quinta-feira, 25 de maio de 2017

Enquanto perdemos tempo "periciando" um inútil gravador, os gringos passeiam por Jupiter... (que, aliás, parece uma pizza de gelatina...)


O protesto da desilusão...

"Quando um povo chegou ao ponto miserável de não ter pelas algemas senão medo de perdê-las,
Quando chegou a olhar o despotismo como uma coisa sem a qual sua vida seria uma desgraça,
Quando baixou a esse infinito de infamia...
De onde pode vir a salvação?
De onde?" Vargas Vila



Ontem encontrei o mendigo K no meio da fumaceira no saguão do Ministério da agricultura que havia sido "incendiado" pelos manifestantes. A fúria estava no auge. Tiros, pedradas, gritos, maldições, fogo, fumaça, correrias, a voz que saia do alto dos caminhões e se perdia pela Esplanada, policias de todos os tipos, cavalos, ambulâncias, bombeiros, uma moça desmaiada e alguém lhe tapando as narinas. Mascarados, fardados, armados, um adolescente com a mão dilacerada, balas de borracha e pedras zunindo. As vidraças despedaçadas... As chamas comendo devagar dentro do ministério. Por quê o da agricultura? Pensei imediatamente nos agricultores que há décadas vêm adicionando agrotóxicos e venenos nos pimentões, nas cebolas, nos tomates... 

Fogo também no Ministério da Cultura. Pensei logo naquele nazi que, certa vez declarou que quando ouvia falar em cultura sacava logo sua pistola. 
Fogo no Ministério da Saúde, pensei de imediato nas filas  intermináveis dos hospitais perdidos pelo país afora e nos doentes que passam horas lá implorando por algum tipo de misericórdia... O mendigo olhava para toda aquela guerra com uma  indissimulável melancolia. 
Quando os gritos, os tiros e os ruídos diminuíram, aproximou-se para confidenciar-me: nada é mais melancólico do que estar no meio de uma guerra destas sem poder tomar partido. Como percebeu que fiquei meio confuso, esclareceu: como ficar do lado de uma polícia dessa que está a serviço de um governo "sem legitimidade"?, e como estar do lado dos manifestantes que estão representando um governo do passado, cujos principais líderes estão todos presos por "suposta corrupção"???  
Deu um murro no balcão coberto de estilhaços de vidro, cinzas, sangue, fuligem, fragmentos do teto que havia em sua frente e concluiu: Como não sentir-se um otário e um babaca numa situação destas?
Atravessamos a esplanada no meio de escaramuças, pedradas, tiros, bombas, labaredas, palavras de ordem, gritos. No meio daquela tempestade de estímulos senti que meu coração ameaçava entrar em colapso. Dei-lhe uma ordem para que se acalmasse ou então que se calasse para sempre.  Me obedeceu servilmente. Gente tossindo como tuberculosos sob o efeito da fumaça, da pólvora e da pimenta até chegarmos ao Ministério da Educação, onde havia, junto a uma de suas paredes uma mini e simbólica fogueira. Ninguém lhe dava a mínima importância, apesar de nela, estar contida toda a história nacional... Um dos alto-falantes anunciou que o exército chegaria em minutos.  O mendigo K lançou uma pedra ao léu, gritou para um policial: se o ministério pegar fogo salvaremos o fogo  e desapareceu por uma escada que há nos fundos daquele edifício...

terça-feira, 23 de maio de 2017

Da república platônica e da Cracolândia...

Paras ouvir a música, clicar no canto esquerdo da faixa...



"Se os bois tivessem deuses, estes teriam chifres..."
Jenófanes















1. Na última semana, o número de motoristas flagrados bêbados praticamente duplicou aqui na cidade. Quem não pode comprar cocaína vai na cachaça mesmo! O alcoolismo passa a ser um bálsamo diante de tamanha miséria política...

2. Depois do espetáculo das delações da JBS.., o espetáculo da Cracolândia em São Paulo..
 O nexo entre o caráter dos personagens de uma e de outra operação, entre o cachimbo e o Chivas, é mais do que evidente. Isto é: a lógica e a essência dos atores é descaradamente a mesma.

3. E o judiciário está investindo agora toda sua perspicácia e sapiência sobre o gravador com o qual o marido da Ticiana gravou o marido da Marcela. Nunca um gravador teve tanta importância... Será que Freud ou o Juruna teriam alguma interpretação inédita para tanta ingenuidade? E a demência avança...

4. E a polícia está nas ruas novamente aqui na capital da república. Passaram quase voando por debaixo de minha janela com a sirene ligada e a coronha dos fuzis para fora. Meu cachorro, que já conhece os camarins do poder e inclusive do Estádio Mané Garrincha (esse playground de idiotas), latiu com um descarado cinismo... (sorte que hoje é dia de Santa Rita - me lembra um energúmeno...)



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Noticias do Orient-Express... (Clarin de Buenos Aires, hoje)


http://hd.clarin.com/tagged/Orient-Express

Orgasmo. Prazer ou calvário? (Quando o orgasmo faz mal) LE MONDE

Quand l’orgasme rend malade

@ Pixabay
Cela devrait toujours être un réel plaisir mais, pour certains hommes, c’est un vrai calvaire. Chez eux, chaque éjaculation s’accompagne de symptômes invalidants. « Pour un plaisir, mille douleurs », disait le poète François Villon.
Initialement décrit en 2002, ce trouble se traduit par l’apparition après un orgasme d’un cortège de symptômes pouvant persister plusieurs jours. Baptisé « syndrome de la maladie post-orgasmique », il vient d’être décrit pour la première fois par des urologues français chez trois hommes. « Le syndrome de la maladie post-orgasmique est une maladie rare mais probablement sous-diagnostiquée car encore méconnue », indiquent-ils dans un article paru en ligne le 18 avril 2017 dans la revue Progrès en Urologie.
Il y a quinze ans, deux médecins néerlandais, Marcel Waldinger et Dave Schweizer, rapportent le cas de deux hommes qui se sentent mal immédiatement après avoir éjaculé. Les symptômes surviennent que l’éjaculation ait lieu à l’occasion d’un rapport sexuel, d’une masturbation ou spontanément dans leur sommeil. Ce syndrome se manifeste par des symptômes pseudo-grippaux. Ces hommes se sentent légèrement fiévreux, ont « la tête embrumée » et ressentent parfois également des douleurs musculaires dans les bras et dans les jambes. Ils se plaignent également de difficultés de concentration et d’attention et sont d’humeur irritable. Ces symptômes ne disparaissaient qu’au bout de 2 à 7 jours et réapparaissent avec la même intensité à l’éjaculation suivante.
Critères diagnostiques
On recense une cinquantaine de cas de syndrome de la maladie post-orgasmique dans la littérature médicale dont 45 rapportés par le seul Pr Waldinger. Ce spécialiste a proposé cinq critères diagnostiques pour le Post Orgasmic Illness Syndrome (POIS). Premièrement, le patient doit présenter un des symptômes suivants : une sensation d’état grippal ou d’extrême fatigue, une faiblesse musculaire, un état fébrile ou une sudation, des troubles de l’humeur et/ou une irritabilité, des troubles de la mémoire et des problèmes de concentration, un discours incohérent, une congestion nasale ou un écoulement clair nasal, des yeux qui piquent. Deuxièmement, tous ces symptômes surviennent immédiatement (dans les secondes), rapidement (dans les minutes) ou dans les heures suivant l’éjaculation, que celle-ci soit provoquée par un coït, un acte masturbatoire ou survienne spontanément pendant le sommeil. Troisièmement, ces symptômes surviennent quasiment à chaque éjaculation, c’est-à-dire dans plus de 90 % des cas dans un tel contexte. Quatrièmement, la plupart de ces symptômes durent entre 2 et 7 jours. Cinquièmement, ils disparaissent spontanément. Si les symptômes sont variables d’un individu à l’autre dans leur nature, leur intensité et leur durée, ils sont relativement constants chez un même individu. Certains hommes peuvent ressentir une extrême fatigue et des picotements des yeux tandis que d’autres se plaignent principalement de problèmes de concentration et d’une irritabilité.  
On distingue le POIS primaire qui se manifeste dès les premières éjaculations durant la puberté ou l’adolescence, des cas secondaires débutant plus tard. Sur les 45 patients étudiés par le Pr Waldinger, 49% présentaient un POIS primaire. Chez 87 % de ces sujets masculins, les symptômes débutaient dans la demi-heure suivant l’éjaculation. Trois patients avaient fini par s’abstenir de tout rapport sexuel avec leur partenaire. Jusqu’à donc décider de ne plus jouir pour ne plus souffrir. Huit autres avaient décidé d’avoir une relation sexuelle que tous les 2 à 6 mois. Afin de minimiser les conséquences de difficultés d’attention et de concentration, certains patients en viennent à programmer leurs rapports sexuels afin que les symptômes qui s’en suivent, qui peuvent durer une semaine, n’influent pas trop sur leur travail ou leurs études. Tout cela témoigne du fardeau mental que représente le POIS. Autant dire la poisse en bon français.        
@ Pixabay
Reprenant les cinq critères diagnostiques établis par le Pr Waldinger, le Dr Frédérique Le Breton, le Pr Gérard Amarenco et leurs collègues du service de neuro-urologie de l’hôpital Tenon (Paris) ont identifié un syndrome de la maladie post-orgasmique, ayant débuté à la puberté, chez trois hommes âgés de 28, 29 et 37 ans. « L’un d’eux était divorcé. Cela a détruit sa vie de couple car il lui était devenu impossible d’avoir des relations sexuelles », me confie le Dr Le Breton.
« Chez ces trois patients, en dehors des crises, l’examen clinique neurologique et du périnée est strictement normal. Aucune anomalie n’a été détectée lors des investigations complémentaires, en l’occurrence les dosages vitaminiques, hormonaux et immunitaires. L’IRM cérébrale est normale. L’IRM de la moelle épinière également. Cet examen est motivé par le fait que l’éjaculation est contrôlée par le système nerveux végétatif. Celui-ci régule certaines fonctions automatiques de l’organisme. Ses centres se trouvent dans la moelle épinière. Les tests d’évaluation du système nerveux végétatif ne montraient rien d’anormal »,me précise le Dr Frédérique Le Breton.Le patient de 29 ans éprouve après l’orgasme une sensation de malaise, des difficultés de concentration, de la fatigue, une sensibilité exagérée au toucher, une baisse de la précision des mouvements, des maux de tête, un éblouissement à la lumière, une sécheresse de la bouche et des yeux, une sensation de lourdeur au niveau de l’œsophage et de l’estomac. Ces symptômes, qui surviennent 5 à 6 minutes après éjaculation, persistent entre 24 et 72 heures. Aucun traitement ne s’est révélé efficace. Ni les inhibiteurs de la recapture de la sérotonine (antidépresseurs), ni les benzodiazépines (anxiolytiques) n’ont eu d’effet.   
Le patient de 37 ans, présente dans 15 à 20 minutes suivant l’orgasme, des crampes des membres inférieurs, une irritabilité, un ralentissement psychomoteur, une fatigue, un écoulement de liquide clair par le nez, un larmoiement, des éternuements, des bouffées de chaleur, un excès de transpiration associé à une frilosité. Une efficacité partielle mais transitoire a été notée avec les divers traitements proposés (neuroleptique utilisé en psychiatrie dans les angoisses profondes, antihistaminique prescrit en cas d’allergie, anticholinergique utilisé dans la maladie de Parkinson, nicotinamide ou vitamine PP).
Le plus jeune patient, âgé de 28 ans, ressent, immédiatement après éjaculation, une somnolence, une torpeur, des difficultés de concentration, des crampes dans les jambes. Il se plaint également d’autres symptômes n’ayant jamais été rapporté chez des individus présentant un POIS : des troubles vésico-sphinctériens associés à une envie fréquente d’uriner, une difficulté à évacuer l’urine complètement de la vessie, un déficit de sensibilité du pénis lors des rapports sexuels. Chez ce jeune homme, tous les traitements proposés ont échoué (antihistaminique, alpha-bloquant ayant un effet relaxant sur le plan urologique, séances de relaxation).
Le Dr Frédérique Le Breton m’indique avoir diagnostiqué très récemment un quatrième cas avant d’ajouter : « Aucun traitement ne lui ayant réussi, ce patient s’est tourné vers l’hypnose ».
Marc Gozlan (Suivez-moi sur Twitter)
POIS : une origine encore débattue
@ torange.biz
Le syndrome de la maladie post-orgasmique (POIS) est reconnu aux Etats-Unis comme une maladie rare par les Instituts nationaux de la santé (NIH). Son origine est discutée : psychogène, hormonale, neuro-endocrinienne. Selon le Pr Waldinger, le POIS pourrait être dû à une réaction du système immunitaire de l’individu vis-à-vis de son propre sperme. Jusqu’à présent, une allergie au sperme n’a été rapportée que chez la femme. 
En 2015, le Pr Waldinger a rapporté la survenue de POIS avant et après stérilisation chez trois hommes. Dans l’hypothèse d’une réaction immunologique, l’antigène serait donc plus vraisemblablement associé au liquide séminal qu’aux spermatozoïdes dans la mesure où ces derniers ne sont plus libérés après stérilisation mais que le liquide séminal continue d’être produit par la prostate et les vésicules séminales. Selon cette théorie, des réactions immunologiques se produiraient lors des éjaculations à la faveur de contacts répétés entre des peptides du liquide séminal et les lymphocytes T circulants. Cela entrainerait une production de cytokines spécifiques (hormones produites par le système immunitaire) à l’origine de divers symptômes physiques et cognitifs. Selon le Pr Waldinger, le POIS serait donc une pathologie auto-immune. Ce médecin a observé un test allergique cutané positif en utilisant des échantillons de sperme extrêmement dilué (88 % des 35 patients évalués). Il a tenté chez deux patients une désensibilisation par des injections sous-cutanées de leur sperme (dilution 1/40.000) et dit avoir observé une amélioration de leurs symptômes. 
L’hypothèse immunologique n’est cependant pas retenue par des allergologues et urologues chinois (Peking Union Medical College Hospital) dont l’étude parue en 2015 dans le Journal of Sexual Medicine a porté sur un patient souffrant de POIS et trois individus normaux. Tous ont eu une réaction cutanée positive après injection de leur propre liquide séminal dilué, même si le sujet atteint de POIS a eu une réaction plus prononcée. Surtout, ces chercheurs rapportent ne pas avoir détecté d’anticorps (IgE) spécifiquement dirigés contre le sperme dans le sérum du patient atteint de POIS et des trois sujets sains contrôles. Ce résultat semble donc indiquer qu’une véritable allergie à son propre sperme n’est pas à l’origine du POIS.
Les médecins chinois évoquent une autre hypothèse. Ils font remarquer que les symptômes du syndrome de la maladie post-orgasmique ressemblent à ceux du syndrome de sevrage des opiacés, qui s’installe au moment de l’interruption des prises de drogues et qui est donc un indicateur d’une dépendance. Celui-ci comporte également des signes physiques et des symptômes psychologiques pouvant durer plusieurs jours. Le syndrome de sevrage aux opiacés s’accompagne de rhinorrhée (écoulements nasals), de larmoiements, de douleurs musculaires, de frissons, de crampes musculaires et abdominales. Les auteurs chinois font remarquer que les peptides opioïdes endogènes, petites molécules fabriquées par le cerveau, sont impliqués dans l’état affectif positif associé au comportement sexuel. Les peptides opioïdes endogènes et les récepteurs opioïdes sur lesquels ils agissent sont en effet présents en grand nombre dans les structures cérébrales contrôlant les circuits de récompense. D’où l’hypothèse que le POIS résulterait d’un trouble affectant une catégorie particulière de récepteurs  opioïdes (récepteurs mu). Selon les chercheurs chinois, un déséquilibre de la chimie du cerveau pourrait donc être à l’origine du POIS.   
Quant aux urologues français, ils privilégient l’hypothèse d’une dysrégulation passagère du système nerveux végétatif dans la mesure où l’éjaculation entraîne après l’orgasme un « orage végétatif » (activation majeure du système sympathique avec libération massive de noradrénaline) et que certains symptômes du POIS sont évocateurs d’un dérèglement global du système neurovégétatif (dysautonomie).
Quinze ans après sa description initiale, le syndrome de la maladie post-orgasmique garde encore une grande part de mystère. 
Pour en savoir plus :
Bignami B, Honore T, Turmel N, Haddad R, Weglinski L, Le Breton F, Amarenco G. Syndrome de la maladie post-orgasmique. Prog Urol. 2017 Apr 18. pii: S1166-7087(17)30069-6. doi: 10.1016/j.purol.2017.03.007
Serefoglu EC. Post-Orgasmic Illness Syndrome: Where Are We? J Sex Med. 2017 May;14(5):641-642. doi: 10.1016/j.jsxm.2017.03.250
Waldinger MD. Post orgasmic illness syndrome (POIS). Transl Androl Urol. 2016 Aug;5(4):602-6. doi: 10.21037/tau.2016.07.01
Sur le web :
Postorgasmic illness syndrome (National Institutes of Health, NIH, Genetic and Rare Diseases Information Center)