sábado, 23 de setembro de 2017

O Brasil é isso! E Rui Barbosa (apesar do título de sábio que lhe deram) estava redondamente enganado!...

"O Brasil não é isso!  
O Brasil não é sócio do clube de jogo e da pândega dos vivedores que se apoderaram de  sua fortuna e o querem tratar como a libertinagem trata as companheiras momentâneas de sua luxúria. 
Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletivo de criaturas taradas, sobre que se possa correr, sem a menor impressão, e sopro  das aspirações que nessa hora agitam a humanidade!  
Não! O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliqüescente, cadaverizada, que recebe na testa, sem estremecer, o carimbo de uma armadilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem do amante, como o calceta no dorso a flor-de-lis do verdugo.  
O Brasil não aceita a cova que lhe estão cavando os cavadores do Tesouro. Não são comensais do erário, o 
Brasil não são os sanguessugas da riqueza pública, 
O Brasil não são os compradores de jornais. 
O Brasil não são os corruptores do sistema republicano, 
O Brasil não são os publicistas de aluguel. Não são os estadistas de impostura” 
(Rui Barbosa, em discurso a 20 de março de 1919) como fazer um site

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A educação, a fé, as escolas e os senhores juizes...

Muita gente que conheço aqui na cidade está indignada e furiosa com os juízes do STF que hoje voltaram NOVAMENTE a discutir a questão das religiões: se se ensina religião ou não nas escolas públicas.., com tendência a legitimarem esse pormenor delirante da cultura. 
Eu tenho tentado acalmá-los: Tenham paciência, - lhes digo - 



não é tarefa fácil para os senhores juízes. Imaginem que num surto de lucidez eles resolvam reconhecer que a religião é apenas mais uma neurose obsessiva (ver W. Reich) e baní-la completamente das escolas.. E que horas depois, ao chegarem em casa, encontrem lá a família e a comunidade ao redor de uma capelinha, na metade de uma novena a Santo Antonio ou à santa Edvirgem. E que, além dos membros de sua família (mulher, filhos e etc) está a sogra, a síndica, duas professoras, uma do pré escolar e uma da pós graduação, (todas grelo duro - como diria o Lula), mais o vigia do prédio e quatro empregadas domésticas que trabalham no mesmo andar... todos de joelhos e uns até chorando... E que ao tentar refugiar-se no quarto do casal dá de cara com aquele quadro de meio metro quadrado da Sagrada Família sobre a cabeceira da cama. E que se vai para o escritório dá de cara com um Cristo pregado sobre uma cruz de jacarandá... E no quarto das crianças, além de uma vela queimando dentro de uma xícara, se depara com aquele quadro de um anjo surfando sobre nuvens... E que se liga o rádio ouve a voz de freira da radialista acusando os juízes de não terem coração... 
Imagine! Como é que esse homem justificaria seu voto para as "tias" da escola que entre uma aulinha e outra vão ao banheiro fazer um réquiem? E que acham que o papel da escola é, entre outras barbaridades inúteis, adestrar a criança para a fé e para o sobrenatural?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Galileu teria se equivocado? Ainda é o sol que gira ao redor da terra?...


Para ouvir a música...



"Les superstitions paraissent absurdes seulement à ceux qui n'en possèdent pas les clefs".
(argumento dos ocultistas, citado por Bertrand Solet in: Superstitions et fausses sciences)

No Brasil, Brasília é uma das capitais muito bem servidas não apenas de comida "natural" (macrobiótica, indiana, vegetariana, vegana e etc), mas principalmente de superstições. São inúmeros os restaurantes por aí. Claro que muitos dos frequentadores, além do arroz integral, do azuki, do grão de bico, da bardana, do ginseng e etc, também apreciam uma costela de leitoa, um quilo de cupim ou até umas pombas no espeto acompanhadas de uns tragos de cachaça.. 
Mas o que existe de mais fascinante nesses restaurantes é o mural onde a seita e a tribo prega suas propagandas: cursos, receitas, retiros, descobertas, técnicas respiratórias, posições do Kama Sutra, posições meditativas, técnicas de cinestesia, de jejum, cursos de Tarot, de búzios, de alquimia, de parapsicologia, vidas passadas, baralho cigano, ocultismos, a sabedoria malandra do OSHO, o sal do himalaia, os gatos pretos, o I Ching,  (prefaciado por Jung), shiatsu, Reik, mapa astral, amuletos, Sabbhat nas montanhas pedregosas de Goias Velho, diagnóstico através da iris, fotógrafos da aura, cartomantes, urinoterapia, transmutações espirituais, o mapa da Pedra Filosofal e da Atlantida perdida, a leitura do Alquimista sentados sobre um cupinzeiro. As similitudes entre Brasília e uma das pirâmide do Egito. Juscelino como um faraó. A música de Beethoven como antidepressivo, a reconstrução de hímens, mesmerismo, lavagens intestinais, chá de ibisco, e, claro, recados do além, enviados tanto por Xico Xavier, como por George Ozawa e por Madame Blavatsky a respeito dos truques e dos segredos para atingir a paz interior e claro, a universal. Um verdadeiro mercado de ilusões e um quase cardápio de pré-loucura. 
No almoço de hoje dediquei uns dez minutos para atualizar-me e fiquei fascinado com este anuncio de um curso que "será oferecido em breve para os interessados": FACES DO SAGRADO FEMININO: (Reconectando-se aos arquétipos da donzela, Mãe e anciã).
De imediato pensei em minha passagem, só de ida, para Pasárgada ou para qualquer outro lugar do planeta, mas em seguida, caí na real e lembrei que também no Egito (berço principal da astrologia) em épocas distantes e provavelmente até hoje, os adivinhos previam o futuro das elites, dos reis e faraós, analisando os movimentos de um cachorro... E que em Roma, o faziam analisando o voo de um pássaro sagrado... A respeito da astrologia, (lembrava-me um demônio provocador), foi toda baseada ainda na idéia de que era o sol que girava ao redor da terra... E que, em 1474, num outro país, um galo foi condenado à morte e queimado vivo por ter colocado um ovo...
Bah! Que miséria!
Definitivamente, Je ne suis pas ton frère...

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Cura gay e a idiotice vigente...

[Ne maudis pas les ténèbres, allume ta chandelle!]
Thomas S. Szasz
(In: le péché second)

Os jornais estão bombando com a volta da discussão sobre A CURA GAY. Os pastores insistem que os gays devem ser curados e atribuem à psicologia essa insólita tarefa. Parece que até conquistaram o apoio da justiça, pois ontem um juiz aqui da cidade determinou (derrotando uma petição do CFP) que SIM, os psicólogos podem praticar a Cura Gay. (faltou ao ilustríssimo juiz
dizer com que técnica, com qual método, a partir de qual marco teórico e a serviço de quem).
É evidente que há uma ignorância imensa por trás dessa discussão e que as partes envolvidas parecem não ter a mínima idéia do que é um processo analítico ou um processo psicoterapêutico.  É evidente que a imensa maioria ainda confunde a formação de um psicólogo com a de um teólogo, de uma freira, de um adivinho ou até mesmo de um policial. Por isso é que essa discussão infame toma esses ares de primarismo acabrunhador...  que nos causa vergonha! 
Quem vai a um psicólogo - consciente de que ele não é um feiticeiro e nem um xamã - não vai em busca de cura alguma.  Curar-se? Curar-se de quê? Um psicólogo não cura nada, não foi treinado para curar nada. Seu papel é outro. Quem quiser saber qual, que se debruce sobre as 3426 páginas da Obra Completa de Freud. E se, eventualmente, um sujeito  está em conflito com a sua sexualidade ou com seu cardápio (seja ele homossexual, heterossexual, pansexual, assexuado, pedófilo, zoófilo, teófilo ou o que quer que seja) pode recorrer sim, a um profissional da área da psicologia, da psicanálise ou da psiquiatria para entender e esclarecer para si mesmo o que lhe está acontecendo. E, se a partir daí, resolver mudar radicalmente, direcionar seu desejo para outro objeto qualquer, para as árvores do parque da cidade - por exemplo - poderá fazê-lo ao "bel prazer" sem que ninguém, e muito menos o psicoterapêuta (suposto-saber) interfira em sua decisão. 
Mas, atenção:  É importante reconhecer que esse projeto idiota dos pastores não é inédito na história do mundo, que também os heterosexuais trazem até hoje nas costas as marcas do chicote clerical e que a maioria dos transtornos genitais de homens e mulheres da atualidade está calcada na repressão secular que sofreram. As igrejas, no geral, sempre pretenderam curar, não apenas os gays, as lésbicas e os libertinos, mas todos os seres sexuados. É evidente que o conflito e o problema dos religiosos, não é com a homossexualidade, é com os bagos e com a vulva... Em uma palavra, com a sexualidade. Se sua crença fanática no absurdo não lhes permite conviver nem com o próprio desejo, imaginem então, com o dos outros... 
E já que falei em religiosos, um pormenor importante nesta discussão é registrar que nos últimos anos os religiosos de todas as categorias, seitas e laias praticamente invadiram e se apropriaram das faculdades de psicologia e de direito pelo país afora.  Por que? Porque acreditam (equivocadamente) que ali podem existir  instrumentos de maior eficiência para turbinar o adestramento da fé, da submissão e da moral pré vitoriana sobre o populacho.