"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Viva o Kaos grego!


Aqueles que achavam que não tinham mais nada que aprender com os gregos terão que rever suas teses. Que abismo entre a passividade de nossa juventude tupiniquim e os jovens incendiários de Atenas! Lá, um único adolescente assassinado e o Kaos. Aqui, nem a monstruosidade dos quinhentos e trinta homicídios, só no DF e nos primeiros meses do ano, foi suficiente para arrancar alguém da monotonia. Nenhum pio, nenhuma manifestação, nada, apenas o peso de um silêncio ignóbil entremeado pela verborréia das autoridades e pelas justificativas dos vigaristas de turno. Enquanto a juventude grega se incendeia e se revigora, a nossa envelhece em seu cotidiano noir perdida em ilusões pueris, em filas para concursos, berrando fanática e bestamente nos botecos, nos estádios ou nas igrejas, exatamente como seus neuróticos e melancólicos avós.

Ezio Flavio Bazzo

domingo, 7 de dezembro de 2008

O sexo e a farsa de cada um


Muito ilustrativo o artigo da jornalista Conceição Tavares (CB deste domingo) sobre a psico sexualidade humana. Apesar do folclore genital de cada uma daquelas categorias, o que fica reafirmado, no final das contas é a velha realidade de que cada sujeito é um poço de segredos exóticos e de ficções miseráveis. Por outro lado, se filosoficamente a sexualidade pode até ser transitória e nômade - como querem alguns professores -, psicologicamente é o transtorno que se diversifica e que empurra o sujeito de um sintoma a outro. De minha parte, em defesa de minha própria orientação psicogenital, gostaria de protestar pelo silêncio e pela omissão que a matéria faz sobre o bestialismo ou, para ser mais cult, à zoofilia.

Ezio Flavio Bazzo