexas e custosas pesquisas para descobrirem os motivos pelos quais cada vez mais os aposentados de Portugal abandonam suas velhas lá nas cercanias do Tejo e se mudam para as idílicas e ensolaradas costas brasileiras. 

O quase brocha Fernando Pessoa, se ainda estivesse por lá, com certeza resmungaria: Ah, [... E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil. Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita!].

Ezio Flavio Bazzo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A orquídea (A. sesquipedale) em Madagascar e suas mariposas...

Se você não é um dos abomináveis “ingênuos” que gastam seus míseros dias se matando para acumular Dinheiro e Poder, há um novo livro “na praça” que vai lhe causar fascínio e deslumbre. Refiro-me ao último título do biólogo Richard Dawkins: O maior espetáculo da terra.

Além de conduzir os leitores de forma lúdica pelos estupendos caminhos da evolução das espécies e de esclarecer porque demorou tanto para aparecer um Darwin, o livro vai proporcionando tanto informações preciosas sobre a dinâmica da vida como saberes que são fundamentais para nossa compreensão da existência e, inclusive, para nossa cada vez mais precária saúde mental.

“...flores que para nós parecem sem graça, podem, na verdade, ter suntuosa decoração de pintas e listras para atrair insetos; nós não vemos essa ornamentação porque somos cegos para o ultravioleta. Muitas flores guiam abelhas na aterrissagem com pequeninas marcas de “pista de pouso”, pintadas na flor em pigmentos ultravioleta que o olho humano não pode ver...”

“...Um exuberante prado florido é um Times Square, um Piccadilly Circus da natureza, um cartaz de néon em câmara lenta que muda toda semana conforme diferentes flores chegam à sua estação, meticulosamente regidas por sinais que as sincronizam com outras da mesma espécie...”

“...Existem flores, como a orquídea malgaxe, cujo néctar só está disponível para determinados insetos que se especializaram nesse tipo de flor e se beneficiam de seu monopólio sobre ela. (...) Do ponto de vista de uma mariposa, flores que seguramente fornecem néctar são como vacas leiteiras dóceis e produtivas. Do ponto de vista das flores, mariposas que seguramente transportam seu pólen para outras flores da mesma espécie são como um bem pago serviço de Sedex...”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O PERIGO QUE A "TERCEIRA IDADE" REPRESENTA, PARA OS "OUTROS" ...


Ao invés de vagas cativas nos estacionamentos e nas garages, as pessoas com mais de 61 anos deveriam ter suas Carteiras de Habilitação imediatamente cassadas. E digo isto depois de ter sido obrigado a lançar-me por sobre os canteiros da L2 norte para não ser atropelado por um senhor de uns 120 anos que ia na contramão, distraído e feliz com uma das mãos nos joelhos de uma passageira bem mais jovem. Ia sorridente em sua camisa branca, com seus bigodes engomados e agarrado ao volante de seu automóvel automático como se fosse um rei e último sobrevivente da terra. Dei-lhe sinal de luz, até olhou-me por cima dos óculos, mas não me viu. Pisei na buzina três vezes, foi inútil. Fiz-lhe sinal com a mão esquerda, mas também foi em vão. Nada deste mundo parecia capaz de arrancá-lo daquele surto gerontocêntrico. Sobrevivi por mera casualidade!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ENTRE MEMÓRIAS, TIROTEIOS E GUARÂNIAS...

E por seguir falando em música, sempre que cruzo com alguns conhecidos, entre minha casa e a escola, ao adivinharem que o estojo que levo oculta um instrumento, querem logo saber o pedigree de minhas partituras. No mínimo Vivaldi! Ignorar Albinoni seria um sacrilégio! – pensam. Nem imaginam que a próxima aula será sobre uma Guarânia de Asunción Flores. Foram músicas como esta (e não Beethoven ou Bach) na minha infância, lá no sertão paranaense, quase na fronteira paraguaia que, se por um lado, envenenaram meu imaginário, por outro, deram substância à minha existência. 

Ezio Flavio Bazzo

ARGENTINA: DOSCIENTOS AÑOS DE SOLEDAD...

Morreu neste final de semana Tomás Eloy Martínez. Um jornalista argentino de primeira grandeza. Seu último artigo, publicado no jornal El País (endereço abaixo) é uma amostra da beleza e da profundidade de seus escritos.